Alguns jogos, especialmente os indies, buscam usar suas referências para criar algo novo. Outros, especialmente os endinheirados, se contentam em copiar o que já funcionou antes. Hollowbody não é endinheirado, longe disso. Mas para falar dele de forma não destrutiva, vamos levar em consideração que foi criado por grandes fãs de Resident Evil clássico. Assim, o objetivo dos nossos amigotes da Headware Games era emular o que a Capcom fez 30 anos atras.

É uma proposta semelhante à de Signalis, por exemplo. Porém, Signalis não abriu mão do que a indústria e os jogadores aprenderam em 30 anos. Hollowbody, infelizmente, parece uma cópia de Resident Evil que poderia estar no PS1. E já seria ruim nos anos 90.

REVIEW HOLLOWBODY

Não vou dizer que a Headware Games não aprendeu ou implementou nada. Os saves ainda acontecem apenas em alguns telefones. São poucos e os autosaves são praticamente inexistentes. Mas pelo menos você não precisa pagar e pode salvar nos telefones sempre que necessário, desde que escolha voltar até lá. O inventário também não é limitado, o que é uma mão na roda, e deixa a exploração bem mais agradável quando você não precisa escolher quais armas e itens levar. Tirando isso, é quase uma reinterpretação do clássico da Capcom. Mas é tudo de baixa qualidade.

Em nenhum lugar isso fica mais claro do que na câmera pré-programada. Sim, o jogo gostaria que você jogasse com ângulos fixos, mas estes são péssimos e ainda mais confusos do que nos survival horrors clássicos. Grande parte das vezes ele mostra a ação mais longe, mas continua seguindo atrás de você. Inclusive quando você corre na direção da câmera, ela fica confusa e tenta girar para pegar o personagem por trás. É bem mais negócio usar a câmera moderna, que dá controle total ao jogador. Ela ainda se confunde, e muda de direção sempre que você pausa, entra no inventário ou salva. Mas pelo menos você consegue olhar para onde quiser, sem precisar esperar o jogo se ajustar.

MAIS QUEBRADO

Outro problema que faz parte do gênero e aqui talvez esteja ainda pior é o combate. Mesmo com câmera em terceira pessoa, o jogo não deixa você mirar. Os controles foram pensados para você segurar o L2 para travar no inimigo mais próximo, e então apertar o R2 para atacar. O problema é que isso não funciona direito. Especialmente com as armas corpo a corpo, que você vai usar na maior parte do tempo. Com elas, a protagonista erra quase o tempo todo. Só dá para atacar com a mira travada, e às vezes, mesmo assim, a protagonista bate com sua arma do ladinho do monstro. Chega a dar raiva, especialmente porque quase todas as vezes que perdi vida foi por causa desse travamento quebrado.

Infelizmente, não é apenas no combate e na câmera que o jogo é ruim. Tem outras coisas que sempre foram ruins no gênero e continuam sendo, como as áreas interagíveis não terem destaque nenhum e você só saber se dá para interagir quando encosta nela e um ícone aparece. E os carregamentos, por Tutatis?

O jogo demora muito para carregar algumas telas e saves. Às vezes até mesmo subir uma escada ou passar por uma porta exige um carregamento de 30 segundos. Como um jogo com gráficos como Ghost of Yotei consegue fazer isso quase instantaneamente e este com visual de PS1 não consegue? E, sim, eu sei que Yotei tem mais dinheiro que Deus e isso faz diferença na otimização. Mas ainda assim, convenhamos que esperar 30 segundos em Hollowbody instalado num SSD é inaceitável.

SALVA PRA MIM?

Mas o mais chato mesmo é que o jogo não salva suas opções. Pelo menos esta versão de PS5 é ridiculamente escura. E sim, ela é ridiculamente escura mesmo colocando o brilho no máximo. Se você não fizer isso, o jogo fica simplesmente invisível. Só que ele não salva as opções, então você precisa arrumar isso – e coisas como a sensibilidade da câmera – cada vez que rodar Hollowbody. Nem os itens equipados ele é capaz de salvar, então prepare-se para ficar um bom tempo arrumando tudo nos menus cada vez que restaurar um save.

Eu gostaria de ser mais gentil com Hollowbody, mas simplesmente não foi dessa vez. Eu sempre espero gostar de um jogo que eu pego, especialmente algo que está dentro dos meus gêneros preferidos. Mas não dá para subestimar a importância técnica de um jogo.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
review-hollowbody-analiseDisponível: Windows, Xbox Series, PS5<br> Analisada: PS5<br> Desenvolvedora: Headware Games<br> Editora: Headware Games<br> Lançamento: 4 de fevereiro de 2024 (Windows), 4 de junho de 2026 (consoles)<br> Gênero: Survival Horror<br>