Coisas legais para fazer no Deserto de Atacama

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Bienvenido, cabrón delfonauta. Espiero que esteja si divertiendo com este nuestro muy diferente especial. En el tiexto de hoy, vamos hablar sobre las cosas legais de San Pedro de Atacama.

SAN PEDRO DE ATACAMA

San Pedro de Atacama é um povoado minúsculo (você anda de uma ponta a outra da cidade em 10 minutos) que fica no meio do deserto de Atacama, o deserto mais seco do mundo. Ele existe única e exclusivamente para o turismo e é basicamente onde você vai para dormir e descansar depois de alguns dos passeios mais cansativos do turismo mundial. No texto de Santiago, eu fiz uma espécie de dia a dia. Aqui, vou fazer diferente e destacar os passeios mais legais que fizemos na região. Mas antes, uns avisos.

UNS AVISOS

Chegar em San Pedro de Atacama é bem complicado. Daqui do Brasil, você precisa pegar um avião até Santiago e, dali, um outro até Calama. Do aeroporto de Calama, você pode pegar um transfer direto até San Pedro (sai 10 mil pesos por pessoa, cerca de 20 dólares) ou um táxi até a rodoviária (sai 5 mil pesos, não interessa quantas pessoas forem) e dali, um ônibus até San Pedro (2500 pesos por pessoa). Assim, a não ser que você esteja sozinho, vale bem mais a pena pegar a rota mais complicada. E um conselho: do avião de Santiago para Calama, vá acordado e na janelinha. A vista é demais.

Se possível, comece sua viagem pelo Chile por aqui. Isso porque são passeios extremamente cansativos, que vão exigir uma tremenda resistência e boa forma física. Como eu já tinha passado uma semana andando sem parar por Santiago, já cheguei aqui cansado, o que foi um big mistake.

Leve também roupas para calor extremo e frio extremo, filtro solar, creminhos para a pele, Vick Vaporub, aqueles sprays para umidificar o nariz e tudo mais que você conseguir pensar. Acredite, vai ser necessário, pois é bem difícil de respirar e as condições extremas vão cobrar seu preço de você. A minha pele e a da Cinthia, por exemplo, ficaram bastante enrugadas depois de alguns dias. Ficou parecendo pele de caubói! Foi assustador.

Você vai precisar comprar os passeios das agências de turismo, já que boa parte deles fica a várias horas da cidade e muitos são perigosos para ir sem guia. Os passeios são basicamente os mesmos em todas as agências, com exceção de algumas especializadas (tem uma que te leva para ver o céu à noite e outra que vende apenas escaladas em vulcões, por exemplo). Portanto, entre em várias delas e tente fechar um pacote com tudo que você quer fazer para conseguir descontões amigos. Ah, e se tiver como, vá para San Pedro com três amigos. Vários tours têm um mínimo de quatro pessoas e muitas vezes esse mínimo não é alcançado, impedindo o passeio de rolar.

A rua principal da cidade é a Caracoles. É lá que estão os maiores restaurantes e as principais agências de turismo. Porém, minha recomendação é dar uma volta pela cidade, especialmente nas ruas paralelas, antes de fechar um pacote. Tem umas agências que estão fora das ruas principais cujo preço inicial é cerca da metade das principais. Imagina então com desconto?

Infelizmente, nós não sabíamos disso e fechamos tudo com a agência mais famosa, a Desert Adventures, mas agora você sabe e pode economizar uns merréis. Agora vamos à parte legal: os passeios mais piradores de cabeção que fizemos.

OS GEYSERS DO TATIO

Esse é um dos passeios mais famosos do lugar, mas também um dos mais sofridos. Os Geysers só ficam ativos durante a manhã e, para chegar neles, rola uma viagem de três horas. Dessa forma, o tour começa às quatro da manhã. Como se não fosse suficientemente sofrido acordar por volta das três (nem pense em ficar sem dormir, você vai precisar das baterias recarregadas), o frio é absurdo. O guia disse que, nos Geysers, é comum chegar a 20 graus negativos. No dia que fomos demos sorte, e estava só 10 abaixo de zero. Para um paulistano que considera 15 graus positivos frio pra caramba, você pode imaginar como eu sofri. Foi o maior frio que senti na vida, sem dúvida. Além disso, fica num lugar muito alto (quatro mil metros acima do nível do mar), o que deixa realmente difícil de respirar. Você enche o pulmão e não vem ar suficiente, é desesperador.

Mas vale a pena, pois é um passeio bem inusitado. Os Geysers, que eu apelidei carinhosamente de “El culo del mundo”, são buracos cheios de água no chão, que são aquecidos pela lava do vulcão Tatio.

A água ferve e solta fumaça. Muita fumaça. E a fumaça fede!

Em alguns momentos, você até vê a água espirrando, mas resista à tentação de se aquecer enfiando a mão lá dentro. =P

Apesar de inusitado e ser um must see da região, não é algo especialmente bonito. Depois dos Geysers, o tour te leva para uma piscina natural de águas mornas, onde você pode mergulhar um pouco, e depois para o povoado de Machuca. Lá, eu fiz um novo amigo.

Além disso, realizei outro sonho de longa data, desta vez devidamente fotografado: eu abracei uma lhama.

No mesmo povoado, você pode comprar churrasquinhos de lhama, que são bem gostosos. E quero ver você ter a cara de pau de comer um desses logo depois de tirar uma foto com a lhama! ^^

VALLE DE LA LUNA E VALLE DE LA MUERTE

Esse é o passeio mais popular mas, sinceramente, não é nada demais e só coloquei aqui pela fama. São vales desérticos padrões. Bonitos, mas nada muito diferentes de tudo que você vai ver em todos os outros passeios.

O tour termina com a turminha assistindo ao pôr-do-sol de cima de um morro no Valle de La Luna, mas para chegar lá, você precisa subir uma ladeira imensa.

A altitude, por si só, já deixa a subida bem difícil, mas o chão de areia fofa deixa extremamente exaustivo. E esse, sinceramente, nem vale tanto o esforço.

SALAR DO ATACAMA

Este é o terceiro passeio mais popular da região e, no decorrer de um dia, nos leva ao Salar de Atacama e às Lagunas Altiplânicas (próximo tópico). O passeio começa com um oásis no meio do deserto que é de pirar o cabeção, e procede para o Salar.

O Salar é uma longa e plana extensão de terra, com um lago e alguns flamingos. O que deixa especial é que o chão é feito de sal (é mesmo, eu provei). Visualmente, contudo, não achei tão legal quanto esperava. É assim.

LAGUNAS ALTIPLÂNICAS

Agora sim uma paisagem diferente. Não só diferente dos outros passeios, mas diferente de tudo que já tinha visto. E não dá para definir com uma outra palavra que não seja lindo. Veja se você discorda.

Ainda não convencido? Veja mais então.

Isso é que é paisagem. As cores das lagoas são embasbacantes. Ao fundo, temos montanhas cheias de neve (a primeira neve do ano, lembra?) e dos lados, cenários desérticos com suas plantinhas características. Parece até que Deus (ou, mais provavelmente, o Slartibartfast) estava indeciso quando criou esse lugar.

Foi aqui também que vimos pela primeira vez um bichinho do qual eu nunca tinha ouvido falar. Chama-se vicuña, e as veríamos tanto no decorrer da viagem que elas logo se tornariam novas amigas.

Esse tour termina com uma parada em um povoado com lojinhas de artesanatos, onde eu tive a oportunidade única, bizarra e imperdível de dar uma mamadeira para uma lhama.

Ah, também foi nesse povoado que vi cactos grandes ao vivo pela primeira vez e não podia perder a chance de tirar algumas fotos divertidas.

TOUR ARQUEOLÓGICO

Esse nos leva a algumas ruínas incas. Nada muito bonito ou diferente, mas é bem interessante e gostei de ter ido, já que quando criança sonhava em ser arqueólogo.

LAGUNAS DE SALAR

Esse foi um passeio que quase não fizemos, pois as agências nos diziam que era apenas para tomar banho nas lagoas salgadas naturais. Como temos praia adoidado no Brasil, achei que não valia a pena. Mas pela nossa senhora de compostela, ainda bem que fomos, pois foi aqui que vimos e fizemos algumas das coisas mais lindas e inusitadas que devem existir no mundo.

O passeio começa na divertida Laguna Cejar, que é uma água tão salgada que você não consegue submergir. Sem exagero, é possível flutuar de pé nela, sem encostar o pé no fundo. É bem divertido, mas deve ser ainda mais divertido quando é verão e você não fica tremendo de frio dentro da água. ^^

O que vale mesmo nesse tour é a última parada, a Laguna Tebinquinche. Essa lagoa é ainda mais salgada que a Cejar e, por causa disso, em algumas partes dela é possível, literalmente, andar sobre a água. Seus pés molham, mas você não afunda. É muito mágico e é impossível não se sentir o próprio Jesus ali.

Além disso, toda a paisagem é tão absurda que nem parece ser parte da Terra. Infelizmente, é o tipo de coisa que perde muito em fotos, mas mesmo assim, dá uma olhada nisso e me diga se não parece montagem!

O mais divertido é que, se você for bobo que nem eu, dá para tirar algumas fotos tão bobas quanto a sua cara de pau permitir.

Mas tem mais. Em alguns pontos, não dá para você andar na água, mas tem uns montinhos de sal, por onde dá para você ir caminhando, pulando de um a um. Diga se você já viu alguma coisa tão saída de videogame quanto esse cenário. Parece saído do clássico do Atari, Frostbite.

SALAR DE TARA

Esse foi o último passeio que fizemos, apropriadamente, pois era uma mistura de tudo. Aqui tivemos cenários embasbacantes de tão lindos, misturando neve, oásis, desertos e formações rochosas.

Videogame foi um tema recorrente nessa viagem. Afinal, era comum estarmos no deserto, com neve nas montanhas ao fundo, podendo enxergar kilômetros à frente. Simplesmente não parecia natural ver tudo isso sem ter, à minha frente, meus braços segurando uma metralhadora laser, pronta para pipocar uns alienígenas musculosos. Veja essa foto e diga se não vêm à sua cabeça lembranças de grandes FPS, como Halo ou Killzone ou mesmo Serious Sam.

A formação rochosa mais interessante era uma pedra enorme onde era possível ver o rosto de um índio. Quão enorme? Bom, olha o meu tamanho perto dela.

No final do passeio, quando nos aproximamos da lagoa principal do Salar, vimos novamente um monte de lhamas e vicuñas. Nunca tínhamos conseguido chegar tão perto de uma vicuña antes, mas infelizmente não foi perto o suficiente para eu lascar um abraço nelas. Para não ficar frustrado, resolvi lascar um abraço bem apertado na Cinthia.

Ei, eu gosto de coisas fofinhas, lembra? =)

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO

E essa foi a nossa viagem pelo deserto. Ou melhor, quase, pois eu deixei de fora o dia em que escalamos um vulcão ativo. Essa história será contada na próxima matéria. Trata-se de uma aventura épica cheia de conquista, romance, vitórias e, claro, altas confusões. Não perca.