Frozen: Uma Aventura Congelante

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Creio que nada tem mais cara de longa de animação da Disney do que histórias de princesas. Tanto que até quando a Pixar fez uma animação do gênero (Valente), ficou com cara de filme Disney.

Eles até tentam mudar o tema de vez em quando, como no caso de Detona Ralph, do ano passado, mas vira e mexe voltam às donzelas da realeza e seus castelos. E se você é um delfonauta perspicaz (e existe algum outro tipo?) já percebeu por essa introdução que Frozen: Uma Aventura Congelante é mais uma animação a tratar desse tema tão querido pelos estúdios do tio Walt. Contudo, antes de falar do longa em si, farei um pequeno aparte sobre o curta-metragem exibido antes.

MICKEY DE VOLTA AOS HOLOFOTES

Pois é, eles perderam de vez a vergonha na cara e resolveram copiar a Pixar na cara dura. Já tinham apresentado um curta antes de Detona Ralph e exibiram outro antes deste aqui também. Parece que vai mesmo virar tradição, como no caso de sua subsidiária mais talentosa.

Enfim, o desenho se chama Hora de Viajar, e de cara já surpreende por ser estrelado pelo Mickey. Responda-me: qual foi a última vez que você viu um desenho estrelado pelo camundongo? Faz tempo, né?

Começa apelando para a nostalgia, em preto-e-branco e usando o estilo de traço da década de 1940. Contudo, quando os personagens escapam da tela onde estavam sendo exibidos, ficam a cores e tridimensionais. O curta em si não tem nada de mais, não é dos melhores já feitos, mas essa brincadeira entre o 2D e o 3D garantem a diversão.

UMA AVENTURA CANTANTE

Agora sim, falemos de Frozen. Baseado no conto-de-fadas A Rainha da Neve, de Hans Gruber Christian Andersen, é a história das irmãs e princesas Anna e Elsa. Muito unidas na infância, acabam se distanciando porque Elsa tem o poder que não domina de congelar as coisas, tipo uma versão feminina do Homem de Gelo dos X-Men.

Elsa vira rainha e perde o controle de seu poder mutante na noite de sua coroação, afundando seu reino num inverno brabo. Ela foge e Anna vai atrás dela para trazê-la de volta e reatar sua amizade com a irmã distante e problemática. E no caminho vai conhecer uma turminha do barulho, formada por um vendedor de gelo, sua rena de estimação e um boneco de neve vivo. Juntos, viverão altas confusões da pesada. E vão cantar também. E cantar muito.

O horror, delfonauta, o horror… Sinceramente, não me lembro de desenhos recentes usarem deste artifício. Não sei se é porque apago essas partes da minha memória ou se realmente tinham parado com isso, mas o fato é que quando entrou a primeira música, já dei aquela bufada desanimada e me enterrei na poltrona.

Repeti esse processo umas 57 vezes durante o resto dos 108 minutos de projeção porque os números musicais são excessivos aqui. Sério, é um a cada cinco minutos. E são todos genéricos, chatos e arrastados. O pior é que só alongam o filme além da conta, pois, se não existissem, a narrativa convencional poderia resolver as informações passadas nas letras em uns dez segundos ao invés dos três minutos de uma canção.

Para completar, o primeiro ato é bastante devagar e, no geral, o filme é bem mediano. Há algumas piadas engraçadinhas, principalmente quando Olaf, o boneco de neve, entra em cena, visto que ele é o personagem mais divertido. Mas isso também demora um pouco. Os trolls, que têm um design bastante fofinho, também mereciam um pouco mais de tempo de tela.

Acho que essas histórias de princesa já deram o que tinham que dar para a empresa. Tecnicamente, o longa é impecável, mas isso não compensa a falta de pegada da história. A estafa criativa ficou visível aqui, com muitas situações requentadas de outros filmes do próprio estúdio. Está na hora de investir em outro filão de histórias. Detona Ralph, por exemplo, não foi um filme perfeito, mas mostrou muito mais fôlego e potencial do que este aqui.

As crianças que estavam presentes na cabine deram suas risadas e pareceram se divertir durante toda a projeção. Então, para elas, Frozen: Uma Aventura Congelante parece funcionar a contento. O bicho pega mesmo é para os adultos acompanhantes, para os quais o filme não tem muitos atributos. E ainda por cima é preciso aguentar as músicas… O horror, delfonauta, o horror.

LEIA MAIS SOBRE O PROBLEMA DO CYRINO COM MUSICAIS:

A Era do Gelo 2 – A primeira menção sobre o caso.

Pele de Asno – A fama se alastra.

Rent – Os Boêmios – O Cyrino dá sua explicação oficial sobre o fato.

Hairspray – Em Busca da Fama – O assunto continua a render.

Apenas Uma Vez – Isso é algo perfeitamente comum, deixem-no em paz!

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Fez parte do DELFOS de 2005 a 2019.