Poltergeist – O Fenômeno

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Poltergeist é uma palavra alemã que significa “fantasma barulhento”. É também o nome de um dos maiores clássicos do cinema de terror, concebido por Steven Spielberg (que escreveu o argumento e produziu) e dirigido por Tobe Hooper, do Massacre da Serra Elétrica original.

Junto de It – Uma Obra-Prima do Medo (este baseado em livro de Stephen King), a produção de 1982 (ano em que eu nasci. Daqui a pouco alguém vai querer me refilmar) foi uma das grandes responsáveis por instilar o medo de palhaços em toda uma geração. Além disso, o Poltergeist – O Fenômeno original também introduziu muitos elementos que virariam clichê com o passar dos anos em produções de fantasmas e casas mal-assombradas no geral. Em suma, é um daqueles filmes que definem todo um subgênero.

Após apresentar o contexto da produção original, só resta dizer que seu remake (produzido por Sam Raimi), o qual reaproveita até o mesmo subtítulo nacional e que chega hoje aos cinemas, é mais um da série “só refilmamos isso para incluir celulares e TVs de tela plana”. Tanto é que o primeiro plano do longa abre com uma tela de iPad e posteriormente um drone de brinquedo também será usado. De resto, é exatamente a mesma história, com uma ou outra mudança aqui e acolá que não afetam em nada a condução da trama.

Após 33 anos, a história da família que se muda para uma casa construída sobre um cemitério, deixando seus espíritos muito irritados, já não tem mais o mesmo encanto. O que tornava seu antecessor original e assustador agora é apenas lugar-comum e enfadonho. Todo mundo já viu dezenas de filmes com uma garotinha que fala com algo que não está lá, a família que não dá ouvidos ao filho quando este avisa que há algo estranho rolando e por aí vai.

Para piorar, o avanço da tecnologia ainda serve de muleta para diretores sem cacife. O desconhecido Gil Kenan não é Tobe Hooper (embora reze a lenda que quem dirigiu realmente o original foi o próprio Spielberg) e usa técnicas mais avançadas para mostrar mais do que deveria, vide a clássica cena dentro da passagem entre os mundos.

Nesse sentido, o remake atualiza a linguagem para uma geração que quer ver absolutamente tudo, sem espaço para a mera sugestão. E olha que o longa original já não era nada sutil graficamente. E ainda assim, em algumas coisas em que poderia dar um punch a mais, estranhamente opta por tomar o caminho contrário.

Este é o caso ao trocar a bizarra anãzinha médium do original por um homem que tem um programa de televisão ao estilo Ghost Hunters. Acaba perdendo o ar macabro com essas mudanças e por deixar tudo no ritmo mais acelerado que a garotada de hoje está acostumada.

O estranho é que ainda assim, com tudo jogando contra, poderia render algo decente. Afinal, o primeiro Sobrenatural é praticamente um remake não oficial de Poltergeist de tão parecido, e ele tinha uns sustos realmente legais. Este aqui não tem nada. É engraçado que a refilmagem oficial acabe por ter mais cara de imitação barata do que o produto sem relação que bebe descaradamente de sua fonte.

Sendo assim, se você não viu muitos filmes de assombração, pode ser que você ache algo de bom nesta nova versão de Poltergeist – O Fenômeno. Contudo, se você está aqui no DELFOS, as chances de que você curta o gênero e já tenha visto uma porrada de longas do estilo é bem maior. Neste caso, você não vai encontrar nada aqui que não passe de um reles filme nada e olhe lá. Melhor apelar para a nostalgia e rever o antigo.