Esta versão de Star Fox para o Switch 2 me animou como poucos jogos. Você deve se lembrar o quanto eu procuro jogos como este lançados nos últimos anos e como eles estão praticamente mortos. Além disso, durante minha adolescência eu simplesmente amei Star Fox 64. Assim, por mais que eu preferisse um jogo novo da franquia, achei bacana jogar um retrabalho sobre um dos jogos preferidos da minha vida. Logo, descobri que a Nintendo já refez Star Fox 64 outras vezes, o que azedou bastante o fato de eles estarem voltando novamente ao mesmo jogo, mesmo sem eu ter experiência com os remakes anteriores.
REVIEW STAR FOX
Mas para mim, Star Fox seria a primeira vez que jogaria uma nova versão de Star Fox 64 desde os anos 90. O jogo demora para começar, com um tutorial bastante estendido e chatinho, além de enormes cutscenes antes de você ser liberado para brincar. Aliás, essas cutscenes são provavelmente a maior novidade desta versão. Sim, o visual foi totalmente refeito, e as músicas regravadas com instrumentos reais. Tirando isso, o jogo é basicamente o mesmo, com as mesmas fases, layout e condições para progresso. As cutscenes, por outro lado, são totalmente novas.
Uma das coisas mais legais em jogar Star Fox 64 nos anos 90 era o fato de que seu esquadrão falava com você durante as fases. Lembro de achar isso maior legal na juventude. Mesmo hoje, em que vozes e acompanhantes são comuns em games, ainda gosto disso. Porém, o original não tinha muita história ou contexto. Agora tudo é explicado e atuado, com cutscenes belíssimas, muito bem dirigidas e desenhadas, e totalmente faladas. Os personagens falam português, inglês ou várias outras línguas à sua escolha. Curiosamente, só dá para escolher o idioma do áudio, as legendas parecem estar travadas no idioma do sistema. É algo que simplesmente não costumamos ver em jogos da Nintendo, nem em games muito mais caros, como Super Mario ou Donkey Kong.
A história ainda é básica. Tem um malvadão e um governo vítima dele que contrata o grupo de mercenários da Raposa Estelar. O bacana é ver um pouco mais desses personagens, desde o jeitão paizão carinhoso do coelho Peppy até o metido babaca Falco. Aliás, me surpreendeu a idade que o jogo dá para os personagens, colocando Slippy, Fox e Falco entre os 18 e 19 anos, e apenas o Peppy com 40 e poucos. Essa turma viveu muito pouco antes de sair pipocando geral pelo espaço.
PIPOCANDO GERAL PELO ESPAÇO
Finalmente chegamos ao jogo em si. E ele está realmente lindo. A primeira fase em Corneria, especialmente, é um espetáculo de ver. O resto do jogo é bonito, mas o visual de todas as fases posteriores é menos idílico. Tem bastante espaço e tal, o que é legal, mas não tem o impacto de Corneria. As naves, explosões e efeitos, por outro lado, estão ótimos. Os chefes também são grandes e impressionantes, mas pecam em não ser mais tão claro saber onde você deve atacar. Eu fiquei por vários minutos em determinados chefes sem saber como progredir.
Apesar de ter um monte de cutscenes novas, Star Fox não parece ter mexido em absolutamente nada do gameplay. Coisas óbvias de qualidade de vida, que poderiam ser mexidas aqui, não foram. O mais incômodo é quando um de seus colegas de esquadrão te pede ajuda. Seus tiros continuam acertando o amigo com muito mais facilidade do que o inimigo que os persegue. Assim como fazíamos nos anos 90, o jeito é usar o tiro que trava a mira no desafeto, mas isso custa alguns segundos que, não raro, leva embora parte da barra de vida do miguxo.
DIFICULDADE
Na minha primeira campanha, eu joguei na dificuldade média. Consegui, sem tentar muito, avançar por um caminho que me colocou rumo ao final verdadeiro. Isso foi legal. O lado ruim é que minha segunda batalha contra o esquadrão Star Wolf foi um tremendo salto de dificuldade, a ponto de que eu tentei um número plural de vezes sem nenhum sucesso. Única e exclusivamente por causa dessa batalha, precisei mudar a dificuldade para o easy e abrir mão de tudo que destravei na campanha.
O jogo tem limites de vida, mas até onde posso perceber, há continues infinitos, pelo menos no easy e no normal. A diferença entre perder uma vida e usar um continue é que o continue te joga de volta no início da fase, enquanto a vida pode te colocar no checkpoint central. O que, aliás, é outra coisa que o remake poderia ter mexido. Ter apenas checkpoint central em uma fase, sem nem ter um antes do chefe, é desnecessariamente agressivo e datado hoje em dia.
Star Fox poderia ser melhor? Sim. Poderia ter mais coragem de mexer na qualidade de vida e no gamedesign do jogo que o inspirou. A boa notícia é que o jogo era e continua sendo uma maravilha, provavelmente um dos melhores on-rails shooters já feitos. Então para fãs do gênero, a diversão é garantida.




































