Terremoto: A Falha de San Andreas

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Com tantas cabines rolando praticamente todos os dias da semana, é até estranho que esta seja apenas a primeira a acontecer na sala 4D do shopping JK Iguatemi em São Paulo. Ou melhor dizendo, a primeira a realmente usar suas funcionalidades, visto que algumas outras cabines chegaram a ser feitas nela, mas apenas usando-a como sala de exibição normal.

Pelo menos a escolha foi acertada, visto que Terremoto: A Falha de San Andreas é perfeito para esse tipo de interatividade de parque de diversões. Um autêntico filme-catástrofe, gênero tão popular na década de 1970, cheia não só de outros terremotos, mas também de incêndios, enchentes, naufrágios e por aí vai.

Na trama, a falha de San Andreas, que perpassa toda a Califórnia, começa a se movimentar, causando terremotos em escala nunca antes vista, destruindo tudo pelo caminho. The Rock é um bombeiro piloto de helicóptero que terá de ir até São Francisco resgatar sua pimpolha no epicentro da atividade sísmica.

E é só isso. Aí dá-lhe destruição em larga escala, com explosões, desmoronamentos, tsunamis e afins. O nível de devastação em larga escala é tão gigantesco que chega a ser surpreendente que esse negócio não tenha sido dirigido pelo Roland Emmerich, porque tem a maior cara de filme do alemão que adora destruir pontos turísticos dos EUA.

Visualmente o filme é bem bonitão, com efeitos especiais de primeira, enchendo a tela. Se você gosta de devastação desenfreada, sem dúvida ficará satisfeito com o que verá aqui. Já o roteiro (escrito por Carlton Cuse, um dos criadores de Lost), por outro lado, restringe-se apenas a um amontoado de clichês do gênero.

Todos os personagens-padrão estão lá. Do cientista que tenta desesperadamente alertar todo mundo da desgraça iminente (Paul Giamatti) ao sujeito covarde (o Sr. Fantástico), passando, é claro, pelo heróico protagonista que não poupará esforços para chegar até sua filha.

Outros elementos batidos de roteiro também estão presentes, tipo o caminho bloqueado por alguma desgraça, forçando os personagens a ter de tomar uma outra rota mais perigosa, até algo que deixou o Corrales bastante irritado, a tradicional e forçada cena de um personagem importante à beira da morte, aqui exagerada ao extremo. Se você busca algo original, definitivamente não é aqui que encontrará.

Se ele apenas requenta clichês do gênero com um roteiro deveras safado, mas um visual caprichado, é preciso dizer que a experiência em 4D realmente ajudou a melhorar a coisa. As poltronas vibram, tremem, sacodem, inclinam, dão trancos, tudo de acordo com o que vai aparecendo na história. Fumaça aparece na frente da tela, venta e água é borrifada no espectador.

Quem já foi a lugares como a Disney World ou o Universal Studios sabe como é, embora nesses casos esses brinquedos durem uns dez minutos no máximo e não quase duas horas como aqui. Assim, embora realmente seja divertido, pode também se tornar cansativo bem rápido. Quando a água começou a ser borrifada na minha cara, eu rapidamente me senti no cabeleireiro e eu odeio cortar o cabelo!

Esse negócio também não é muito recomendável para quem fica enjoado facilmente ou sofre de labirintite. E definitivamente não vale o extorsivo preço do ingresso, custando inacreditáveis R$ 73,00! No entanto, valeu a experiência, principalmente porque foi de graça.

Assim, quem gosta de um longa movimentado e com destruição até não poder mais, vai se divertir com Terremoto: A Falha de San Andreas, desde que não se importe com o roteiro preguiçoso e o monte de clichês que vai aparecendo a todo momento. É um filme pipoca despretensioso e nada criativo. No entanto, se você quer ação desenfreada e de qualidade, há coisas melhores. Mad Max: Estrada da Fúria está em cartaz. Só estou dizendo.