Você já deve ter percebido, mas eu gosto muito de coletâneas de jogos antigos. Esta, porém, talvez seja a mais estranha de todas. A gente tem coletâneas com vários jogos ou versões de uma série ou de uma empresa. Já teve até uma coletânea cuja pegada parecia ser juntar alguns dos piores jogos já feitos. Mas esta Marvel MaXimum Collection é estranha. A princípio, parece relativamente normal. Mais uma de muitas coletâneas que juntam jogos antigos da Marvel. Porém, a escolha dos jogos é deveras estranha, e traz coisas que muita gente queria jogar de novo, combinado com outras que representam o pior dos jogos licenciados.
X-MEN THE ARCADE GAME
Tem coisa legal aqui, tanto boa mesmo quanto aquelas que pegam pela memória afetiva. No primeiro grupo, temos o fliperama dos X-Men desenvolvido pela Konami quando ela fazia alguns dos joguinhos de porrada mais bonitos e impressionantes dos shoppings. Você pode escolher jogar as versões para dois, quatro ou seis jogadores.
Se você já viu a versão para seis jogadores pessoalmente, deve se lembrar que ela tinha uma tela enorme e bem larga. É muito legal ter a opção de jogá-la por aqui. Embora tenha a inconveniência de não poder trocar de personagens ao morrer, o jogo fica muito bonito em seu esquema super-wide. X-Men também é o único jogo da coletânea que permite jogar on-line. Eu não consegui testar isso porque não pago a Sony pelo privilégio, mas reviews de Steam dizem que não funciona direito.
CAPTAIN AMERICA AND THE AVENGERS
Quase tudo que vale ser jogado aqui depende da memória afetiva. É o caso de Captain America and the Avengers. Ele vem com a versão de fliperama, que é bem inferior a X-Men, mas ainda é capaz de divertir bastante. Eu sempre achei maior legal o tremendo clima de gibi super-heroístico que este jogo tem, desde as vozes até aquele “Ok, go” e a mudança de música que acontecem perto da vitória contra os chefes.
A versão de Mega Drive, também incluída aqui, foi um dos jogos que mais joguei na época, mesmo sabendo que ele era muito inferior a outros jogos do gênero. E especialmente inferior à versão de fliperama, que nem é assim tão legal. Este jogo aparece também em sua versão de 8-bit, que é um plataforma 2D totalmente diferente do beat’em up dos consoles maiores. É bem fraquinho, aliás, e só merece ser jogado se você estiver com muita curiosidade. É frustrante também que não dá para ver as vidas dos chefes, e em vários deles eu fiquei tanto tempo lutando que tive que procurar um guia para ver o que estava fazendo errado. Salvo esquecimento, no entanto, em todos eles bastava continuar batendo para sempre. Não tem muito erro, só têm vida demais.
A versão de Super Nes também não está presente, mas se me lembro bem, ela era muito inferior até mesmo à de Mega Drive.
HOMEM-ARANHA
Depois destes dois jogos, tem um monte de títulos estrelados pelo Homem-Aranha. Curiosamente, aquele fliperama da Sega que, até onde eu sei, nunca esteve disponível para consoles, não está aqui. O que está é Maximum Carnage e sua continuação, Separation Anxiety, ambos nas suas duas versões de 16-bit. Se você viveu a época, deve se lembrar que são jogos que fizeram bastante sucesso nos 16-bit. A versão de Mega de Maximum Carnage ficou famosa por vir em um cartucho vermelho. Eu lembro bem dele. A história Carnificina Total tinha acabado de sair nos gibis quando o jogo saiu com sua adaptação, o que era bem diferente do que costumávamos ver em outros jogos baseados em gibis.
Maximum Carnage é um bom jogo, mas ele se prolonga muito mais do que o necessário. Você luta contra todos os chefes várias vezes, e a principal diferença acaba sendo que o grupo de chefes fica cada vez maior conforme outros vilões entram na história. Mas é um saco ficar lutando contra personagens como Carrion e Shriek dúzias de vezes. Apesar de enjoativo e repetitivo, o jogo é legal, e a música da banda Green Jelly dá um charme especial. Também é estranho que o jogo é totalmente focado na dupla Homem-Aranha e Venom, mas não dá para jogar de dois. Você pode apenas escolher qual deles vai seguir em determinados pontos, o que afeta as fases de história pelas quais vai passar.
Separation Anxiety resolve totalmente este problema, e dá para jogar de dois o tempo todo. Infelizmente, foi a única coisa que ele melhorou. Ele parece ter sido feito para aproveitar o sucesso de Maximum Carnage e reaproveitou assets como os personagens, os controles, combate e parte das fases. Porém, a história é contada apenas em texto, sem os quadrinhos que deixavam o anterior tão bacana. O Green Jelly também não voltou e o resultado é uma trilha sonora sem graça e sem apelo. Como todo o jogo, aliás. Separation Anxiety foi o primeiro jogo desta coletânea com o qual eu não me diverti. Mas o pior deles ainda estava por vir.
A VINGANÇA DO FLIPERAMA

Spider-Man and the X-Men: Arcade’s Revenge é um daqueles jogos que quase ninguém esperava que fosse relançado oficialmente algum dia. Mas eu sempre tive curiosidade com ele. Lembro de um colega que tinha o jogo de Super Nes e eu achava super intrigante ter o Aranha e os Homens-X no mesmo jogo. Curiosamente, até agora achava que o game só existia para SNES, mas aqui temos também as versões de Mega Drive, Game Gear e Game Boy. Pelo que pude ver, são o mesmo jogo, com as mesmas fases. A de SNES é a mais elaborada e vai ficando mais simples e pior conforme desce a ladeira.
Este é o pior jogo da coletânea. Meu, isso é muito ruim. Ele tem fases específicas para cada personagem, que podem ser feitas em quase qualquer ordem. Mas tirando isso, e os personagens totalmente diferentes entre si, nada se salva. O jogo é feio, os controles são ruins e os chefes simplesmente demoram muito para morrer. Eu joguei a versão de Super Nes até o fim e até tem um troféu para terminar uma das versões portáteis, mas sinceramente não sei se aguento algo ainda pior.
SURFISTA PRATEADO
O adendo mais inesperado da coletânea é este jogo de Nintendinho estrelado pelo Surfista Prateado. Silver Surfer é um jogo de navinha muito parecido mesmo com R-Type. E, meu, eu realmente gostei dele. O visual e a história não são nada de mais, mas o gameplay é divertido. A questão é que o jogo é muitíssimo difícil, e é quase impossível saber quando detalhes do cenário te matam ou são seguros. O que me leva a meu próximo ponto.
Praticamente todos os jogos presentes aqui têm cheats, e você pode ativá-los para jogar como desejar. Estes cheats vêm em dois favores. O primeiro dele é simplesmente essencial para todos os jogos: vidas infinitas. O segundo é menos essencial, mas muito bem-vindo: saúde infinita. Ou seja, você não morre. Nem todo jogo tem esta última opção, mas alguns deles, como Silver Surfer, têm nisso a sua salvação. Assim como o R-Type de Master System, aliás.
REVIEW MARVEL MAXIMUM COLLECTION
A coletânea também inclui algum conteúdo brinde, como documentos de produção escritos à mão e scans das caixas e manuais. Então meu veredicto é o seguinte: vale a pena comprar a coletânea Marvel MaXimum Collection, mas faça isso apenas se tiver memórias afetivas destes jogos. E saiba que alguns deles nunca foram tão legais. Temos aqui um jogo excelente (X-Men Arcade Game), alguns bons ou razoáveis (Captain America and the Avengers, Maximum Carnage, Silver Surfer) e três que são terríveis (Captain America 8-bit, Arcade’s Revenge e Separation Anxiety). Se você sabe o que está comprando e o que esperar, dá para argumentar que só os fliperamas já valem a compra e o resto é bônus.






































