O Quarto de Jack

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Logo que ouvi falar deste filme, não sabia absolutamente nada sobre ele. Até que, pouco antes de assisti-lo, descobri que se tratava da adaptação cinematográfica do livro Quarto, de Emma Donoghue (responsável por assinar também o roteiro do longa), o qual eu havia lido alguns anos antes.

Por que estou dizendo isso? Por mera curiosidade e também para enrolar um pouco, afinal, O Quarto de Jack, a versão em celulóide, é daquelas obras sobre as quais é melhor assistir sabendo o mínimo possível, o que dificulta bastante o trabalho de um resenhista, sobretudo na hora de apresentar a sinopse.

O menino Jack e sua mãe (Brie Larson) moram trancados em um quartinho minúsculo. Jack nasceu lá dentro e nunca esteve no mundo exterior. Logo, a mãe tem de se virar para ensinar ao moleque sobre as coisas da vida, do universo e tudo mais. Ambos também desenvolvem uma relação de codependência única. Até que acontece algo que vai mudar o status quo.

Acredite, eu até poderia contar mais e curiosos que fuçarem pela internet não terão dificuldades em achar um resumo mais detalhado da trama, mas na minha opinião, isso tira muito do efeito provocado por uma trama pesada gerada por uma situação de pesadelo.

A força da película, bem como era a do romance, está no desenvolvimento do lado psicológico dos personagens, bem como na estreita relação criada entre eles. As atuações de Brie Larson, e especialmente do menino Jacob Tremblay reforçam esse lado e são excelentes.

Até mesmo algo que eu não havia gostado quando li o romance, quando este toma uma direção inesperada, é algo que no filme eu gostei muito mais, achando particularmente até melhor do que a parte inicial. É algo possibilitado pelas diferenças entre os dois formatos. Já que dessa vez, por exemplo, o primeiro ato do filme, por não ter uma voz narrativa como no livro, não surtiu o mesmo impacto que havia tido durante a leitura da fonte original.

Trata-se de um drama pesado, uma análise psicológica de quem passa por um trauma inimaginável. É um assunto difícil, e por isso mesmo, não se trata de uma opção de divertimento para quem busca apenas um programa casual para o fim de semana. Contudo, se você gosta de filmes mais densos e deprês, O Quarto de Jack possui qualidades suficientes para valer uma assistida.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.