The IT Crowd

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Assim como a maioria dos delfonautas, tenho uma profunda admiração pelo humor nonsense, em especial se vier da terra da Rainha Elizabeth, aonde o estilo costuma ser muito exagerado. Se você é um delfonauta dedicado, já deve ter lido aquela resenha super legal sobre Father Ted (e, se não o fez, eu recomendo), a desconhecida sitcom preferida do Corrales. The IT Crowd é uma sitcom britânica do mesmo criador, Graham Linehan, e, embora eu não possa compará-la tão bem a Father Ted, já que dessa só assisti a alguns episódios (infelizmente), posso dizer que é uma série mutcho louca também.

Maurice Moss (Richard Ayoade) e Roy Trenneman (Chris O’Dowd) trabalham em um departamento de tecnologia de informação das indústrias Reynholm (daí o nome, The IT Crowd) quando recebem uma nova chefe, Jen, que não entende absolutamente nada sobre computadores. Cada episódio acompanha um dia básico na vida deles (geralmente no local de trabalho) e, quando você menos espera, o nonsense toma conta. E o legal é que metade do tempo a série é uma comédia “normal” e os momentos malucos dão um contraste muito engraçado.

A série começou em 2006 e, em 2011, era para chegar à sua quinta temporada, mas, infelizmente, ela foi cancelada. Felizmente, haverá um especial em 2012, e talvez até um filme depois (!), embora eu não bote muita fé nisso.

Diferente das séries estadunidenses, The IT Crowd tem seis episódios por temporada, o que é positivo, porque a qualidade é mantida em todos, mas ruim porque provavelmente você vai querer muito mais do que isso.

Em algumas partes, ela lembra bastante The Big Bang Theory (ou melhor, The Big Bang Theory lembra The IT Crowd), já que os protagonistas (com exceção da Jen) são dois nerds pouco dotados de habilidades sociais e a Jen costuma questionar alguns hábitos e jeitos estranhos dos dois (afinal, canibalismo é algo ilegal).

A parte ruim da série é que alguns dos personagens mais engraçados foram retirados com o tempo, ou passaram a aparecer bem menos. Vamos falar um pouco mais dos personagens:

Roy Trenneman: freqüentemente zoado por ser irlandês, ele é o mais normal da dupla de nerds, embora constantemente perca a noção de como agir perto de pessoas estranhas – especialmente mulheres. Muitas vezes, é bastante grosseiro e egoísta. Ele também tem um pouco do jeitinho brasileiro e faz qualquer tipo de coisa inusitada para sair de uma situação desconfortável. Preste atenção na forma que ele atende ao telefone nos primeiros episódios: “já tentou desligar e ligar de novo?”. Brilhante.

Maurice Moss: Moss é, sem dúvida, o Sheldon britânico, mas ele não é egocêntrico e teimoso. Na verdade, ele é um nerd pior, porque tem ainda menos habilidades sociais do que a sua versão estadunidense. Deveras irritante, muitas vezes ele toma decisões estúpidas porque não consegue pensar em como as pessoas irão reagir, como mandar um e-mail para a sua lista de contatos inteira perguntando como ele e Roy conseguem sair da TPM (!?). Curiosamente, ele também é um péssimo mentiroso (mais uma característica que lembra o Sheldon).

Jen Barber: Jen é aquela pessoa louca que se passa por normal (você deve conhecer exemplares do tipo). Educada, com boa habilidade para lidar com pessoas (e, assim, garantir a sobrevivência do departamento de TI), ela tem problemas quando quer muito alguma coisa feminina – um homem, um sapato, fazer um cara chato parar de dizer que dormiu com ela, etc. Talvez a mais engraçada do trio principal, as caretas dela são memoráveis.

Richmond Avenal: um dos meus favoritos, geralmente aparece como participação especial. Ele é o gótico do grupo, mas antes tinha um cargo bastante importante nas indútrias Reynholm. Também tem poucas habilidades em relações sociais, especialmente por ser fã do Cradle of Filth. Não conto mais para não estragar!

Denholm Reynholm: dono das indústrias Reynholm e, portanto, chefe de todos os personagens principais. Esse cara é louco. Se fosse para acrescentar mais adjetivos a ele, estes seriam: pirado, doido e biruta. Fico imaginando como seria trabalhar para uma pessoa dessas. Surreal.

Douglas Reynholm: o filho de Denholm, ele começa a tomar conta das indústrias para o pai durante a 2° temporada. Também não é uma pessoa estável, mas em alguns momentos passa a impressão de que é possível conversar com ele (não é). Sem dúvida, o mais engraçado de toda a série, algo quase inacreditável, porque ele substituiu um outro personagem muito legal.

EPISÓDIOS HILÁRIOS

Para se ter ideia do tipo de humor que a série trabalha, aqui vão algumas pequenas sinopses de episódios sem nenhum spoiler malvado:

Calamity Jen (Jen calamidade): Denholm Reynholm descobre que o estresse é o grande problema da empresa, das pessoas e do mundo, e consegue uma máquina de medir estresse para saber quais funcionários estão com os sintomas. Antes, lógico, ele ameaça gritando que irá despedir quem estiver estressado. Enquanto isso, Moss cria uma série de problemas que deixam a Jen mais estressada do que já estava.

The Haunting of Bill Crouse (a assombração de Bill Crouse): Jen acredita ter recebido o prêmio de funcionária do mês, enquanto aquele cara chato (Bill Crouse) continua falando que dormiu com ela. No fim, ele vai se arrepender bastante de ter espalhado essas mentiras.

The Dinner Party (a festa de jantar): Jen encontra o homem de sua vida, mas está muito insegura de convidar seus amigos malucos do departamento de TI para um jantar em sua casa com suas amigas “normais”. Um dos mais engraçados, sem dúvida.

The Speech (o discurso): Jen recebe o prêmio de funcionária do mês e fica bastante irritante. Moss e Roy resolvem aprontar e dizem para Jen que uma caixa preta é a Internet e se a luz vermelha em cima parar de piscar, a Internet será destruída. E a Jen acredita. Esse foi o primeiro episódio que vi da série.

Italian for Beginners (italiano para iniciantes): Enquanto Roy tenta descobrir como os pais de sua namorada Julie morreram, Jen se mete em uma enrascada para conseguir conquistar o respeito do chefe.

CONCLUINDO

The IT Crowd é uma série exageradamente engraçada, talvez a minha favorita de comédia, com um humor bem diferente das sitcoms estadunidenses, que vale a pena correr atrás. O ponto negativo é que não existe versão nacional, mas você pode sempre comprar na Amazon pelos links do DELFOS e, de quebra, ajudar o seu site favorito.

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