Venom – Metal Black

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O delfonauta quer saber de uma coisa que me envergonha? Eu praticamente não conheço o trabalho do Venom. Nunca ouvi os clássicos Welcome To Hell, Black Metal e At War With Satan. Triste, não? Eu tenho o disco Resurrection, de 2000, mas para ser sincero não gostei dele. Porém, entretanto, contudo e todavia, eu sou um grande fã de uma banda que estava pau a pau com o Venom do começo de carreira, que é o Celtic Frost. As duas bandas são reconhecidas como as fundadoras do Black Metal, um dos meus estilos favoritos.

Bom, embora eu já tenha dito que não conheço os primeiros e mais importantes discos do Venom, sei que, assim como o Celtic Frost, os músicos não são reconhecidos pela técnica, e sim por uma coisa muito mais importante e que anda faltando bastante nos discos de hoje: o feeling. Morbid Tales e To Mega Therion, os dois primeiros do Celtic Frost, têm isso de sobra, e eu dou minha cara a tapa se os primeirões do Venom também não têm.

Coincidentemente (ou não, vai lá saber), tanto o Venom quando o Celtic Frost lançaram discos novos em 2006 após um longo hiato. Aí o delfonauta pergunta: valeu a pena esperar? Ficarei devendo a resposta sobre o Frost e posso dizer que sim para o Venom, mas fica a ressalva – esta opinião, mais do que qualquer uma que eu já tenha dado aqui, é extremamente pessoal.

Digo isso porque a mídia especializada não foi muito boazinha com este disco. “Fraco”, “desnecessário” e “irrelevante” foram alguns dos adjetivos que mais li quando procurei resenhas na época do lançamento, e isso, juntando com o fato de eu não ter gostado do Resurrection, fez com que eu corresse do disco. Acabei só ouvindo o dito cujo por conta do promo que o DELFOS recebeu.

Primeiro vamos falar da capa: é muito legal, e parecidíssima com a de Black Metal. Ganha uns pontos por retratar o Sr. Pé-de-Bode dentro de um pentagrama. Não dá para ser mais Metal que isso. O logotipo do Venom também é muito legal.

Aí você abre a caixinha, coloca o CD para tocar, e o que é a primeira coisa que você repara? “Onde diabos foi parar a produção do disco?”. Sim, este negócio aqui poderia ter sido gravado no começo dos anos 80, pois é exatamente como ele soa. A produção tosca é uma das coisas mais criticadas pela mídia, mas a mim não incomodou nem um pouco, porque achei que contribuiu para a atmosfera do disco.

Não falei ainda da formação da banda: Conrad “Cronos” Lant é o baixista e vocalista, além de ser o único membro original. O baterista é Antony “Antton” Lant, irmão de Cronos, e Mike “Mykvs” Hickey é o guitarrista. Deixe eu pensar aqui… Hmm, acho que não vou falar deles individualmente, até porque para ser sincero nenhum me chamou a atenção. Vamos pro disco, que é o que importa.

A primeira música, Antechrist (acho que era para ser Antichrist, mas…), é uma porrada sujona com um riff bem no estilo do Motörhead, influência assumida do Venom. Perfeita para abrir o disco, e uma das minhas músicas preferidas dele. A porradaria continua com Burn In Hell (nope, não é cover do Twisted Sister). Rock n’ Roll de primeira, riff simples e pegajoso, do jeito que eu gosto.

House Of Pain diminui um pouco o passo, e é uma das músicas mais chatinhas. Na seqüência vem Death & Dying, um pouco mais rápida, mas não tão legal quanto as duas primeiras. Felizmente Rege Satanas, a próxima, retoma o espírito da coisa.

Darkest Realm tem umas mudanças de tempo interessantes, e um solinho bem bacana de guitarra. A Good Day To Die, a próxima, também é bem Motörhead. Outra das minhas preferidas, aliás. Assassin, Lucifer Rising e Blessed Dead continuam no bom e velho espírito do Rock ‘n’ Roll sujão. Pô, na minha reles opinião, nem dá para criticar a produção, pois ela combina muito com o espírito do disco.

A próxima, Hours Of Darkness, tem um riff bem trabalhado, coisa que eu nem esperava. Música muito caprichada. Sleep When I’m Dead é uma das mais rápidas e pesadas do disco. Maleficarvm é outra bem bacana e cheia de feeling, e o disco fecha com Metal Black, a melhor. Eu repeti essa música umas cinco vezes seguidas de tanto que gostei. Sério! “We’re raising Hell and you know that it’s right“. Dá para bater um verso desses? Acho que não, né?

Recomendo o disco, mas vou especificar para quem eu recomendo: para pessoas que gostam de um Rock ‘n’ Roll bem cru e com bastante feeling. Não tem nenhum Yngwie Malmsteen aqui, nenhum Tobias Sammet desmunhecando e muito menos uma produção cristalina estilo Opeth. Esse disco é para os maus, feios e sujos.

Esse leva quatro Alfredos e meio (perde meio ponto porque não fui muito com os córneos de House Of Pain e Death & Dying). É, eu sou true o suficiente para cortar um dragão ao meio quando preciso. Viu o porquê de eu ter gostado desse disco?

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