Tem duas formas de analisarmos Toy Story 5. A cínica é a que nos faz perceber que é dinheiro fácil, tanto nos filmes quanto nos brinquedos que eles vendem depois. E, portanto, estes filmes nunca vão parar de ser feitos. A outra é a parte artística do produto. Entender que, mesmo algo sendo feito exclusivamente para ganhar dinheiro, não é necessariamente ruim. E, quando falamos da Pixar, uma das melhores empresas de animação da atualidade, é quase certeza que eles vão fazer um bom trabalho. Assim, podemos até questionar as motivações por trás de um quinto Toy Story, mas é simplesmente impossível questionar suas qualidades. Pelo menos para mim.
CRÍTICA TOY STORY 5
Acredito que a motivação “vamos vender brinquedos” era forte desde o início. Mas a empresa encontrou uma fórmula excelente. Absolutamente todo mundo que já foi criança sabe que os brinquedos criam vida quando não tem seres humanos por perto. Criar filmes baseado nisso, na vida que os brinquedos levam quando afastados das suas crianças, é simplesmente genial.
A criança da vez é Bonnie, uma menininha muito fofa que, em vários aspectos, lembra minha própria filhinha. Ela tem dificuldade para fazer amigos, e logo descobrimos que isso se deve ao fato de as crianças de hoje em dia interagirem muito com telas. Falando como pai, sempre coloquei limitações no tempo de tela da pimpolha, mas vejo como ela fica entediada quando está sozinha e longe de uma tela. Ela gosta de brincar off-line, mas quando está com amigas, não tanto quando está sozinha. E é uma pena, porque é simplesmente muito bonito ver crianças brincando.
INTERLÚDIO: THE CHILDREN PLAY
Muita gente vê o heavy metal como um estilo de música feito por brucutus degenerados. Você sabe que eu sempre gostei do gênero e uma música que me conquistou desde a adolescência foi esta acima. Trata-se de uma balada da banda Heavens Gate que fala como é bonito ver crianças brincando. É uma letra da qual eu sempre me lembro quando vejo minha pimpolha brincando, e hoje é uma das músicas que mais gosto.
THEY ARE JOYFUL, THEY LIVE THEIR LIVES IN HAPPINESS
Equilibrar o tempo de tela e o tempo off-line é algo difícil, e a maioria nem tenta. Apesar da minha filha ter apenas oito anos, ela já tem amigos que têm tablets e celulares próprios. Sinto minha hipocrisia, considerando que fico quase o tempo todo na frente de uma tela, seja escrevendo no computador, vendo TV, cinema ou jogando videogame. E percebo também que Toy Story 5 foi um filme feito por adultos que, como eu, acham lindo crianças brincando. Como eu também, gostariam que seus filhos fossem menos dependentes de telas.
Assim, o filme conta sua história, dessa vez focada na “cauboína” Jessie. Claro, todo mundo aparece, e os clássicos Buzz e Woody têm uma historinha paralela, mas com bem menos tempo de tela dessa vez. E a Pixar continua forte. O filme é muito engraçado, de gargalhar mesmo. Mas também é capaz de colocar aquela maldita bola na garganta e tirar lágrimas de pessoas mais sensíveis – onde me encaixo. Tudo é feito com timing e qualidade exemplares. Todos os personagens, todas as cenas e situações, são extremamente fofas. É uma história sem vilões, onde é possível compreender as atitudes de todos. E também nunca fica triste por muito tempo. Sempre equilibra seu drama com uma ou duas piadas, que ficam ainda mais fortes quando você está segurando o choro.
TOY STORY 3 X TOY STORY 5
Por um lado, Toy Story 5 tem uma proposta bem semelhante à de Toy Story 3. Ou seja, mostrar crianças crescendo, e como isso afeta sua relação com os brinquedos. E você sabe, eu amo Toy Story 3. Neste momento, eu diria que Toy Story 5 é mais positivo. Enquanto o terceiro passa a ideia de que um dia as crianças se desinteressam pelos seus brinquedos, este demonstra que as coisas com quem a gente brincou quando pequeno têm importância em quem nós seremos quando adultos.
Ele também termina com um final feliz e fofo. Não um feliz agridoce, como a despedida em Toy Story 3, mas realmente feliz, com todas as colheres de açúcar que você consegue imaginar. Porque, no fim das contas, não nos cabe colocar telas e brinquedos como antagonistas, mas aprender que ambos podem conviver e assim permitir que nossos filhos cresçam saudáveis. E felizes. And we are responsible for their fairy tales.





































