Era Uma Vez em Nova York

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A resenha de Era Uma Vez em Nova York é o tipo de crítica que tenho de escrever o mais rápido possível, de preferência imediatamente após ter visto o filme, ou corro o risco de esquecer tudo a que assisti. Sim, delfonauta, ele é genérico assim. Tanto que nem posso me demorar muito na introdução, ou ele sumirá completamente da minha memória. Então passemos depressa à sinopse.

Ewa Cybulska (Marion Cotillard) é uma imigrante polonesa que vai para Nova Iorque em 1921 fugida da guerra na Europa. Só que sua irmã, que a acompanha, chega doente e é detida e posta em quarentena pelos oficiais da imigração. Para liberar a maninha, ela precisa de uma grana preta para molhar a mão dos agentes corruptos.

Grana essa que ela irá conseguir trabalhando para o Joaquim Fênix, um empresário do ramo do entretenimento para cavalheiros (vulgo cafetão). Enquanto isso, ela também vai conhecer um mágico que é a cara do Gavião Arqueiro (mas de bigodinho) e vai ficar balançada entre o afeto dos dois sujeitos.

Este seria um típico filme nada, não fosse o fato de ele dar uma cansada lá pelo terceiro ato. Caso tivesse uns quinze minutinhos a menos, seria o tipo de película que você assiste numa boa e, depois que acaba, deleta automaticamente da memória. Mas como ele começa a capengar pela duração um tanto excessiva para pouca história, acaba virando o tipo de produção onde você se pergunta “por que estou assistindo a isso?” durante a projeção. E este nunca é um bom sinal.

Por ser um filme de época, tem aquele visual caprichado na recriação da Nova Iorque dos anos 20, com cenários, figurinos e direção de arte requintadas. Mas o grande problema é a história que ameaça tomar várias direções e acaba não chegando a lugar nenhum.

Ora parece que vai ser um drama pesadão sobre uma imigrante sofredora numa terra hostil, mas não chega a tanto. Ora parece que vai adotar um lado mais leve e divertido, principalmente quando entra em cena o mágico de Jeremy Renner, não à toa, a melhor coisa do filme, mas isso também acaba não acontecendo. E ora parece que vai virar um romance com um triângulo amoroso, mas isso também não se concretiza.

Nem sequer chega a atirar para todo lado, apenas insinua, mas nunca chega de fato a tentar ser alguma coisa que não uma produção sem pegada, sem alma. Acaba por ser um drama raso, como muitos que existem por aí e sem aquele algo a mais – a não ser o trio de protagonistas famosos no cartaz – para chamar a atenção e justificar uma assistida. Sendo assim, Era Uma Vez em Nova York é apenas um filme genérico que não vale seus suados tostões. Melhor procurar por uma opção melhor.