O delfonauta dedicado (high five!) sabe que eu me divirto com jogos de luta, mas dificilmente me aprofundo neles. Simplesmente fico cansado de aprender a jogar com um monte de personagens diferentes, inúmeros comandos de especiais, combos, agarrões e tudo mais. Pois Invincible VS é um jogo de luta realmente diferente. Ele é complexo, sim. Tem um monte de coisas para aprender. Tem um monte de reações diferentes que você pode fazer dependendo do que esteja acontecendo na luta. Mas ele tem uma barreira de entrada absurdamente simplificada, e uma que eu particularmente já tinha pensado em aplicar desde 1994.
REVIEW INVINCIBLE VS
Refiro-me ao fato de que dá trabalho aprender a jogar Invincible VS. Mas uma vez que você aprende, trocar de personagem é relativamente indolor. Não é o caso de que todos são iguais. Não são. Mas todos compartilham dos mesmos comandos. Todos têm as mesmas formas de ativar combos e especiais. Por exemplo, os especiais são ativados simplesmente apertando o X (no PS5). Você pode colocar para baixo, para trás ou para frente enquanto aperta o botão, e isso altera o especial. E cada personagem tem especiais diferentes, mas esta facilidade em decorar suas ativações é uma tremenda mão na roda.
Da mesma forma, os combos. Você pode ativar dois tipos de combos. Um basta apertar o quadrado repetidas vezes. O outro você precisa subir a força cada vez mais. Ou seja, golpe fraco, médio, forte e especial. Este combo funciona para todo mundo. Fácil de aprender, não? Isso tudo torna Invincible VS o jogo de luta mais acessível que eu já joguei, e isso o torna excelente. Mas vai além disso.
O próprio gameplay é bastante diferente. Em games como Street Fighter ou Mortal Kombat, pular e dar voadora é seu principal golpe. Voadora seguida de rasteira é um combo simples que funciona nos dois jogos com quase todos os personagens. Mas aqui pular não é um movimento overpowered. A maioria dos personagens não tem boas voadoras e o foco da porradaria acontece no chão mesmo. Na verdade, o foco da pancadaria é 90% combos. Inclusive, nas dificuldades maiores, estes combos do computador se tornam tão grandes que você fica cansado de esperar ele terminar de te bater para reagir. E sim, tem jeitos avançados de escapar de longos combos. Isso torna realmente importante aprender os pormenores do jogo, em especial as avançadas habilidades de quebrar combos.
INVENCÍVEL
E daí vem a licença. Este é, obviamente, um jogo de luta com personagens do gibi/desenho Invencível. Caso você não conheça, é uma paródia do gênero de super-heróis com violência extrema e é muito bom. Mas acredito que a maioria conhece. Boa parte dos personagens aqui são bastante conhecidos do desenho, com exceção de Ella Mental, que foi criada para o jogo. Você tem os óbvios, como os viltrumitas e, claro, Invencível e Omni-Man (este já apareceu até em Mortal Kombat). E daí tem Atom Eve, Rex Splode, Robô, Allen o Alien e vários outros heróis conhecidos. Minha surpresa é o Cecil, um simples humano que tem um papel importante na série, como o cérebro militar. Mas que simplesmente não tem condições de sair na porrada com absolutamente nenhum desses personagens. Achei curioso que tenham escolhido ele para ser selecionável e não, por exemplo, Angstrom Levy. DLC, talvez?

O jogo traz muito da violência e dos poderes do desenho, e consegue fazer isso de forma bem diferente de Mortal Kombat. Por exemplo, dá para matar seus desafetos, mas você faz isso através da própria luta, não com comandos de fatality específicos. Da mesma forma, tem alguns ataques absurdamente exagerados, como o super do Omni-Man, em que ele pega uma pedra enorme (de literalmente quilômetros) e a enterra nas fuças do inimigo.
HISTÓRIA
Talvez o ponto menos criativo de Invincible VS seja seu modo história, que é igualzinho ao de Mortal Kombat. São cutscenes muito bonitas, colocando um contexto na pancadaria. Inicialmente, para quem está acostumado com os desenhos 2D da Prime Video, pode parecer feio. Mas quando você se habitua ao visual 3D de videogame, elas estão bem bonitas. O lado negativo é que aparentemente elas rolam numa taxa de quadros baixa. Provavelmente a 24 fps, para emular filmes. Mas isso causa um estranhamento considerável, especialmente quando comparado ao gameplay que roda a 60 fps. É uma decisão estética que sinceramente gostaria de desativar, se pudesse.
A história propriamente dita é vendida como uma nova história de Invencível, criada especificamente para o jogo. E de fato ela é isso. Mas depois que a identidade do vilão é revelada, parece que a história fica a segundo plano. Tipo as últimas, sei lá, 10 lutas, não têm contexto nenhum, são apenas seus personagens lutando contra clones até o jogo dizer “pronto, a história acabou”. A graça desses modos de história é o contexto, a evolução dos personagens. E este jogo simplesmente abre mão disso para uma sequência de lutas com tanto contexto quanto o modo arcade. Daí eu, sinceramente, prefiro jogar o arcade.
Dito isso, Invincible VS é um excelente jogo de luta. Uma grande surpresa para mim e um título com potencial para desafiar um gênero que costuma se apoiar apenas em dois pilares (SF e MK). Não sei se isso vai acontecer, claro, mas vejo o potencial. E gostaria de ver mais criatividade no gênero. Você não?






































