Transformers

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O mais legal do nosso Especial Transformers é que você não precisa se transformar em nada para ler tudo:
Transformers – O Filme: o longa-metragem animado dos anos 80.
Top 5: Transformações inusitadas para um robô gigante: Já pensou um robô que vira uma ruiva com bacon?

Mano, a UIP dessa vez se superou em sua pãodurice. Convenhamos, eles têm Shrek, King Kong e este Transformers, ou seja, não são um estudiozinho de fundo de quintal, carente de infraestrutura ou de grana. Digo isso porque, ao contrário das outras que vivem dando presentinhos para todos os jornalistas nas cabines, a UIP sempre sorteia para uns poucos. Ok, eu não vou à cabine para ganhar brindes, mas se for distribuir algo, que tenha para todos, certo? Chegaram ao cúmulo até de sortear uma fita crepe um dia! O mais patético é ver as pessoas desesperadas para ganhar (e são sempre as mesmas).

Até aí, fazer o quê? São brindes e tal, nada essencial. Só que nessa cabine eles sortearam um Presskit! Cacilda, sortear um presskit chega a ser ofensivo. Era um pacotinho especial, que tinha um caderno e outras coisinhas, mas como que eles sorteiam um CD com imagens do filme? Isso é essencial para qualquer veículo! Aliás, a UIP é a única distribuidora que não dá esse material nas cabines, e justamente por causa disso seus filmes são os que têm menos imagens promocionais espalhadas por aí. Fazer o quê, né? Economizam alguns centavos no CD de imagens e acabam perdendo espaço que é ocupado pelos outros estúdios que trabalham direito. Mas vamos ao filme.

Robôs gigantes se digladiando? Hell, yeah! Poucas coisas são mais legais do que isso. Só que, ao mesmo tempo, sempre achei a idéia dos Transformers meio idiota. Pô, se eles são alienígenas, não é um pouco forçado demais que eles virem carros terrestres, com marca e tudo? Pelo que entendi do filme, eles não são limitados a carros, mas robôs transmorfos que podem se transformar em qualquer máquina que quiserem. Portanto, eles imitam os carros que vêm por aqui. Ah, tá, faz mais sentido.

O filme começa também de forma um tanto sem sentido, com uma mistureba de gêneros de fazer inveja a A.I.. Primeiro, parece um filme de guerra comum. Daí o exército da base é atacado por um robozão. Pronto, esse assunto morre aí por um bom tempo e somos apresentados a Sam, um moleque que está indo com o papai comprar seu primeiro carro. Obviamente, o carro que ele pega não é um automóvel qualquer.

Sam é um daqueles nerds isolados do resto da escola e apaixonado pela gostosinha que só dá bola para os atletas. Mais clichê impossível. Com o carro novo, ele ganha mais confiança para chegar na guria, mas o veículo começa a se comportar de forma estranha, levando-os para locais com paisagens românticas e tocando músicas sexuais no rádio sem ninguém ter mexido nele. Pois é, parece até um filme do Herbie. Paralelamente, uma terceira história mostra uma mina que está tentando evitar que o sistema de dados estadunidense seja invadido por uma tecnologia desconhecida.

Eventualmente, claro, essas três histórias vão se encontrar e culminar numa intensa batalha de robôs gigantes contra robôs gigantes, só que essa indecisão de gêneros prejudica a condução da história, pois vai de comédia romântica para Testosterona Total para ficção científica de uma hora para a outra.

Para piorar, tirando a primeira cena, que mostra o robô contra o exército, demora muuuuito tempo até qualquer Transformer dar o ar de sua presença. Pelo menos uma hora para vermos um deles de relance. E a história só começa a entrar nos eixos quando o Optimus Prime aparece, o que acontece depois de cerca de uma hora e meia de filme. Agora tenho que admitir, a cena em questão (que é a apresentação dos Autobots e da história em geral) é maravilhosa.

Também não dá para colocar defeitos no visual. Todos os Transformers estão perfeitos e incrivelmente reais. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de suas personalidades. Tudo bem, o Optimus, o Bumblebee ou o Megatron estão bem legais, mas aquele Jazz é irritante. Eu não me lembro do desenho, mas sério mesmo que a cota para negros chegou até em robôs gigantes? Não me refiro à cor dele, mas à sua forma de falar. Enquanto todos falam de forma extremamente formal e mecanizada, o tal de Jazz fala coisas como “Wazzup, bitches?”, o que não faz sentido nenhum e, a meu ver, é até degradante para a raça negra.

Aliás, falando em cor, um pouco mais de variação cairia bem. Tirando o Optimus e o Bumblebee, praticamente todos os outros robôs são da mesma cor (sem falar que são parecidos uns com os outros). Numa cena de diálogos, tudo bem, mas na hora da porrada (sobretudo na longuíssima batalha final), é simplesmente impossível saber quem é Decepticon e quem é Autobot. Ou seja, você vê máquinas sendo despedaçadas e nem sequer sabe se o presunto é herói ou vilão.

Também não podia deixar de citar uma cena que é deveras engraçada pelo seu absurdo. Em determinado momento, um dos robôs dá um soco em um prédio. Ok, o normal seria o prédio desabar ou algo do tipo, mas não, o prédio EXPLODE! Ok, eu sou completamente a favor de explodir coisas no cinema, mas pelo menos vamos tentar explodir algo que faça sentido, né?

No final das contas, Transformers é um filme legal, mas meio arrastado demais. Demora muito para chegar ao que interessa e nesse meio tempo você pode até esquecer que está assistindo a um filme sobre robôs gigantes, o que é uma pena. Vale pelo desbunde visual e pelos orgasmos nerds que proporciona ao vermos os brinquedos que alegraram as nossas infâncias se mexendo na tela como faziam na nossa imaginação. Como filme, contudo, renderia mais. Muito mais.

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