Fire Hunter – Arising From Fire

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Quando este disco chegou aqui na redação, eu já senti algo muito especial por ele. Afinal, não há como eu resistir a um álbum de power metal cuja capa mais parece a de algum game de PC dos anos 90.

Para quem não conhece, o Fire Hunter é uma banda de Ponta Grossa, Paraná, que está na estrada desde 2000 e vem conquistando seu espaço na cena do metal nacional desde então. Os caras já chegaram a abrir shows para bandas consagradas como Angra, Eterna e até mesmo Scorpions. Mas a vida de um músico brasileiro não é fácil, e mesmo com este currículo impressionante, os caras só conseguiram lançar seu álbum de estreia, Arising From Fire, em 2013.

A primeira coisa que eu tenho a dizer sobre o disco é que ele é ao mesmo tempo surpreendente e extremamente familiar. Já nos primeiros quatro minutos, dá pra sacar que os caras são apaixonados pelo Helloween, em especial a era com Michael Kiske. Todos os elementos que fizeram a banda da abóbora tão famosa estão aqui: os riffs alegres e cavalgantes, a bateria rápida e feliz, o baixo definido e a voz aguda e simpática que te faz abrir um sorriso de orelha a orelha.

Aliás, este álbum poderia muito bem se chamar Keeper of the Seven Keys Part. III, porque é absolutamente impossível ouvi-lo sem se lembrar dos dois álbuns que consagraram o Helloween. Para ser bem sincero, eu acho o Arising From Fire muito mais “Keeper” do que o próprio Keeper of the Seven Keys – The Legacy.

Mas não pense que a banda é um clone genérico dos alemães, pois embora eles de fato sigam todos os passos de seus mestres em questão de técnica e composição, eles ainda conseguem manter uma identidade bem forte em sua performance, em especial o vocalista Ronaldo Costa.

O único porém do disco é que a produção do álbum, feita pelos próprios membros da banda, é um tanto precária. A maioria das músicas tem uma sonoridade muito abafada, principalmente nas guitarras. Talvez isto tenha sido intencional para dar um ar de LP dos anos 80 ao disco. Não é algo que atrapalhe muito e você logo se acostuma, mas acho que um pouco mais de polimento não faria mal.

Os destaques vão para as faixas Like a Judas, a ótima Fire Hunter e a nada menos que excelente Soul of Sorrow, mas assim como os Keepers, este é um álbum que vale a pena ser ouvido do começo ao fim.

No fim, Arising From Fire é um álbum muito bom de uma banda emergente que já de cara conseguiu se assemelhar a dois dos maiores discos da história do metal, o que mostra que os caras têm um potencial enorme. Se você é fã de Helloween ou de power metal em geral, com certeza não vai se arrepender de ouvi-lo.

CURIOSIDADES:

– A capa do disco foi feita pelo guitarrista Adriano Burey.