O Caçador e a Rainha do Gelo

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Já faz algum tempo que contos de fadas e reinvenções de personagens de fábulas estão na moda. Mesmo assim, não sei se alguém estaria ansioso por uma sequência de Branca de Neve e o Caçador. Talvez ninguém tenha pedido, mas Hollywood resolveu nos dar este presente mesmo assim.

Particularmente, eu não sou o público-alvo deste tipo de história. Não é minha praia e a maioria dos longas que vi que surfam nessa onda eu achei bem fracos. Este aqui não é exceção. Não é o maior lixo já feito, mas parece ter saído direto de uma linha de montagem para capitalizar uns caraminguás em cima dos fãs de Frozen.

O novo filme tem um prólogo que mostra a origem de Eric (Chris Hemsworth) e se passa antes dos eventos de Branca de Neve e o Caçador. O resto acontece sete anos depois do dito cujo. Ele trata de Freya (Emily Blunt), irmã de Ravenna (Charlize Theron). Após uma tragédia, ela se revolta contra o amor e fica com o coração mais gelado que aquele vilão dos Ursinhos Carinhosos.

Assim, ela se auto-intitula a Rainha de Gelo do título e cria um exército para chamar de seu e expandir seus domínios. Contudo, depois que sua irmã empacota ao fim do primeiro filme, ela decide roubar o espelho mágico do reino da Branca de Neve (mas a Kristen Stewart não aparece neste filme) para lhe ajudar em seus objetivos. Caberá ao intrépido Caçador e seus amigos a missão de salvar o dia e viverem felizes para sempre.

Com o perdão da brincadeira, mas O Caçador e a Rainha do Gelo é morno. Sacou? Gelo, morno… E estou sendo até bonzinho, porque, por comparação, já vi muita coisa pior em minha vida de cinéfilo. Nunca chega a empolgar, não tem um traço de originalidade ou ousadia. Não tem razão de existir.

O roteiro é um amontoado de clichês de longas de aventura e fantasia. Todo o desenrolar da história é facilmente adivinhável e nada empolgante. E o pecado maior: se você vai fazer um filme genérico e tem um grande orçamento, e este aqui claramente tem, ao menos faça uns efeitos especiais decentes. Ele tem alguns momentos de CGI ridículos, dignos dos primeiros dias desta tecnologia.

Salva-se muito pouco aqui. Chris Hewsworth até se esforça dando uma verve ligeiramente fanfarrona para seu Caçador. E os anões têm lá sua graça. Mas todo o resto do elenco parece estar ali para cumprir tabela. Esse descaso, seja com as atuações, seja com a parte técnica, transparece a toda hora e passa bem o clima do que é esta produção.

Assim, atendo-se ao mínimo denominador comum, O Caçador e a Rainha de Gelo é apenas mais um caça-níqueis sem muito esmero para mamar um pouco mais nessa onda da fantasia. Talvez quem tenha gostado do primeiro longa possa encontrar algo aqui que justifique uma sessão, mas eu não apostaria nisso.