A “cultura de pai” anda na moda. Do padrão físico (o popular “corpo de pai”) a uma enormidade de histórias que mostram um sujeito, normalmente interpretado pelo Pedro Pascal, tomando conta de uma criança. Pragmata, a nova marca de Capcom, que muitos pensavam ser um novo Mega Man, é um destes. Mas tem algo que a diferencia de todas as outras histórias de pais: o pai aqui simplesmente ama ser pai. Vou dizer, me identifico bem mais com isso do que com o paizão relutante de histórias como God of War ou The Last of Us.
REVIEW PRAGMATA
E já que comecei o texto por aí, permita-me elaborar mais. Pragmata é um jogo que tem sua carne e batatas na relação entre Hugh e Diana. Ele é um astronauta que vai ajudar cientistas na Lua, mas não encontra ninguém lá. Ninguém, a não ser Diana. E ela é uma androide com cara e jeito de menininha que é simplesmente uma fofura. Ela é alegre, fofa e divertida. É impossível não gostar dela. E Hugh nem tenta. Pelo contrário, ele imediatamente começa a cuidar dela e a carregá-la nas costas, literalmente. Não demora para ele começar a fazer planos para o futuro de ambos quando ele voltar para a Terra e a levar a tiracolo. Será que isso vai acontecer? Você saberá jogando até o fim.
A principal diferença narrativa de Pragmata é justamente ele cortar totalmente a fase da relutância. Aquele ponto comum em histórias como essa em que o homem simplesmente se recusa a cuidar da criança. Aqui ele assume o papel de paizão imediatamente, e o jogo ganha com isso. Mas este felizmente não é o único ponto criativo do game.
HACKEANDO TIROS
O combate talvez seja o foco principal. E este é bastante inovador. De cara, Pragmata parece e controla como um TPS. Porém, seus tiros são fraquinhos enquanto você não hackear os inimigos. Esta ação é feita enquanto você mira para eles. Um painel aparece e você precisa movimentar o cursor através do caminho para chegar à bolinha verde. Você faz isso usando os botões da frente do controle,. No caminho, muitas coisas podem acontecer. Encostar em um node “proibido” falha a ação, mas várias outras casas podem aumentar o dano, esquentar o inimigo, espalhar o efeito para outros e assim por diante.

“Abrir” um inimigo o torna mais vulnerável a seus tiros. Você pode hackear, atirar, hackear e atirar. Ou jogadores mais habilidosos, dos quais eu não faço parte, conseguem danificar os meliantes das duas formas ao mesmo tempo. Gostaria de ser bom assim, mas parece impossível para mim mirar e atirar enquanto estou me movimentando por um labirinto.
SOULSLIKE
Pragmata não é um jogo extremamente difícil, mas sua tendência a copiar o gênero soulslike incomoda em sua babaquice. Em especial, os saves são no estilo fogueira. Cada save encontrado é um checkpoint e um teleporte. E as fases vão e voltam com atalhos que levam de volta aos saves. Porém, o jogo segue uma linha de um Bloodborne menos conveniente. Os checkpoints recuperam seus recursos, mas para isso acontecer, você precisa se teleportar para o hub. Você também precisa se teleportar para o hub para fazer upgrades, melhorias ou mesmo para conversar com Diana.
Tudo isso poderia e deveria estar num “menu de fogueira”. Ao invés disso, você precisa esperar um carregamento (felizmente rápido), se movimentar pelo hub para fazer suas modificações em várias áreas específicas do cenário e daí se teleportar de novo, o que envolve outro carregamento, para voltar ao checkpoint de onde saiu. É uma complicação simplesmente desnecessária.
Minha outra reclamação são os desafios, pequenas fases frequentes que envolvem objetivos como chegar ao final ou matar inimigos em X segundos. Isso é muito chato e, apesar de opcional, você vai precisar das recompensas para os upgrades, que são bem caros. E sem eles, mesmo no fácil o jogo se torna bem difícil.
AUDIOVISUAL
Tirando o intertítulo acima, no entanto, eu gostei MUITO de Pragmata. O audiovisual é lindo, e lembra em muitos aspectos, um Dead Space que não é de terror. Eu fico realmente impressionado com a Capcom conseguir fazer um visual deste naipe, colocar ray tracing frequente, e ainda fazer tudo rodar a 60 fps a maior parte do tempo. Porque sim, o alvo é 60 FPS mesmo no modo “priorizar resolução”, que basicamente é uma forma de desligar ou ligar o ray tracing. Eu gostaria que o jogo usasse mais cores, especialmente nos trajes de Hugh, cenários e inimigos, que são quase totalmente cinzas. Dito isso, este é um jogo muito bonito, que roda muito bem e aparenta ser muito caro.
Pragmata é um jogaço. Cá entre nós, eu mesmo tinha minhas dúvidas de quanto me divertiria precisando hackear antes de atirar, mas este se tornou um medo infundado. Na prática, foi um daqueles jogos que amei jogar, com um excelente combate, visual impressionante, e level design empolgante. Vai altamente recomendado para meus queridos delfonautas.



































