Thor: O Mundo Sombrio

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Admito que só assisti ao primeiro Thor por pura “obrigação nerd”, pois acho o personagem nos quadrinhos um porre de tão chato. Acabei gostando do que vi, muito por causa do tom abertamente humorístico adotado. Por isso, estava com uma boa vontade muito maior para assistir a Thor: O Mundo Sombrio.

E creio que, depois de Os Vingadores, estava todo mundo esperando filmes solo ainda melhores de seus integrantes. Bom, Homem de Ferro 3 decepcionou e a nova aventura do deus do trovão, infelizmente, segue pelo mesmo caminho. Mas antes de explicar porque, convém tirar a sinopse do caminho.

ELFOS PODEM SER AMEAÇADORES

Dessa vez a ameaça vem na forma dos elfos negros comandados por Malekith, antigos inimigos dos asgardianos. Eles estão atrás de uma fonte de poder chamada éter para, adivinha só: destruir o universo, é claro! Thor vai ter trabalho para detê-los, e para piorar, Jane Foster acaba, inadvertidamente, se transformando na hospedeira do poder almejado por Malekith. Daí teremos muitas confusões da pesada e também o fim da sinopse. Até que foi rápido.

O primeiro problema do filme está ligado diretamente ao que você leu no parágrafo acima. A história é bastante genérica, sem um pingo de criatividade. É como ler uma HQ ruim. Os personagens e o potencial estão lá, mas acaba-se fazendo apenas aquela encheção de linguiça básica, tão típica das revistas mensais.

Para piorar, grande parte do filme, em especial o começo, é insuportavelmente chata e muito, mas muito arrastada. Para você ter uma ideia, o negócio estava tão entediante que não consegui evitar e dei uma viajada forte. Minha mente divagou tanto nos minutos iniciais que simplesmente perdi partes importantes da história por pura falta de atenção. Por sorte, isso não é Cidadão Kane, e depois que minha forma astral voltou para a sala de exibição, consegui entender numa boa o que estava acontecendo. A saber: nada de interessante.

Convenhamos, um filme que já começa incapaz de prender a atenção do expectador não é bom sinal. Mesmo essa primeira hora privilegiando mais a ação do que o humor, que continua presente, porém em doses mais contidas, ainda assim estava duro de aguentar. Parecia um Fúria de Titãs que por acaso era estrelado pelo Thor. Genérico ao extremo.

Ainda bem que as coisas melhorariam muito após a segunda metade, e, sobretudo, mais para o final. E graças a dois fatores que abordarei nos próximos parágrafos.

MARTELO DOS DEUSES

O primeiro fator atende pelo nome de Loki. É quando o personagem entra na história pra valer que ela finalmente pega no tranco. E ele é, sem dúvida, o grande personagem do filme. Eu definitivamente virei fã do cara. Não é nenhum exagero dizer que se ele fosse novamente o principal vilão do longa (ao invés do insosso Malekith), a qualidade melhoraria horrores. Infelizmente, ele aparece bem pouco, mas toda vez que dá as caras, a película fica bem mais bacana.

O outro fator é justamente a fanfarronice que desagradou uma boa parcela do público no primeiro Thor. Como disse alguns parágrafos acima, a metade inicial privilegia mais a ação à comédia. À medida que o filme avança, contudo, o humor vai tomando conta cada vez mais, até virar quase uma sitcom, de tantas piadas que vão surgindo. E não só elas são hilárias, como levantam o longa que andava bem caído.

Novamente Loki rouba a cena, como um dos mais engraçados, seja nos seus truques ou nas suas respostas sagazes. Há ainda uma participação especial numa de suas cenas totalmente inesperada e de arrancar gargalhadas. O outro destaque humorístico fica por conta do Dr. Selvig, completamente lesado após os acontecimentos de Os Vingadores. Não é exagero dizer que essa fanfarronice marota da segunda metade salva o filme, e junto com a presença de Loki, são os principais responsáveis por elevar os Alfredos da nota de dois para três.

Fãs mais hardcore novamente podem ficar chateados pelo filme ter se transformado numa comédia. Eu não sei quanto a você, mas eu prefiro muito mais dar umas boas risadas no escuro do cinema do que morrer de tédio como aconteceu durante todo o começo.

No mais, toda a galerinha do elenco do primeiro volta a dar as caras aqui, exceto o agente Coulson, que anda ocupado em Agents of S.H.I.E.L.D. E ainda há novos personagens. Até o Roy, do The IT Crowd, aparece para fazer uma graça.

A direção é genérica. Competente, mas sem qualquer estética mais elaborada. Pelo menos que eu me lembre, não usa nenhum ângulo de câmera entortado em diagonal (conhecido como “holandesa”) como Kenneth Branagh cansou de fazer no longa anterior. Nossos pescoços agradecem.

Tenho uma reclamação quanto ao som, o qual achei excessivamente alto e mal mixado, mas tenho quase certeza que isso foi um problema de regulagem do sistema de som da sala e não do filme em si. Quem assistir, comente se achou alguma coisa estranha nesse departamento ou não.

PELO OLHO DE ODIN

Thor: O Mundo Sombrio é um filme que durante boa parte de sua projeção caminhou para ser apenas mais um filme nada. Foi salvo por um excelente personagem interpretado por um ator (Tom Hiddleston) que claramente se diverte horrores ao interpretá-lo. E também pelas ótimas piadas que apareceram na marca do pênalti para salvar o dia, tornando-o um longa apenas razoável. Merece ser visto no cinema, por conta dos muitos efeitos visuais (embora eu não recomende o 3D, pois não há nada de muito vistoso nele), mas quanto menos expectativa você tiver, melhor.

Já a Marvel, após uma excelente primeira fase cinematográfica, começou muito mal sua chamada Fase 2, com o pior dos três filmes do Homem de Ferro e com esse segundo Thor sem pegada. O jeito agora é depositar as esperanças no segundo filme do Capitão América, cujo trailer passou antes da sessão e parece ser bem legal. A conferir.

CURIOSIDADE:

– Temos duas cenas escondidas aqui. A primeira, durante os créditos, é muito legal e importante para o que vem por aí. Já a segunda, após o final dos letreiros, é bem boba e não presta pra nada.

LEIA TAMBÉM AS RESENHAS DOS FILMES QUE LEVARAM A ESTE MOMENTO:

Homem de Ferro – onde tudo começou.
Homem de Ferro 2 – agora com ainda mais Tony Stark.
O Incrível Hulk – até por favelas cariocas o gigante esmeralda passou.
Thor – e não é que o deus do trovão é meio fanfarrão?
Capitão América: O Primeiro Vingador – apresentando a última peça que faltava na fase 1.
Os Vingadores – The Avengers – o filme de super-heróis mais esperado da história.
O Hulk de Ang Lee – não faz parte da história, mas, ei, é o Hulk!
Homem de Ferro 3 – Has he lost his mind? Can he see or is he blind?

Galeria

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.