O Sorveteiro é um filme que me pareceu extremamente divertido desde que entrou no meu radar. E, não, este do qual falamos hoje não é um remake do filme homônimo de 1995, embora os conceitos sejam semelhantes. A figura do sorveteiro, especialmente este que dirige um food truck, que praticamente não existe no Brasil, é algo que ocupa um lugar quase tão importante na cultura pop de medo quanto os palhaços. É até estranho que, salvo engano, este personagem tenha estrelado apenas dois filmes até o momento.

I’M YOUR ICE CREAM MAN, STOP ME WHEN I’M PASSING BY

O personagem do título não é o protagonista. Não, estes são três crianças, as únicas da cidade que não comem o sorvete amaldiçoado. Pois é, apesar de gostoso, o sorvete do Sorveteiro é amaldiçoado. Ele faz as crianças babarem glicose e laticínios quando ouvem a música do caminhão. Eca. Ah, quem come o sorvete também vai ganhar superpoderes e sair matando os adultos da cidade.

E elas fazem isso com um gosto sensacional. As crianças assassinas são ainda mais criativas do que o Jason, matando os mais velhos com calma e prazer. Parece tão divertido que é quase wholesome, sabe? Aliás, tô pra ver um longa cuja filmagem pareça mais divertida do que esta. E nisso incluo tanto as crianças assassinas quanto os adultos vítimas.

ALL FLAVORS AND PUSH-UPS TOO

Apesar de a violência explícita ser elaborada a ponto de assustar alguns adultos – e inclusive de impedir os atores mirins de assistir – o tom do filme é mesmo o de uma comédia. E uma comédia que parece ter divertido geral. Boa parte do longa envolve crianças comendo sorvetes bonitões com a felicidade que sorvetes levam para toda pessoa que se preza. E mesmo a parte violenta parece bacana.

Um exemplo é uma cena que mostra uma criança matando um adulto enquanto está no cavalinho dele. Ele corre em círculos enquanto ela o espeta com algo cortante. E imagino que ambos começaram a gargalhar assim que ouviram a palavra “corta”.

I’M USUALLY PASSING BY, JUST ABOUT ELEVEN O’ CLOCK

Felizmente, toda essa diversão de produção se estende aos espectadores também. O Sorveteiro é simplesmente muito divertido. Sim, há muita violência e, acredito que como outros filmes do passado, por causa disso muita gente não vai perceber que é uma comédia. Mas ele é realmente muito engraçado, com personagens agindo de formas absurdas o tempo todo.

Além disso, mesmo a história é bacana. O Sorveteiro vilão lembra muito o palhaço Art em suas atitudes, e igualmente não fala nada verbalmente. Suas caras, por outro lado, falam muito. O final também é bacana, e me pegou desprevenido, sendo deliciosamente horrível. Meu principal problema com o filme são as animações que aparecem ocasionalmente, feitas por IA. Usar máquinas de plágio é uma economia de dinheiro que considero imperdoável para um trabalho criativo vendido.

Isso foi o que me impediu de dar a O Sorveteiro o Selo Delfiano Supremo. Talvez eu me torne mais implacável no futuro, quando essas práticas ficarem mais comuns. Por enquanto, o filme perdeu o Selo, mas ainda ganhou a nota máxima.