Guardiões da Galáxia

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Só para o delfonauta ter uma ideia da surra que a Marvel Studios está dando na DC/Warner: enquanto a casa do Batman e do Superman não consegue botar nos cinemas medalhões do calibre da Mulher-Maravilha e do Flash, a Marvel estreia um longa protagonizado por uma árvore e um guaxinim! E o faz com extrema competência, deixando mais uma franquia prontinha para ser explorada.

Guardiões da Galáxia sem dúvida era a aposta mais arriscada da casa das ideias, um grupo de personagens completamente desconhecido, ignorados até pelos fãs mais hardcore. Eu, que acompanhei de perto os títulos da editora no final dos anos 80 e durante toda a década de 90, nunca havia ouvido falar de nenhum dos caras que formam este grupo. E creio que o público médio frequentador de cinema, que nunca abriu uma HQ na vida, menos ainda. Só por aí já dá para ter uma noção do tamanho da aposta.

Fora que abre também o escopo para uma aventura cósmica, totalmente passada fora da Terra, apresentando mais uma enorme batelada de personagens e conceitos que não havíamos visto antes nos cinemas. Sai assim do terreno já explorado e comprovado para testar a receptividade a novos ares.

Se isso vai dar dinheiro ou não, apenas as próximas semanas dirão, mas que o pessoal da Marvel Studios e o diretor James Gunn fizeram um baita filme divertido, um blockbuster de verão de responsa, isso já posso lhe afirmar. Ao menos no quesito qualidade, o longa cumpre bem com as expectativas.

STAR LORD, MAN!

Antes de falar um pouco mais sobre ele, tiremos a sinopse da frente. Tudo começa com Peter Quill roubando um orbe num planeta deserto. Acontece que Ronan, O Acusador, deseja o objeto para poder destruir o planeta sede da Tropa Nova porque aparentemente ele não vai com a cara deles.

Muitas confusões acontecem e Quill conhece pelo caminho Gamora, Rocket (chamado nas legendas de Rocky), Groot e Drax, O Destruidor (e a partir desse momento quero passar a ser chamado como Cyrino, O Galanteador). Essa turma de desajustados terá de botar suas diferenças de lado e se unir para evitar a destruição da galáxia. E provocar mais umas confusões enquanto isso.

Enquanto assistia ao longa, duas coisas me eram mais aparentes. A primeira é o climão de Star Wars que esse negócio consegue passar. Mais especificamente do Episódio IV, quando era tudo novidade e íamos sendo apresentados a diferentes mundos, alienígenas e veículos fantásticos. Esse mesmo feeling permeia toda a projeção de Guardiões da Galáxia e alguns momentos até mesmo parecem homenagens a Uma Nova Esperança (tem até uma cena num bar que lembra muito a da cantina em Mos Eisley).

A segunda coisa que me veio à mente é que este é o filme que o longa do Lanterna Verde deveria ter sido (potencial, certamente tinha). Você sabe, se ele tivesse sido feito como se deve. Todo um novo universo espacial cheio de seres diferentes capazes de render uma elaborada mitologia.

I AM GROOT

Todos os muitos elementos são bem apresentados de uma forma que não ficou didática e nem atrapalhou o andamento da trama, ainda que alguns outros lugares-comuns de filmes de origem sejam inevitáveis, mas mesmo esses conseguem ser bem divertidos, fazendo-nos relevá-los totalmente.

Toda a ambientação, os cenários, figurinos e maquiagens são de encher os olhos e também a tela, visto que há detalhes pra caramba, e às vezes deu vontade de ficar olhando só para o fundo da cena, para ver os aliens esquisitões e os detalhes arquitetônicos dos locais.

Mas claro que também há ação a rodo, e muito bem filmada, com direito a porrada, tiroteios e batalhas espaciais. Nesse departamento certamente ninguém ficará insatisfeito. Principalmente porque temos aqui um guaxinim falante empunhando uma metralhadora. Se isso não é o suficiente para levar alguém ao cinema, eu não sei mais de nada.

Contudo, a alma do longa é mesmo seu humor. Impressionante como a Marvel dominou essa fórmula dos longas de ação extremamente bem-humorados. Esse aqui talvez seja o mais engraçado até aqui, cheio de situações e tiradas espertas. A graça está, sobretudo, nos diálogos dignos de sitcoms, capazes de gerar muitas gargalhadas.

Nesse sentido, ponto para o Peter Quill de Chris Pratt, extremamente sarcástico e com ótimas referências a elementos terráqueos. E também para Rocket e Bradley Cooper, que parece se divertir a valer emprestando sua voz para o guaxinim badass e sem noção. E embora estes sejam os destaques, todos os outros também garantem seus momentos de tirar risadas do espectador.

Há também o ótimo uso da trilha sonora, representada na fita que Peter ouve em seu walkman (o awesome mix), com as canções de diferentes estilos casando muito bem com as cenas onde são ouvidas. Fora que dão um ar bem pop e familiar a um longa que se passa bem longe do nosso planeta.

WHAT A BUNCH OF A-HOLES

De ruim mesmo, só há uma coisa que me incomodou no longa, e foi o excesso de sentimentalismo em determinados momentos. Coisa melosa de novela mesmo, que simplesmente não combina com o tom debochado e alegre da película. A sequência de abertura, por exemplo, poderia cair fora fácil sem fazer falta alguma. E há alguns outros momentos mais vitais, mas que chegam a resvalar na vergonha alheia.

Essas partes puxadas para “os alienígenas também amam” foram o suficiente para fazer o longa perder o cobiçado Selo Delfiano Supremo, mas mesmo com esse porém, ainda contém mais diversão do que eu esperava encontrar. Fora que ainda por cima parece estar armando algo verdadeiramente épico para as próximas fases da Marvel no cinema.

Guardiões da Galáxia é a surpresa positiva do ano até aqui. Não sabia o que esperar deste filme antes de vê-lo e fui recompensado com um dos exemplares mais legais da Marvel Studios, podendo ser colocado lado a lado com Os Vingadores e Capitão América 2, aqueles que eu considero seus melhores trabalhos. Sendo assim, é seguro ressaltar novamente que, ao menos em termos de qualidade, a aposta foi mesmo certeira.

Como a resenha está entrando com antecedência (de nada, delfonauta ansioso), não custa lembrar: o longa estreia em todo o Brasil no dia 31 de julho.

CURIOSIDADE:

– O longa tem a cena de praxe após os créditos, mas desta vez (como já aconteceu algumas outras vezes) ela não foi exibida para os jornalistas. A assessora de imprensa na cabine disse que não mostrá-la à imprensa foi uma determinação do diretor James Gunn. Mas mesmo assim, sacanagem.

LEIA TAMBÉM AS RESENHAS DOS FILMES QUE LEVARAM A ESTE MOMENTO:

Homem de Ferro – Onde tudo começou.
Homem de Ferro 2 – Agora com ainda mais Tony Stark.
O Incrível Hulk – Até por favelas cariocas o gigante esmeralda passou.
Thor – E não é que o deus do trovão é meio fanfarrão?
Capitão América: O Primeiro Vingador – Apresentando a última peça que faltava na fase 1.
Os Vingadores – The Avengers – O filme de super-heróis mais esperado da história.
O Hulk de Ang Lee – Não faz parte da história, mas, ei, é o Hulk!
Homem de Ferro 3 – Has he lost his mind? Can he see or is he blind?
Thor: O Mundo Sombrio – A fanfarronice está de volta.
Capitão América 2: O Soldado Invernal – O Sentinela da Liberdade está de volta. E dessa vez é pessoal.

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