Pink Floyd – Pulse

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Antes de qualquer coisa, preciso começar falando que o Pink Floyd é uma das minhas bandas “não-Metal” preferidas, e que fiquei deveras surpreso quando soube que este show seria transformado em DVD. Para que você se localize com clareza, há de se explicar que este DVD é uma adaptação do VHS de um show clássico do grupo, gravado em março de 1995 no estádio Earl’s Court em Londres. Foi lançado originalmente como um álbum duplo, que vinha em uma embalagem de acabamento luxuoso, onde havia em sua lateral, um pequeno led vermelho que ficava piscando sem parar, o que irritava depois de um tempo.

O DVD manteve o aspecto 4:3 do VHS original, mas foi remixado em surround 5.1. Gravado durante a turnê do álbum The Division Bell, com a formação composta por David Gilmour (voz e guitarra), Nick Mason (bateria) e Richard Wright (teclado), Pulse é mais um grandioso show do Pink Floyd, com excelentes músicos de apoio e um sistema de iluminação digno das grandes cifras da banda.

O palco é coberto por uma parábola gigante, que tem em seu centro um telão circular, fazendo assim uma clara alusão a um grande olho, símbolo estampado na arte de capa do CD e do DVD. Abrindo com a excelente Shine On You Crazy Diamond, o Floyd mostra como um de time de músicos talentosos pode revitalizar grandes sucessos do passado, e é inegável que várias músicas executadas neste show acabaram ficando mais legais do que as versões originais.

Em seguida, temos Learning to Fly, uma excelente música que possui ótimas frases de guitarra. Após High Hopes e Take it Back, vem Coming Back to Life, uma das melhores do show, que conta com uma excelente performance das backing vocals, além de nela podermos ver David Gilmour em sua melhor forma, com uma excelente voz, fazendo jus à qualidade geral do show. Depois temos Sorrow e Keep Talking, até a chegada da única música do Pink Floyd conhecida por aqueles que não são fãs da banda: Another Brick in the Wall Part 2. De fato, esta música é excelente e soa original até os dias de hoje. Encerra-se então o DVD 1 com One of These Days.

O DVD 2 traz o super-clássico CD The Dark Side of the Moon executado na íntegra. The Dark Side of the Moon é o CD mais vendido da carreira do Pink Floyd. Um trabalho pioneiro para a época, com uma sonoridade única e, por ser envolto em uma série de lendas, acabou por ser mitificado pela crítica e pelo público.

Abrem com Speak to Me, outra excelente música onde, mais uma vez, o trabalho das backing vocals realça a qualidade original da música. Seguem com Breathe in the Air, uma música atmosférica, que traduz bem o estilo do Pink Floyd. On the Run serve de abertura para Time, uma música indispensável no setlist da banda, que é seguida por The Great Gig in the Sky, uma das minhas músicas favoritas. Trata-se de uma música semi-instrumental, onde as três backing vocals se revezam em um excelente trabalho de voz. Começa então a sonoplastia de moedas e caixas registradoras avisando a chegada de Money, um grande clássico (já cansei de escrever a palavra “clássico”, por que é só isso que tem neste show). Depois vem Us and Them, uma música com uma estrutura de verso-refrão bem simples, mas que possui um excelente refrão e um grande solo de sax.

Any Colour You Like e Brain Damage dão continuidade ao show, seguidas pela última, a apoteótica Eclipse. Uma excelente escolha para fechar o CD e o DVD, com um clima bem dramático e uma letra que sintetiza todas as idéias de The Dark Side of the Moon. Mas quando você acha que o show acabou, eis que os reis da psicodelia voltam para o bis. Fazendo as mulheres suspirarem com Wish You Were Here, aquela baladinha supimpa que 10 entre 10 músicos de bar adoram tocar. Na seqüência vem um dos maiores petardos da banda, Comfortably Numb, uma música incrível que possui um dos melhores solos de guitarra já compostos, sem exageros. Finalizam, então, com Run Like Hell, uma música na qual eu particularmente não vejo nada de mais e que não foi uma boa escolha para fechar um show de grandes proporções como este.

Ao fim do show, você ainda pode ter uma overdose de Pink Floyd assistindo aos extras. São mais de 90 minutos de extras, compostos por vários vídeos das músicas executadas no show, perfazendo um total de quatro horas do mais puro Rock Progressivo. É uma pena que nós, brasileiros, nunca tivemos a oportunidade de ver o Floyd tocar em terras tupiniquins. O máximo que conseguimos foi ver Roger Waters em um show competente, mas sem o mesmo brilho que o Floyd apresenta neste DVD. O próprio baterista, Nick Mason, já afirmou que a banda não tem planos de incluir o Brasil em uma futura turnê mundial. Então só resta a nós, pobres delfonautas, assistirmos a este excelente DVD e continuarmos sacrificando nossos bodes na esperança de que, um dia, o Pink Floyd desembarque por aqui.

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