O querido delfonauta já ouviu falar de Psyvariar? Eu também não, mas não priemos cânico, pois DELFOS ao resgate. Psyvariar é uma série de dois jogos criados para arcades no início dos anos 2000. Eles ganharam versões para consoles, sendo a primeira para PS2 e a mais recente para PS4. Psyvariar 3 é uma continuação tardia, aparentemente desenvolvida sob encomenda pelos brasileiros da Banana Bytes.
REVIEW PSYVARIAR 3
Não posso falar pelos anteriores que não joguei, mas Psyvariar 3 é um daqueles jogos de navinha com cenários 3D que ficam dançando ao longo das fases. Particularmente, isso muito me apetece. Ele também faz juz a suas raízes de fliperama, com poucas fases e uma duração curta. A intenção, como sempre, é que você jogue várias vezes. Para conseguir isso, colocaram várias formas de jogo. Tem o arcade, um bullet hell mais tradicional, em que você precisa subir de nível e as balas vêm a rodo. Daí tem o arrange, em que você já começa com nível máximo e as balas são mais rápidas, mas em menor quantidade.
Os dois acima são os principais. Daí tem o modo treino, um de missões (tipo destrua todo mundo sem morrer) e um em que você tem dois minutos para fazer a maior quantidade de pontos possível. E, claro, tem leaderboards. Estes são os modos de jogo, mas como sempre a forma que Psyvariar 3 vai te convencer a jogar muitas vezes é limitando as vidas e aumentando a dificuldade. Você começa com apenas quatro continues, e vai ganhando mais quase toda vez que leva game over.
Na minha primeira partida, antes de saber disso, eu cheguei à última fase e fiquei muito frustrado de precisar jogar tudo de novo. Daí fiquei me matando uma pá de vezes para aumentar as minhas vidas antes de tentar de novo. Me matei até ter 15 continues. Terminei o jogo usando oito. Preferia que ele já tivesse continues ilimitados logo de cara, para facilitar minha vida e a sua, mas nós sabemos que os jogos em 2026 não são feitos para facilitar vida, mas para desperdiçar nosso tempo.
VARIANDO OS PSICÓTICOS
A mecãnica principal, embora possa ser desligada no modo arrange, é subir de nível. Para isso, você deve passar raspando nas balas inimigas, o que vai aumentar sua XP e fazer subir de nível mais rápido. A diferença entre qualquer uma das muitas naves no nível 1 e no 256 é absurdo. Aliás, mesmo nos primeiros níveis você já vai ver uma diferença bem grande nos seus tiros. Psyvariar é um bullet hell, mas é também um bullet heaven, pela quantidade de balas que você solta (não, ele não é semelhante a Vampire Survivors).
Eu gostei bastante da campanha e da jogabilidade, mas tem coisas em Psyvariar 3 que sofrem pela falta de explicação. O funcionamento desta mecânica é uma delas. Sim, você pode roçar nas balas inimigas, mas às vezes isso te mata. Tenho a sensação que está tudo ligado a um escudo. Roçar nas balas te dá XP, mas gasta seu escudo, e quando ele termina, você explode. Em outras palavras, você troca vida para subir de nível. Será isso mesmo? Sinceramente, não sei, mas é o que senti.
HUD PÉSSIMO
Outro problema é o próprio hud. Ele é muito ruim e confuso. Tem uma barra em cima da tela que parece aumentar conforme você ganha XP, mas ela vive mudando de cor entre vermelho, amarelo e verde, e não faço a menor ideia do que isso significa. Outro problema que tive é a quantidade de bombas.
Na parte de cima da tela tem um campo escrito “extra bombs“, com quadradinhos do lado. É lá, certo? Porém, durante boa parte do meu tempo com o jogo, não entendia porque minhas bombas não funcionavam mesmo tendo quadradinhos lá. Quando estava quase terminando o jogo, vi uns símbolos na parte de baixo da tela. Resolvi atirar uma bomba e voilá, um dos símbolos sumiu. Então minhas bombas são mostradas lá embaixo. Agora por que tem um campo chamado “extra bombs” lá em cima? E o que ele mostra? Ninguém sabe, e o jogo não quer explicar.
Uma coisa bacana é que, pelo menos na versão de Switch 2 (e imagino que também no Xbox Series e no PS5), dá para escolher entre um modo performance, a 1080p e 120 fps ou a um modo qualidade, a 4K e 60 fps. Isso é sempre muito bem-vindo, especialmente em jogos retrô como este.
PSYVARIAR 3
Os problemas que tive com Psyvariar 3 são dignos de um time com pouca experiência. Por um lado, a limitação de vidas que aumenta conforme você morre mais vezes, é uma simples repetição de algo que “sempre foi feito”, sem pensar no motivo ou mesmo se isso seria bem-vindo. Por outro, ele não te explicar o próprio funcionamento ou ter um hud mal pensado é um problema claro de alguém que ainda não desenvolveu jogos suficientes.
Assim, Psyvariar é um bom jogo, e diverte bastante no pouco tempo que dura. Porém, custando quase 100 reais nos consoles e ainda mais no PS5 (R$115), diria que ele está um tanto acima do que vale. Apesar dos problemas supracitados, diria que atualmente seu maior inimigo é o preço. Mas vale a pena pegar em uma promoção de uns 50% ou mais.






































