Faz uns anos que eu percebi que não me divertia com o competitivo de Call of Duty, mas amava as campanhas. Daí eu comecei a fazer reviews exclusivamente das campanhas. Porém, eu nunca imaginei que um dia a série faria uma campanha mais sem vergonha do que a de Modern Warfare III. Pois cá estamos nós, com Black Ops 7.
Eu acabei de terminar a campanha quando sento para escrever isso, e estou irritado. Aliviado como se tivesse terminado algo trabalhoso e pentelho. E mais, neste momento, não tenho a menor vontade de jogar novamente esta campanha. Aliás, quanto mais longe dela o resto da minha vida passar, melhor.
Durante boa parte da minha jogatina, eu questionei se de fato esta era a pior campanha que um Call of Duty já cometeu. E digo, a de Modern Warfare III é um tédio, com fases chatas e sem inspiração, mas com algumas que demonstram quão boa uma campanha da série pode ser. A de Black Ops 7 talvez nunca alcance o nível de tédio do mundo aberto copy paste de Modern Warfare III, mas também nunca é cinematográfica nem cheia de adrenalina. Pior que isso, é uma campanha de Call of Duty que não tem absolutamente nada a ver com a série, a não ser a história, que é um pastiche de continuação para Black Ops II.
REVIEW CALL OF DUTY BLACK OPS 7
Black Ops 7 é uma campanha alucinógena. Permita-me ser mais claro: 90% do que acontece aqui é alucinação. Ou, em outras palavras, um sonho. Isso não é spoiler, você sabe disso desde o início. É uma campanha que se passa na cabeça do time após eles serem submetidos a uma droga alucinógena.
Por um lado, isso permite uma fantasia que a série não pode colocar. Tem monstros, tem zumbis, robôs, chefes gigantes. Em muitos aspectos, ela parece um Titanfall 3. Em muitos aspectos, tirando a qualidade. Isso porque a campanha inteira é um saco. Muito disso se deve ao fato de ela não ser single player, mas co-op.
Assim, mesmo que você não pague a Sony ou a Microsoft para jogar com outros seres humanos, precisa estar com o console conectado. Precisa passar por um matchmaking que, surpresa, não acha ninguém (afinal, sem pagar o jogo não tem permissão de te deixar jogar on-line). E não pode pausar. Pois é, até Call of Duty se rendeu à famosa babaquice do jogo sem pausa.
MAIS BABAQUICE
Pior que fica pior. A campanha até tem checkpoints. Extremamente espaçados e mal colocados. Porém, se você perder a conexão ou sair do jogo por qualquer motivo, precisará começar a fase inteira de novo. Pois é, o jogo não salva durante as fases. Além disso, por ser uma campanha pensada para co-op, os objetivos comumente envolvem fazer coisas que te tornam indefeso enquanto, supostamente, os colegas te defendem. Ou então ficar matando inimigos em uma área pequena. Você sabe bem como funciona a essa altura. Em matéria de objetivos e level design, a campanha co-op de Black Ops 7 está muito mais próxima de um World War Z do que de um Gears of War.
Mas sabe o que talvez seja a maior injúria? Ao contrário de absolutamente todas as campanhas de COD anteriores, se você jogar sozinho, ficará literalmente sozinho. Os outros personagens jogáveis aparecem nas cutscenes, mas não nas fases. Isso significa que mesmo os objetivos sendo pensados para multijogador, você precisa fazer tudo sozinho. Você nunca experimentou alegria extrema até precisar girar uma direção sozinho enquanto os inimigos te enchem de pipoco. Oh, diversão, delfonauta. Olha meu sorriso de orelha a orelha.
MUNDO ABERTO

A impressão que dá é que estamos jogando um mod de Call of Duty. Um que pega gráficos e mecânicas e transforma em um RPG de mundo aberto. Algo como Borderlands, completo com armas classificadas por cores de acordo com sua raridade. Um exemplo é que os inimigos não morrem mais com alguns poucos tiros, mas têm barras de vida. Alguns, verdade, morrem com um ou alguns poucos tiros na cabeça. Mas muitos outros inimigos são verdadeiras esponjas de balas. Aquele chefe que é um Michael Rooker gigante que vem viralizando na rede é um exemplo de um desafio que de desafiador não tem nada, mas que é chato e demorado para vencer, graças à vida do chefe que não termina nunca.
As fases se alternam entre as mais abertas e outras mais lineares. As mais abertas têm veículos, wingsuits e parecem inspiradas por Far Cry. Mas de novo, sem a qualidade. Você basicamente pega um carro e dirige até o waypoint, sem nenhum incentivo para explorar o resto do mapa. Na verdade, o único incentivo que essa campanha passa é o de terminar o mais rápido possível e nunca mais precisar voltar nela. A última fase, em especial, é tão irritante em sua colocação de checkpoints que eu sinceramente achei que, pela primeira vez na minha vida, não terminaria um Call of Duty. Ah, e veja só, além de não ter pausa mesmo jogando sozinho, não tem mais opções de dificuldade. Call of Duty realmente se rendeu à babaquice.
Ah, e sabe os troféus? Estão quebrados. Cheque meus troféus na PSN. Eu tenho o de terminar a campanha, mas não tenho um de passar por uma das fases anteriores, o que é literalmente impossível. Ele simplesmente não destravou quando deveria.
ALTÍSSIMOS VALORES DE PRODUÇÃO, MAS FALTA VONTADE E CRIATIVIDADE
O que mais me chamou atenção, no entanto, é que Call of Duty Black Ops 7 ainda parece ser um dos jogos mais caros do ano. Não apenas nos valores de produção, mas claramente é um jogo com artistas e sound designers que se esforçaram muito para fazer o melhor possível. O jogo é lindo e impressionante. Roda muito bem. E as cutscenes beiram o fotorrealista. Criar algo assim só é possível com uma combinação bem difícil de acontecer de talento absurdo com dinheiro quase infinito. É uma pena, no entanto, que tudo isso esteja a serviço de um jogo criativamente falido. Pior ainda, de uma quantidade de times absurda (veja as desenvolvedoras do jogo na ficha técnica) que é forçada a trabalhar em Call of Duty todo ano em detrimento de qualquer outra coisa que queiram criar.
O resultado acaba sendo um tanto óbvio. Times como a High Moon Studios e a Beenox têm talento, mas não têm mais vontade de trabalhar em um Call of Duty. É tipo o Charles Chaplin na fábrica. O resultado é que eles fazem o trabalho para o qual foram contratados, mas fazem isso sem vontade, sem criatividade, pela lei do mínimo esforço. E não me refiro ao esforço manual, pois este é claramente altíssimo aqui. Refiro-me ao esforço criativo, a tentar fazer um jogo que seja bom de jogar, pelo menos tão bom quanto os Call of Duty do passado.
É fácil dizer que a Microsoft estragou Call of Duty. Isso sem dúvida tem um fator de verdade, considerando como a série piorou nos últimos anos. Mas a verdade é que a Activision já tinha focado totalmente seus investimentos na série muitos anos antes de dar ruim. Sei lá, as mecânicas ainda são bacanas e o combate é gostoso, então acho possível que o multiplayer de Black Ops 7 ainda agrade os fãs da série. Mas pessoas como eu, que gostavam de Call of Duty única e exclusivamente pela campanha têm, pelo terceiro ano consecutivo, uma ótima desculpa para usar seu dinheiro e seu tempo em outros jogos.







































