Nos últimos meses eu tenho reparado uma coisa: como eu me divirto com plataformas 2D. Até alguns que a crítica considerou ruins eu gostei. Tem algo muito mágico em simplesmente pular de uma plataforma para a outra. Little Triangle é mais um exemplar deste gênero tão clássico e tão querido, e ele foca apenas no que torna estes jogos especiais: pular.

Little Triangle, Delfos

Esta é sua única habilidade em Little Triangle. Tem inimigos na sua frente? Pule em cima deles. Mais Nintendinho impossível. A simplicidade é tanta que Little Triangle me lembrou N+. O visual aqui é um tanto mais elaborado e ganha pontos por não ser pixelado, embora cause um certo estranhamento.

O meu processo com o visual deste jogo foi semelhante a quando assisti a South Park pela primeira vez. A princípio fiquei com a sensação de que era mal feito, mas aos poucos comecei a gostar e até admirar tudo que ele consegue fazer com tão pouco. Little Triangle tem uma cara meio de desenho adulto, uma coisa um tanto Bob’s Burgers, que é meio bonitinho, mas é também meio feio.

Little Triangle, Delfos
Eu amo meu gatinho!

Se você já jogava videogame na época dos 16-bit, talvez se lembre também de Decap Attack, joguinho de Mega Drive que tinha uma cara semelhante a este. Ou seja, embora tivesse uma carinha um tanto infantil, rolava algo que poderia ser chamado de violência leve. Aqui, por exemplo, os inimigos mortos viram pedacinhos de ossos.

gameplay você já sabe como é. Classicão total. E o funcionamento do jogo também é bem tradicional.

ANDE PARA A DIREITA

Além de andar e pular, o jogo incentiva a pegar itens. Há triângulos azuis, que podem ser usados para destravar fases especiais ou jogar uma partida de arcade. Os arcades são fases secretas que, após encontradas nas tradicionais, podem ser jogadas pelo mapa mediante pagamento em triângulos azuis.

Cada fase tem também alguns personagens para serem liberados e várias áreas secretas que ficam atrás de paredes que se tornam invisíveis quando você as atravessa. Boa sorte para encontrar todas elas, pois ao contrário de Rayman Legends, aqui a coisa é bem mais exigente. Eu joguei obcecado, pulando na direção de todas as paredes e mesmo assim foram poucas as fases em que achei todos os segredos.

Little Triangle, Delfos

O jogo é relativamente difícil, mas nunca frustrante, graças a decisões técnicas muito bem tomadas. Coisas simples, como o fato de você não precisar pegar de novo tudo que pegou desde o checkpoint ao morrer, ou a total ausência de telas de loading. Morreu, você simplesmente reaparece no checkpoint imediatamente, ponto para tentar de novo. É o meu tipo de desafio que, embora exija muitas tentativas (algumas fases me mataram mais de 50 vezes), nunca desrespeita meu tempo.

Little Triangle, Delfos
O mapa é totalmente linear.

A progressão é totalmente linear. Há um mapa, mas você libera as fases na ordem e pode apenas avançar para o próximo mundo após cumprir todas. Cá entre nós, eu gostaria de um pouco mais de liberdade, como rola em Rayman Legends, onde você pode jogar um pouco em um mundo, ir para outro e depois continuar no primeiro.

LEVEL DESIGN

level design, que é o mais importante neste tipo de jogo, é deveras excelente. As fases normais incentivam exploração e pulos emocionantes, e vira e mexe rola um chefe, que pode ser uma perseguição ou uma luta propriamente dita.

Little Triangle, Delfos
Uma luta propriamente dita.

Você pode, por exemplo, ter que pegar carona em flechas ou então pular em tiros específicos, possibilitando atravessar um rio de lava.

Little Triangle, Delfos
Pule nas balas sorridentes.

O jogo não traz grandes novidades de um mundo para outro. É pura e simplesmente level design dos bons, sem upgrades ou nada do tipo.

Se quiser um charminho especial, pode ativar a opção de skins aleatórias, que te dá um triângulo diferente para cada fase, e alguns são bem engraçados.

Little Triangle, Delfos
Alguns nem são exatamente triângulos.

LITTLE TRIANGLE

Little Triangle é o jogo ideal para quem gosta de plataformas clássicos e não tem muito tempo para jogar ou não faz muita questão de firulas. É diversão sem frescura. Rápida, mas abundante.