Street Fighter V

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Street Fighter V é o Rise of the Tomb Raider da Sony. Não que os jogos sejam parecidos, longe disso. Me refiro ao fato de terem sido exclusividades compradas pela Sony e Microsoft e que surpreenderam todo mundo, uma vez que são séries com uma longa tradição de serem multiplataformas.

Pois tivemos a chance de brincar com Street Fighter V e, como você deve imaginar, trata-se de um bom jogo, com uma jogabilidade excelente e visual belíssimo.

MODOS DE JOGO

Street Fighter V é um jogo planejado para ser jogado online. Suas opções de jogatina single player são poucas e muito limitadas, e é possível mandar o jogo estar sempre procurando por oponentes ao redor do mundo enquanto você está nos menus ou lutando contra o computador.

O primeiro modo de jogo onde você vai passar um tempinho é o modo história. Não confunda com o modo arcade tradicional da série, onde você escolhe um personagem, luta contra os outros e termina com um chefão. Aqui o modo história consiste de duas ou três lutas de um único round, separadas por cutscenes compostas de imagens estáticas.

Uma coisa legal é que as histórias se cruzam. Por exemplo, na do Ryu, ele é desafiado por Rashid, e você acompanha o diálogo do herói com seu mestre Gouken. Já na história do Rashid, a mesma coisa acontece, mas você fica sabendo o que levou Rashid a desafiar Ryu e acompanha o diálogo do outro lado da conversa.

No modo história você também pode ver os lutadores usando roupinhas diferentes da tradicional e que não podem ser usadas em nenhum outro lugar. Na brasileira Laura, por exemplo, a roupa alternativa é ainda mais sensual, rolando até uns underboobs. Aliás, alguém me explica porque a Capcom acha que todo brasileiro tem poderes elétricos? =]

O modo história é divertido, mas de forma alguma substitui o tradicional modo arcade. Este modo história poderia ter sido expandido para incluir mais lutas e cada uma tivesse dois rounds. Não precisava nem ter mais cutscenes, apenas permitir que o jogador jogasse por mais tempo. Da forma que está, você faz todos os personagens em pouco mais de uma hora, e a maior parte do tempo vai ficar assistindo as imagens estáticas.

O outro modo de jogo off-line é o survival, no qual você escolhe seu desafio (vencer 10, 30, 50 ou 100 lutas de um round só) sem perder nenhuma e precisando usar os pontos que ganha para recuperar sua barra de energia. Jogar contra 10 ou 30 até é interessante, mas mais do que isso acaba sendo longo demais e cansando um pouco.

No meu primeiro dia com o jogo, eu estava tentando o desafio de 50 lutas e quando estava lá pela 30ª luta, o servidor desconectou e eu voltei para a tela título. Foi especialmente frustrante e é o tipo de coisa que não faz sentido: porque eu não podia continuar off-line?

Uma coisa legal tanto no modo survival quanto no história é que o jogo marca com quais personagens você fez o quê, algo que sempre senti falta na série, pois era bem difícil lembrar com quem você terminou e com quem ainda não jogou.

PORRADARIA ONLINE

As lutas online podem ser ranqueadas, que dão fight money e experiência para quem ganhar, ou casuais, que são apenas para diversão. Obviamente, você vai querer deixar o jogo sempre procurando por partidas, que costumam demorar bastante para aparecer. Eu cheguei a vencer um survival contra 30 oponentes sem encontrar nenhuma luta online, por exemplo.

Quando elas acontecem, e tudo funciona direitinho, é muito legal. Eu jogo bem Street Fighter. Jogando contra amigos no sofá, eu costumo ganhar de todo mundo. No entanto, jogando o Street Fighter IV online, eu costumava apanhar bastante. Aqui, as lutas online que eu participei foram emocionantes. Eu consigo ganhar uma boa quantidade delas, mas raramente é fácil demais e em nenhuma vez eu apanhei feio.

Uma decisão estranha, especialmente considerando o quanto demora para encontrar novos oponentes, é que você não pode pedir uma revanche ou continuar jogando com alguém que encontrou. É uma única luta de dois rounds e o jogo separa vocês para nunca mais se encontrarem novamente. E todo mundo que já perdeu uma luta altamente disputada sabe como pedir uma revanche é algo necessário.

A conexão entre os lutadores costuma estar longe do ideal, infelizmente. Quando está boa, a batalha funciona perfeitamente, mas o lag é comum e frequente. E olha que a minha internet é de 100 mega. Eu até escolhi nos menus que ele me pareasse apenas com pessoas que têm boa conexão, mas mesmo assim o lag continuava rolando.

Eu cheguei a testar o online com um amigo (neste caso só pode fazer batalhas casuais, mas dá para jogar quantas quiser), mas o lag tornou a nossa porradaria inviável. Tentamos reiniciar o jogo e até os PS4, mas não teve jeito. Acabou que fomos jogar Skullgirls, que rolou sem lag nenhum.

PERSONAGENS

Um Street Fighter é apenas tão forte quanto seus personagens. E nesse ponto, como um jogador old-school que passou boa parte de sua adolescência decorando golpes do Street Fighter II no Mega Drive, esta quinta edição deixa um pouco a dever quanto a personagens clássicos.

Se Street Fighter IV tinha todo mundo do Super Street Fighter II, com exceção de T. Hawk e Dee Jay (que acabaram aparecendo depois), neste faltam muitos lutadores clássicos. Sabe-se lá por qual motivo, mas não temos personagens que todo mundo gosta, como Sagat, Blanka e E. Honda. E o Blanka sempre foi um dos meus preferidos e com quem eu jogava melhor.

Guile e Balrog não estão presentes, mas já foi anunciado que eles estarão disponíveis em DLC até o final do ano. Opções estranhas, eu diria, já que pouca gente gosta do Balrog, e no lugar do Guile já temos o Nash, que é praticamente a mesma coisa. Outros personagens clássicos da série, como Sakura e Akuma, também não estão presentes.

Já entre os que estão presentes, a jogabilidade mudou bastante.

JOGABILIDADE

Já faz um bom tempo que a Capcom vem diferenciando o Ken e o Ryu. O Ryu continua como sempre foi, e o Ken vai recebendo novidades. Dessa vez o Ken está tão diferente quanto seu visual sem o clássico kimono vermelho. Sua voadora giratória agora faz um arco, servindo como um anti-aéreo, mas sendo menos útil contra lutadores no chão. Essas diferenças fazem com que eu comece a gostar mais do Ryu do que do Ken, pois ele se mantém mais parecido com o que eu me acostumei a jogar décadas atrás, mas é positivo que os personagens hoje sejam bem diferentes.

Alguns outros personagens, no entanto, foram bem modificados. O M. Bison, por exemplo, perdeu seu melhor golpe, o Psycho Crusher, aquele em que ele voava de um lado a outro da tela. No lugar dele, temos uma bolinha de energia que não chega nem a ser uma magia, mas apenas um soco que pega mais longe.

O que não dá para entender é o que fizeram com o coitado do Dhalsim. O visual novo dele, com barba e turbante, está muito legal, bem como suas animações (sua entrada nas lutas, em especial, é bastante divertida). Porém, como lutador, ele sempre esteve entre os piores do jogo. Ao invés de melhorarem o mestre do yoga aqui, eles pioraram o sujeito. Seu Yoga Fire agora é jogado para cima e não para frente, tornando-se basicamente inútil. Além disso, aquela cabeçada que você dava segurando para trás e apertando soco forte, que era um dos seus golpes mais úteis, simplesmente sumiu. E seu Super Combo, que joga uma bola de fogo extremamente lenta para cima é o mais difícil de acertar do jogo.

Mesmo personagens que mantiveram seus golpes mais clássicos sofreram diferenças na forma de executá-los. O Vega, por exemplo, agora pode dar todos os seus golpes especiais com os movimentos de hadouken e shoryuken. Nada de carregar por dois segundos para baixo antes de atacar. Apenas alguns poucos personagens em Street Fighter V mantém os movimentos de “carregar”, o que eu considero bem positivo.

Dizem por aí que essa mudança é para tornar o jogo mais acessível. Eu não acho que torna mais acessível. Quando ainda era um noob de Street Fighter, eu conseguia fazer os golpes de carregar e só depois fui conseguir fazer os hadoukens e muuuito depois os shoryukens. No entanto, uma vez que você pega a manha dos movimentos, os golpes de carregar sempre se tornavam bem inferiores.

Por exemplo, o facão do Guile (que aqui pode ser dado pelo Nash), é um anti-aéreo que você precisava carregar por dois segundos. Ora, mas você não tem dois segundos para preparar o golpe quando o seu oponente está pulando na sua direção, preparando uma voadora nas suas fuças, tornando um comando de movimento estrategicamente mais interessante. Essa foi uma das melhores mudanças de Street Fighter V, na minha experiência.

Só não entendi porque não mexeram no clássico pilão do Zangief, que continua com o difícil movimento de 360, mas agora está bem mais fraco. Poderia ser feito com o movimento tradicional do Yoga Flame. E seu Super Combo continua exigindo dois 360 com o direcional, o que é quase impossível de executar no meio de uma luta disputada, pelo menos para mim.

Em vários outros pontos, no entanto, o jogo foi simplificado. Não há mais Ultra Combos, apenas Super Combos, e aquele golpe que você dava segurando os botões médios agora foi substituído por um golpe mais simples e diferente para cada personagem. Segurando os fortes, você utiliza a barrinha que fica em cima da de Super Combo, que na maioria dos lutadores dá uma turbinada na força, mas em alguns, como no Dhalsim e no Zangief, dá golpes especiais bem legais.

FIGHT MONEY E DLCS

A Capcom divulgou que não lançará outros discos ou outras versões de Street Fighter V como tradicionalmente fazia. Ao invés disso, expansões serão vendidas como DLC, que podem ser comprados com dinheiro real ou com dinheiro adquirido no jogo. Até agora, foi divulgado um season pass que custa 30 dólares e inclui seis personagens (apenas Guile e Balrog dos clássicos, infelizmente).

Personagens extras poderão ser adquiridos também com Fight Money, que é o dinheirinho do jogo. Cada lutador novo custará 100 mil Fight Moneys. Fazendo praticamente todo o conteúdo single player presente aqui, eu tenho no momento 180 mil. Parece legal, uma vez que eu já posso comprar um novo personagem.

No entanto, você só ganha dinheirinho na primeira vez que joga a história ou o survival de cada personagem. Depois disso, a única forma de faturar é vencendo partidas ranqueadas online, sendo que cada vitória rende apenas 50 Fight Money. É bem pouco, especialmente considerando que você não consegue fazer mais de uma luta a cada dez minutos, uma vez que o jogo demora para achar alguém.

Seria mais interessante se o jogador pudesse ganhar dinheirinho jogando novamente o single player, mas isso no momento não é possível. O que me leva a dizer dos…

PLANOS PARA O FUTURO

Se você está com a impressão de que Street Fighter V não tem muito conteúdo, você está certo. São apenas 16 personagens e basicamente o modo survival e o online.

Como base de comparação, se você comprar Ultra Street Fighter IV para o PS4, que custa mais barato, vai receber 44 personagens e uma pá de modos de jogo, incluindo o arcade, com fases bônus e tudo. Mesmo o Street Fighter IV original tinha mais coisa interessante no lançamento, incluindo os 12 personagens clássicos, tutoriais para cada personagem, modos de desafio e muito mais.

A Capcom já divulgou que haverá um modo história nos moldes de Mortal Kombat X, disponível gratuitamente a partir de junho. Há várias opções no menu, como challenges, por exemplo, que estarão disponíveis gratuitamente em março.

É estranho que tenham optado em lançar o jogo de forma tão incompleta. Dessa forma, eu diria que talvez o Street Fighter V do final de 2016 seja bem melhor do que o que temos agora, que é um bom e divertido jogo, mas um tanto peladão. O tempo dirá. No entanto, se você está a fim de um jogo de luta com bastante coisa para fazer para jogar no PS4, não é aqui que vai encontrar no momento.

Street Fighter V é todo focado no online, mas a forma com que ele é montado impede que você fique apenas jogando online, uma partida atrás da outra. Ao invés disso, rola muita espera entre cada oponente encontrado, o que torna um single player mais elaborado essencial.

A concorrência Mortal Kombat X, mesmo sem DLC nenhum, é bem mais carnuda. E se você, como eu, sempre foi mais fã do jeitão Street Fighter de lutar, Ultra Street Fighter IV traz muito mais opções e personagens por muito menos dinheiro.

Se você já tem os jogos supracitados e quer mesmo este quinto Street Fighter, talvez valha a pena esperar um pouco. Daqui a alguns meses, você terá um jogo mais completo e um preço mais em conta (talvez até um servidor com menos lag), tornando a compra bem mais fácil de recomendar.

A Capcom tem planos bem ambiciosos para Street Fighter V, mas no momento eles são apenas isso. Planos. Vamos aguardar – e torcer – para que eles se tornem realidade.

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REVER GERAL
Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).