O Que Eu Fiz para Merecer Isso?

0

Todo mundo já teve um dia daqueles, onde nada dá certo e seu planejamento voa pela janela, sendo substituído por um monte de aporrinhações inesperadas. Michel (Christian Clavier), o protagonista de O Que Eu Fiz para Merecer Isso? passa por um desses dias malditos.

Tudo começa bem, quando ele encontra em um sebo um disco raro de jazz que há tempos era seu sonho de consumo. Daí ele faz o que qualquer um em sua situação faria. Corre para casa pra colocar a bolacha na vitrola e passar uma hora agradável ouvindo música.

É aí que tudo dá errado, visto que ele vai sofrer uma série constante de interrupções e problemas envolvendo sua família, vizinhos, e até os operários que estão reformando sua casa. Toda vez que vai baixar a agulha no vinil, é batata: alguma coisa vai dar errado.

É o tipo de comédia centrada no azar do protagonista, obrigado a tratar constantemente de assuntos que ele preferia deixar para outro momento. Por ser adaptação de uma peça de teatro, grande parte da ação se passa dentro do apartamento de Michel e é bastante centrado em diálogos entregues em ritmo veloz pelos atores.

Se os diálogos bem escritos e bem ditos são uma qualidade, o humor geral em si acaba sendo um pouco bobo. Todas as situações que atrapalham o protagonista são meio que clássicas da comédia. Funciona, mas já foram muito usadas, tira o brilho do trabalho, tornando-o um tanto previsível.

Ironicamente para um filme cujo grande objetivo do protagonista é ouvir música, a trilha sonora é outro ponto que deixa a desejar. A principal trilha incidental da película é bastante intrusiva e deixa a obra com uma cara de comédia mais popularesca.

Sai de Baixo me veio à cabeça, pela combinação da trilha com o esquema teatral e o próprio tipo de humor. Não que esse tipo de comédia seja ruim, eu até gostava do já referido Sai de Baixo, mas a música neste caso específico realmente não me agradou. Com o perdão do trocadilho, causou um ruído.

O Que Eu Fiz para Merecer Isso? funciona, arranca umas risadas e é simpático para qualquer tipo de público. Não reinventa a roda e você vai esquecê-lo antes de chegar em casa, mas ao menos ele diverte satisfatoriamente durante sua curta duração. Para quem quiser uma comédia mais leve para uma tarde de domingo, vale uma assistida.