Já está virando algo recorrente nas resenhas delfianas de games: jogos que têm excelentes predicados, mas que acabam se sabotando por investir em ideias de jerico. Esta é nossa análise SuperEpic: The Entertainment War.

ANÁLISE SUPEREPIC: THE ENTERTAINMENT WAR

SuperEpic: The Entertainment War é um metroidvania com ênfase no Vania. Ou seja, ele traz a possibilidade de equipar dúzias de armas e equipamentos que afetam as estatísticas, poderes e habilidades do protagonista, um guaxinim montado numa lhama que lembra muito o alter-ego heróico do Eric Cartman.

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Não parece?

A história é, ao mesmo tempo, catártica e irritante. Isso porque ela apresenta opiniões que acredito serem compartilhadas por grande parte dos gamers de console. Porém, o jogo acaba se tornando exatamente aquilo que critica.

QUANDO A PARÓDIA SE TORNA O PARODIADO

SuperEpic acontece em um futuro sombrio, onde os games de verdade foram eliminados e substituídos por porcarias free-to-play repletas de microtransações. Um grupo vive nas periferias culturais, mantendo vivos os games clássicos. E daí eles decidem que chega. É hora de invadir a malvada empresa que monopolizou os jogos com suas porcarias e acabar com ela. Vida longa aos games de verdade!

É um setup bacana, que pode render uma história divertida, bem-humorada e catártica. E daí você encontra isso.

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Sim, um QR Code.

Até jogar SuperEpic, eu não tinha um leitor QR no meu celular. Simplesmente nunca vi necessidade. Pois então, agora tenho. Isso porque parte dos segredos do jogo ficam travados atrás de um código destes. Ao lê-lo, você é levado a uma paródia de algum jogo popular de celulares, como Flappy Bird ou outros desta laia.

E aí que está: para destravar a passagem, você precisa jogar esta paródia até fazer a pontuação necessária. Ao alcançá-la, o jogo encerra e um código aparece na tela do seu celular. Digite este código em SuperEpic e pegue seus tesouros.

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Doces tesouros.

O problema é que eu – e acredito que a maior parte das pessoas que comprariam SuperEpic – desprezam jogos de celular. Ser obrigado a pausar um jogo de console para jogar por alguns minutos alguma porcaria mobile antes de poder continuar é a definição mais precisa de ideia de jerico.

Fazendo um paralelo com a música, é como se, ao ouvir um disco de heavy metal (gênero do qual gosto muito), precisasse interromper a cada três músicas para ouvir uma faixa eletrônica (algo que detesto). Isso acaba desagradando aos dois públicos.

MAS FICA PIOR

Além destas paródias mobile, você também precisa do celular para ganhar dinheiro. E isso é ainda mais desprezível. Novamente, você escaneia um código QR e é levado a um minigame no celular que envolve simplesmente clicar em um ou mais quadrados. Cada clique fornece alguns pontos. Junte pontos suficientes e você pode transformá-los em dinheiro para o jogo, ou então para upgrades, como autocliques, o que significa que você está sempre ganhando pontos, mesmo quando não está jogando.

É o tipo de aplicativo que nem mesmo no celular daria certo, um shovelware que serve apenas para as pessoas gastarem dinheiro para literalmente EVITAR jogar. Então por que diabos me colocaram um desses como parte de um metroidvania de console? E sabe o que é ainda mais absurdo? Saca só o tamanho do código que você recebe – e precisa digitar no console – sempre que escolhe transformar pontos em dinheiro:

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Ganhar algumas centenas de moedas no jogo envolve digitar códigos maiores do que o código de review que me permitiu baixar o jogo completo! O.o

Sinceramente não dá para entender. E sabe o que é mais curioso? Quando não te obriga a ficar mexendo no celular, SuperEpic é bem legal.

JOGANDO NO CONSOLE

O audiovisual é excelente. Os gráficos são coloridos, detalhados e lindamente animados. As músicas são empolgantes e divertidas. A jogabilidade também é ótima, com um combate que devolve a profundidade que você investe nele.

Você tem três botões de ataque: um para combos, um que joga os desafetos para cima, e outro que os joga para baixo. Você pode vencer usando simplesmente o ataque principal, mas é muito mais eficiente usá-lo para pequenos combos, jogar o bandido para cima, pular atrás dele, continuar a surra de bunda, e finalizar arremessando-o para o chão.

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level design também é bacana. Inicialmente, você é levado de uma área para outra, de forma relativamente linear. Depois de algumas horas, no entanto, é necessário revisitar locais pelo qual já passou para adquirir upgrades. Só que ele não te diz onde estes upgrades estão, o que vai envolver uma boa dose de exploração. Isso pode ser legal para algumas pessoas, enquanto outras vão querer simplesmente continuar com a história logo. O lado bom é que eu consegui avançar nestes trechos sem precisar apelar para guias. Ou seja, a coisa é muito mais intuitiva do que Metroid.

Outra coisa que gostei, e que demonstra o cuidado que a turma do Undercoders teve com o visual é justamente algo que critiquei na minha análise Bloodstained. Lá, as áreas de save são sempre iguais, não interessa se você está no castelo ou no esgoto. Aqui, elas são sempre um banheiro, porém o banheiro é diferente de acordo com onde você estiver no mapa.

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SuperEpic também traz várias batalhas contra chefes. Estas não são especialmente especiais, mas são fáceis o suficiente para não se tornarem paredes que bloqueiam o progresso. Em outro toque interessante, ao entrar em uma nova área, o chefe daquele trecho se apresenta e troca uma ideia. Assim, você sabe de antemão quem vai enfrentar ao terminar a fase.

EPICIDADE ÉPICA

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SuperEpic tem muitas ideias boas, um excelente gameplay e um audiovisual digno das melhores pixel arts. Quando funciona como um metroidvania, é ótimo e divertido. Porém, perde muito tempo obrigando o jogador a vivenciar algo que ele mesmo critica. É uma armadilha comum em paródias e, infelizmente, SuperEpic não conseguiu evitar se tornar o parodiado. E sofre bastante por isso.