Esta é a terceira vez que falamos de um novo filme do Superman no DELFOS. Antes vieram as versões do Bryan Singer e do Zack Snyder. Curiosamente, dos três Supermans de Hollywood nas últimas duas décadas, dois deles foram dirigidos e idealizados por pessoas que ficaram realmente famosas dirigindo filmes da Marvel. Sim, pois Superman é dirigido por James Gunn, que conseguiu transformar personagens desconhecidos como os Guardiões da Galáxia em heróis que até minha filha conhece. Parece relativamente fácil resgatar a popularidade de um dos maiores super-heróis desde Jesus Cristo, né? Pois venha ler nossa crítica Superman para descobrir se ele conseguiu de novo.
CRÍTICA SUPERMAN
Sim, ele conseguiu. Eu nunca vou esquecer quando assisti a Homem de Aço e cenas como aquele maldito assassinato me fizeram sair do cinema pensando que Zack Snyder não entendia o herói que estava adaptando. Como falei na resenha que escrevi na época, o Superman é o herói clássico, o escoteiro azul, a personificação da esperança e do que há de bom na humanidade. Se você quer fazer um anti-herói ou um personagem que mata, licencie o Justiceiro.

E Superman, este filme de 2025, segue bem nesta linha. O Superman falha, claro, mas sempre tem boas intenções. “Punhos de aço, coração de ouro”, como o Kazuma Kiryu foi definido pelo Astro Bot. Sim, isso define os dois personagens muito bem, e cada vez mais estou gostando disso. Minha juventude marrenta em que eu gostava do Wolverine ou do Raphael agora dá lugar para o Ciclope, o Leonardo e, claro, o Superman. O filme pode até ser inocente e você pode acusá-lo de não ter personagens tridimensionais, mas é assim que um filme do Superman deve ser, caramba!
O Lex Luthor é um exemplo disso. O que Superman tem de altruísta, Luthor tem de individualista. Simplesmente não dá para gostar do Luthor, pois nenhum dos seus objetivos beneficia qualquer um além dele. É até estranho que tenha tanta gente trabalhando para ele, mas até aí, o Elon Musk e o Zuckerberg também têm. A humanidade se divide entre aqueles que fazem o bem, os que fazem o mal, e os que não se importam em fazer o mal, desde que sejam minimamente pagos por isso. E minimamente eles são, já que o grosso do dinheiro sempre vai para forrar os bolsos já massivamente forrados.
SUPERMAN É UM FILME LEVE

Já dá para perceber de cara que Superman terá um tom bem leve. Embora ele comece com o herói machucado e quase desmaiado, a aparição de Krypto, um cachorro fofinho e empolgado, de capa vermelha, já arranca “óuns” e sorrisos imediatamente. Se você conhece o conjunto da obra do James Gunn, no entanto, pode esperar que teremos uma comédia, como O Esquadrão Suicida ou a série do Pacificador, mas não é o caso. Superman é leve, mas é um filme de super-heróis mais tradicional, como o próprio Superman de Richard Donner. Bryan Singer homenageou o herói imortalizado por Christopher Reeve em Superman O Retorno, mas James Gunn o trouxe para a modernidade, mantendo o que tornava aquela interpretação do herói especial.
ISRAEL E PALESTINA
Como crítico de cinema, que analisa o filme pelo que ele é, não como deveria ser, minha principal crítica vai para o ator que faz o Lex Luthor. Não que Nicholas Hoult seja um intérprete ruim, mas ele é simplesmente muito jovem para o personagem. E não estou nem comparando com o Luthor do gibi ao dizer isso, mas ao fato de que ele é aqui um empresário muito famoso, que aparece na TV e tem conexões no governo, algo que é difícil de engolir se ele não tem nenhuma ruga no rosto.
Também percebi referências claras ao conflito entre Israel e Palestina nos dois países fictícios que centralizam o conflito político do filme. Um deles tem um monte de armas poderosas vendidas por Luthor, enquanto o outro é composto por pessoas marrons desarmadas. Fico pensando se os produtores da Warner perceberam este subtexto, considerando que Hollywood é altamente pró-Israel. Vai ver para eles o Luthor é o herói do filme, vai saber. Mas o subtexto está lá, não é uma interpretação forçada perceber isso.
Talvez se tivesse saído em 2005, quando super-heróis no cinema ainda eram novidade, eu concedesse o Selo Delfiano Supremo a Superman. É um bom filme, um que certamente vou querer ver outras vezes quando chegar ao streaming, mas a fadiga com o gênero é forte. Isso é um problema meu, especificamente, e o pecado dele neste aspecto talvez seja ter saído tarde demais. Dito isso, é muito difícil imaginar um filme do Superman melhor do que este sendo lançado em 2025.




































