O Castigo, co-produção chilena e argentina, tem uma sinopse muito forte. Depois de uma discussão pesada, um casal resolve abandonar o filho ao lado da estrada. A ideia é voltar um pouco depois, mas eles deixaram o filho num lugar desconhecido e saíram dirigindo. Negligência? Sem dúvida. É um castigo um tanto extremo. As coisas ficam piores quando eles finalmente voltam, e o pimpolho não está mais onde foi deixado. E agora?

CRÍTICA O CASTIGO

O Castigo é um filme um tanto chato. Apesar de ter menos de 90 minutos, ele tem história para no máximo metade disso. A primeira meia hora, por exemplo, consiste apenas nos pais andando pela floresta gritando o nome do Lucas. Lembra aquele meme do jogo Heavy Rain, “aperte X para Jason”, tirando sarro da cena em que o filho do protagonista desaparece e você sai em busca dele apertando o botão para chamá-lo? É literalmente isso. “aperte X para Lucas”.

A coisa melhora bastante quando a polícia finalmente é envolvida, pois finalmente o filme passa a ter diálogos. Em outras palavras, finalmente algo acontece além do que cabe na sinopse. Mas O Castigo é intencionalmente lento. Ele visa refletir todo o tédio de uma situação dessas, com uma cena longuíssima em que o casal fica no carro sem conversar enquanto a mulher fuma um cigarro, por exemplo.

O filme inteiro é filmado em um único plano-sequência, o que eu adoro. As atuações ficam ainda mais impressionantes quando você pensa que um erro depois de uma hora de filmagem faria começar tudo de novo. Sem checkpoints. Mais do que qualquer coisa, O Castigo é um filme de atores. E ótimos atores.

ÓTIMOS DIÁLOGOS

Assim, mesmo mais da metade do filme sendo facilmente cortado por ser entediante ou repetitivo, ele tem suficientes cenas fortes e envolventes que fazem com que você não se sinta jogando tempo fora. O diálogo final do casal, por exemplo, está entre as cenas mais fortes que já vi no cinema. É daquelas cenas que fazem você pensar na sua própria vida e nas suas relações sociais, sabe? E são poucos os filmes que conseguem isso, embora seja um objetivo relativamente comum.

Assim, O Castigo sai com uma recomendação delfiana, baseada em suas atuações fortes e sua temática angustiante. Nem toda sua duração funciona: tédio não traduz bem para a sétima arte. Mas quando funciona, funciona que é uma beleza.

REVER GERAL
Nota:
Artigo anteriorReview Reach (PS VR2): Uncharted VR
Próximo artigoReview Metroid Prime 4: um jogo de extremos
Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
critica-o-castigo-reviewDrama, Suspense<br> 86 min.<br> País: Chile / Argentina.<br> Direção: MATÍAS BIZE<br> Roteiro: CORAL CRUZ<br> Produtoras: CENECA PRODUCCIONES e LEYENDA FILMS<br> Produção: ADRIÁN SOLAR, ROCÍO GORT e IGNACIO REY<br> Direção de Arte: SEBASTIÁN OLIVARI<br> Fotografía: GABRIEL DÍAZ<br> Montagem: RODRIGO SAQUEL<br> Elenco: ANTONIA ZEGERS, NÉSTOR CANTILLANA. CATALINA SAAVEDRA, YAIR JURI<br>