The Walking Dead: The Final Season é um final feliz para uma história que estava a caminho de terminar muito mal. E não me refiro à história contada pelo jogo, mas ao que aconteceu na Telltale na vida real. A companhia fechou no meio deste lançamento, despedindo seus funcionários sem pagar seus direitos trabalhistas.

Eu descanso quando morrer: relembrando a Telltale Games

Por alguns meses, o destino de The Walking Dead: The Final Season ficou incerto. Felizmente, a Skybound assumiu o manto, contratou boa parte das pessoas envolvidas na criação do jogo e conseguiu terminar a história.

Desta forma, a aventura de Clementine e da Telltale meio que começaram e se encerraram juntas. Embora o primeiro The Walking Dead, de 2012, não tenha sido o primeiro jogo da Telltale, foi o que a colocou no mapa mainstream e apresentou o que ficaria conhecido como a “fórmula Telltale”, repetida nos jogos posteriores.

Agora, com The Final Season, a história da Clementine chega ao fim, junto com a da Telltale. Como serão os adventures modernos depois desta imensa perda? Ainda é cedo para dizer, mas eu gostaria de ver a Skybound assumindo o manto do gênero como a Telltale assumiu o da Lucasarts.

THE WALKING DEAD: THE FINAL SEASON

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AJ e Clementine, os protagonistas de The Final Season.

Ao longo dos últimos sete ou oito anos, a história da Clementine foi contada de forma única. Na primeira temporada, nós a protegíamos. Na segunda, nós a controlamos. Na terceira, ela virou uma quase-antagonista. E agora, na quarta e última, o ciclo se fecha e ela assume o papel que originalmente foi de Lee, e tem uma criança, AJ, para cuidar e ensinar a sobreviver.

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Lee e a Clementine pimpolha aparecem em uma cena especial e bastante emocionante.

E AJ é tão carismático quanto a Clementine pimpolha da primeira temporada. Ele é bonitinho, simpático, brincalhão e esperto. Que a Telltale tenha criado tantos personagens marcantes ao longo de relativamente poucos anos é um testemunho à absurda habilidade narrativa de seus roteiristas e criadores.

A história segue o alto padrão da Telltale, cheio de decisões difíceis, momentos dramáticos e alguns mais leves e com um delicioso senso de humor. Felizmente, não há nenhuma diferença, visual, técnica ou narrativa, entre os episódios desenvolvidos pela Telltale e os finalizados pela Skybound. Tudo resultou em uma obra coesa, que em nada demonstra o drama envolvido em sua produção.

THE WALKING DEAD: O JOGO

Curiosamente, The Walking Dead: The Final Season mostra uma Telltale mexendo com sua própria fórmula. Há novidades de interface, como ícones diferenciados que mostram que determinada ação terá consequências. Mas o mais diferente é que este apresenta bem mais gameplay, sendo uma mistura mais equilibrada entre um jogo e uma história interativa.

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The Final Season tem momentos de gameplay real.

Há, por exemplo, várias instâncias de tiro, nos quais você deve literalmente mirar na cabeça de zumbis para não morrer. Em outros, você vai explorar em primeira pessoa. Talvez o mais marcante seja uma infiltração stealth em um barco inimigo.

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A infiltração no barco é um dos momentos mais diferenciados do jogo.

Claro, é um gameplay rudimentar. Não espere que o The Final Season vire um jogo real de ação. Ele ainda é uma história interativa/adventure moderno, mas claramente houve uma ambição de o aproximar mais de um game tradicional.

TROFÉUS

Outra novidade neste sentido são os troféus, que desta vez recompensam um bom desempenho nas cenas de ação, colecionáveis ou decisões específicas. Isso para mim foi um retrocesso. Eu gostava da postura da Telltale de “jogue como quiser”. Graças aos troféus mais específicos, eu segui minha história por alguns caminhos que talvez não seguisse.

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Por exemplo, eu vi que tinha um troféu que recompensava um romance. Daí, quando tive que optar entre salvar dois personagens, escolhi aquele que parecia estar no caminho para isso, mesmo gostando mais do outro.

Este é o tipo de coisa que, em uma história interativa, não é legal, pois acaba tornando a história menos sua. Além disso, há várias instâncias em que é necessário jogar mais de uma vez para conseguir todos. Então The Final Season não é exatamente uma platina difícil, mas ao contrário dos jogos anteriores da Telltale, vai exigir um esforço e bastante repetição para quem desejar platiná-lo.

SEMPRE TEM TEMPO PRA SER BOBO!

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Falando um pouco da história em si, Clementine e AJ cruzam com um grupo de adolescentes, que estão tentando sobreviver após todos os adultos os terem abandonado ou morrido. Então espere altas influências de Senhor das Moscas por aqui.

Há também um grupo de antagonistas bem desenvolvido, do tipo que é difícil chamar de vilões, e entre eles há uma cara conhecida lá da primeira temporada.

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O final, por outro lado, é bastante previsível. Cá entre nós, a história termina exatamente como imaginei que acabaria. Por um lado, é tematicamente consistente, mas por outro seria interessante que trouxesse mais surpresas.

É HORA DE DIZER ADEUS

Eu diria que a Clementine, ao longo das quatro temporadas e sete/oito anos, se tornou uma das personagens mais marcantes dos games. E, apesar do final previsível, seu arco dramático foi considerável e poucas vezes vimos uma jornada tão abrangente de uma única pessoa.

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Eu não escondo que sou um grande fã da Telltale. Considero seus roteiristas entre os melhores da indústria e mesmo visualmente adoro o estilo e a direção dos jogos. Ela sem dúvida vai deixar um vácuo nas histórias interativas, que torço que seja preenchido por alguém com talento equiparável. Quem sabe os funcionários da empresa que perderam o emprego não criam uma nova companhia com o mesmo objetivo?

Quanto à história da Clementine, em muito ela se aproxima à da Telltale. Com certeza será lembrada por todos que a acompanharam ao longo dos anos e, apesar de deixar saudades, foi concluída de forma exemplar e bastante satisfatória.