Far Cry Primal

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Far Cry Primal é o primeiro jogo de 2016 para o qual eu estava empolgado. Afinal, curto muito os exemplares anteriores da série, e a ambientação proposta por este, na pré-história, tinha muito potencial.

Assim, me diverti fazendo um turismo virtual pela época em que os homens flertavam com suas pretendentes dando uma pancada na cabeça. Acumulei 30 horas de jogo e peguei todos os achievements (o que me fez pensar como faz falta um troféu de platina para marcar minha pintudice) e agora venho relatar sobre o passeio.

UGA BUGA INTRO!

A Ubisoft optou por criar um idioma fictício para Primal. O mais incrível é que, apesar de, obviamente, não dar para entender quase nada (tigre na língua do jogo é tigre mesmo!), mesmo assim as atuações se destacam. Os dubladores conseguem passar bastante sentimento e personalidade apesar de estarem lendo coisas em uma língua que eles mesmos não devem entender.

Parte dos créditos disso deve ir também para os animadores. Os personagens, como já é tradição na série, são marcantes e divertidos. Temos vários tipos de personalidades, do xamã excêntrico ao cientista patetão, e todos eles convencem como pessoas que poderiam ter existido.

Apesar disso, a história não é nada lá muito inspirada. Eu também não diria que ela é ruim. Na época que o jogo retrata, a principal preocupação do ser humano era sobreviver. Para isso, ele se juntava a outras pessoas e formava tribos. E como eram seres humanos, eles logo arranjavam brigas com pessoas que fossem de outras tribos. Parece que não evoluímos tanto desde a pré-história, mas é exatamente isso que temos aqui.

Apesar de o jogo mostrar que sua jornada tem 13 passos, não entenda que são 13 missões. São, na verdade, 13 histórias. Em suas primeiras horas com o jogo, você vai buscar por pessoas que possam agregar habilidades à sua tribo. Depois de recrutá-los, cada um deles se torna um quest giver, com uma sequência de missões que formam sua história.

Boa parte dessas histórias envolve a guerra contra as outras duas tribos, os canibais Udam e os Izila, que gostam de se pintar de azul. No entanto, você sempre tem uma boa quantidade de missões principais para realizar, podendo terminar toda uma história antes de começar outra, se assim desejar.

BUGA UGA SIDES!

Obviamente, há também sidemissions, que vão desde os tradicionais acampamentos da série (onde você deve matar todos os inimigos, de preferência sem ser visto) até algumas mais estruturadas (normalmente passadas por pessoas da aldeia), como uma na qual você deve descobrir o que está envenenando a água que sua tribo bebe.

Tem também alguns colecionáveis que a Ubisoft espertamente transformou em sidemissions. São cavernas marcadas no mapa, nas quais tem sempre dois colecionáveis. Para encontrá-los, você deve seguir rastros e explorar bastante em um labirinto bem difícil de se localizar.

Também tem algumas missões de caverna, que não envolvem coletar coisinhas, mas simplesmente escapar, e são focadas na exploração. Essas são talvez as melhores sidemissions do jogo, e se destacam do resto por serem mais lineares e até desabilitarem seu mapa.

Às vezes você pode estar simplesmente passeando pelo mundo do jogo quando você ouve o chamado de um brother of metal que está sendo atacado pelas tribos vizinhas ou por predadores. Estas são atividades bem curtas que, se realizadas, recompensam você com novos habitantes. E quanto mais sua tribo crescer, mais XP você ganha.

Por fim, as sidequests maiores e mais estruturadas são as caçadas a grandes feras, que te colocam no encalço de bichos grandes e bravos e que concluem em uma boss battle após seguir a trilha dos monstros pelos cantos do mapa. O mais legal é que depois de vencer a maior parte desses animais, você pode domá-los!

UGA UGA DOMAÇÃO!

Pois é, você vai passar muito tempo em Far Cry Primal matando bichinhos, mas caso você se enjoe de tanta violência, pode jogar um pedaço de carne no chão e, enquanto sua vítima está distraída, chegar perto e transformá-la em um pet. Ou vai dizer que você nunca quis ter um tigre dentes de sabre para chamar de seu e impressionar as garotas?

O legal é que uma vez que você domou um tipo de bicho, por exemplo, um urso, ele vai estar sempre disponível em um menu e pode ser chamado e dispensado a seu bel prazer. Cada animal tem habilidades diferentes, então você obviamente vai querer domar todos os tipos que puder. O que temos aqui é basicamente o sistema de companheiros do Fallout 4, mas implantado de forma muito mais dinâmica, permitindo que o jogador tenha mais controle e troque de animal rapidamente e quantas vezes quiser.

Eu passei boa parte do jogo tendo dois companheiros como preferidos. O jaguar raro era meu companheiro de stealth, pois ele é muito bom em matar sem ser visto. Quando a porrada comia solta, no entanto, eu chamava meu tigrinho dentes de sabre, que é forte e rápido, embora não seja muito sutil, por motivos óbvios. Quando você está simplesmente se locomovendo pelo mundo, convém ter um dentes de sabre por perto também, pois ele assusta todos os outros tipos de predadores, permitindo que você explore com calma.

Você pode até cavalgar alguns dos bichos (dentes de sabre, ursos e mamutes), mas eu não achei essa habilidade muito útil. Era melhor você deixar o bicho lutar por conta própria enquanto você luta junto do que controlar ele. A principal utilidade de montar nos seus amiguinhos peludos acaba sendo mesmo o transporte, pois com um tigre você consegue chegar do outro lado do mapa muito mais rápido do que a pé.

Uma coisa que eu gostei é que o mapa de Far Cry Primal não é exageradamente grande. Eu sei, a turminha costuma gostar de mapas enormes, mas eu me sinto mais animado a explorar quando o negócio é mais compacto.

BUGA-BUGA (HUM… BUGA-BUGA…)

Uma coisa que era tradicional na série é o quanto o jogador é limitado no início do jogo. Basicamente, em Far Cry 3 e 4, você é obrigado a caçar para poder fazer coisas essenciais, como carregar mais armas ou simplesmente conseguir fazer bolsas de tamanhos apropriados.

Em Far Cry Primal, eu cacei bastante, mas nunca me senti obrigado a fazer isso para eliminar restrições pentelhas. Não, aqui cada coisa que eu construía com meus espólios era de fato um upgrade, o que tornava muito mais natural que eu saísse por aí coletando florzinhas e matando bichinhos inocentes.

Algo que tornou o crafting muito mais agradável também é que mudaram o jeito que a bolsa de itens funciona. Antes, você tinha, sei lá, 30 espaços, e cada coisa que pegava ocupava um espaço. Aqui cada tipo de item ocupa um espaço específico. Você pode carregar X folhas vermelhas, X peles de urso, X peles de lobo, etc. Isso tira a responsabilidade do jogador em administrar seu inventário, pois ele pode simplesmente coletar tudo que puder sem acabar com um excesso do mesmo item – e assim sem poder fazer nada de útil com eles.

Eu entendo que talvez algumas pessoas não gostem dessa simplificada, mas eu realmente não sou um fã de administração de inventário, então acabei achando uma das melhores mudanças no sistema deste novo Far Cry.

Outra coisa que foi tirada são as torres de rádio, que até eram divertidas de escalar, mas era um saco ficar procurando por elas e ter que fazer isso para liberar itens. Esta é mais uma simplificada que o jogo recebeu e que o deixou muito mais aprazível.

UGA BUGA UGA!

Assim, eu diria que Far Cry Primal evoluiu muito bem a série eliminando as – digamos a verdade – muitas coisas chatas que Far Cry obrigava o jogador a fazer para chegar na parte boa.

Por outro lado, essa parte boa também diminuiu. Uma coisa que destacava os dois grandes episódios anteriores era o design das missões, que estava entre os melhores dentre os jogos de mundo aberto.

Aqui ainda há algumas missões que são excelentes, levando o jogador a explorar lugares belíssimos e misturando stealth e porradaria com um timing excepcional. No entanto, são consideravelmente menos missões assim, mais elaboradas, do que as que simplesmente repetem as atividades que você pode realizar no mundo aberto.

Boa parte dessas missões, aliás, parecem bem chupinhadas do The Witcher 3. Sabe aquele esquema de você usar sua visão turbinada para seguir trilhas rumo ao objetivo? É bem por aí. E isso fica um tanto repetitivo.

A repetição fica ainda mais evidente no combate. Obviamente, não há armas de fogo em Primal (embora deram um jeito de colocar algo bem semelhante a granadas: colmeias de abelhas). Você tem um arco e flecha, uma lança que pode ser atirada (e que é bem satisfatória) e, quando o desafeto chega muito perto, um tacape.

Porém, embora o jogo comece até um tanto difícil (na primeira fortaleza, com o chefe Dah, eu cheguei a queimar quase todos os meus recursos de tanto que morri), você eventualmente se torna overpowered. Assim, não interessa se eu estava lutando contra um mamute do tamanho de uma casa, eu basicamente ficava grudado nele martelando o gatilho direito, me afastando ocasionalmente para me curar e voltar à labuta. Basicamente, tirando o Dah, que realmente me fez suar, em todos os outros chefes, era basicamente uma questão de ter saco até que sua energia se esvaísse.

Tradicionalmente no Far Cry, você joga em stealth, mas quando o bicho pega o tiroteio também é legal. Aqui a diferença entre a diversão da furtividade e a porradaria que rola quando você é visto é digna de nota.

CHORANDO DE LONGE NA PRÉ-HISTÓRIA

Assim, por um lado, eu me diverti muito com Far Cry Primal. Não houve várias horas de grinding, nas quais eu queria estar fazendo outra coisa, como costumava ser o início dos jogos anteriores. Ele foi divertido o tempo todo, mas ao mesmo tempo não chegou nunca a alcançar os melhores momentos dos anteriores. Assim, acaba ficando num meio termo. Ele elimina o que a série tinha de chato, mas ao mesmo tempo não chega a ser tão marcante. É fácil recomendar – ainda considero a série o mundo aberto mais divertido da atualidade, mas não diria que é o melhor de todos.

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