Pagando Bem Que Mal Tem?

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A cabine deste filme foi feita no início de fevereiro, época em que eu estava assistindo a cinco oscarizáveis por semana e seriamente considerando a hipótese de ceifar minha própria vida em meio a tamanha dose de mensagens God Bless America e o sofrimento do povo judeu. Pior ainda é quando, além de sofrer, os judeus ainda terminam passando a mensagem God Bless America.

Assim, devo dizer que foi deveras excelente ter a possibilidade de ficar um dia da minha vida sem ver oscarizáveis para ver uma bela comédia romântica do jeito que só o Kevin Smith sabe fazer (ou seja, sem nada a ver com o que normalmente se chama de comédia romântica).

Se você acessa o DELFOS, já deve estar cansado de saber a história disso aqui, então passemos rápido pela sinopse. Seth Rogen, de Superbad, é Zack, e ele mora com Miri, a linda Elizabeth Banks, que fica ainda mais linda – e irreconhecível – com o cabelinho da Betty Brant. Os dois estão na maior pendenga financeira e, para pagar as contas, optam pela única decisão lógica: chamar uma turminha do barulho e fazer um filme pornô. Afinal, todo mundo quer ver todo mundo transar.

Depois de seu melhor filme, O Balconista 2, Kevin Smith volta ao cinemão mais tradicional, com o qual já havia flertado em Menina dos Olhos. Isso significa que este é um filme de historinha, não de diálogos, como costuma ser a maior parte da obra do nosso amigo.

E a historinha é legal. E é bem bonitinha. E é engraçada daquele jeito mezzo-escrachado mezzo-fofo que só os nerds mais true conseguem fazer. Ah, e a cena em que a Miri fica deitada sozinha, sorrindo, deve ser a cena mais fofa da história da sétima arte. Duvido que você não fique com vontade de apertar as bochechas dela ou de colocar no colo e fazer cafuné.

Apesar de algumas das características do Kevão não estarem aqui, outras estão. Cá entre nós, poucos conseguem criar um romance como esse cara. Isso é algo presente em todos seus filmes e novamente aqui você – e a sua namorada – hão de se emocionar com quão bonitinho é o caso entre o Zack e a Miri.

Também estão de volta boa parte dos atores recorrentes na obra de Smith, como Jason Mewes, o Jay, que embora tenha outro nome aqui, faz o mesmo personagem de sempre. Outro que retorna é o Randall, Jeff Anderson que, para falar a verdade, não aparece muito.

Mas, ei, se a história gira em torno do mundo do pornô, não iam perder a chance de colocar pessoas que entendem do riscado, né? Pois eis as loiras peitudas Traci Lords e Katie Morgan no papel de… bem… loiras peitudas.

Elogios feitos, não posso deixar também de criticar. Em determinado momento, uma desnecessária piada escatológica é feita, o que acabou, de certa forma, dando uma “estragada” no que estava muito bom. Por causa disso, vi-me obrigado a cortar metade do quinto Alfredo que ilustra a nota aí do lado.

Não posso deixar também de comentar o título nacional. Depois de Barrados no Shopping e O Império do Besteirol Contra-Ataca, o Kevin Smith novamente sofre com essas “traduções” bizarras feitas pela turminha tupiniquim. O que tinha de errado com O Pornô de Zack e Miri?

Porém, verdade seja dita, a Imagem está planejando um grande lançamento para este filme e, pelo que sei, é o filme do Kevin Smith que sai nos cinemas brasileiros com o menor atraso em relação ao original estadunidense (coisa de cinco meses, O Balconista 2 demorou mais de um ano). Tomara que eles continuem trazendo os próximos filmes do cara, assim como os do Woody Allen – outro que sofria com atrasos constantes nos lançamentos tupiniquins até a Imagem assumir. Será que eles não querem assumir os do Tarantino também? Tenho certeza que todos os delfonautas que ainda não tiveram oportunidade de assistir À Prova de Morte agradeceriam. Só não venham chamar o filme de Um Carro Blindado Muito Louco ou algo nessa linha. =)

No geral, embora seja um longa mais comercial e com menos referências Pop que seus trabalhos anteriores (apesar de, como sempre, Star Wars ter seu lugar de destaque), Pagando Bem Que Mal Tem? é mais um ótimo filme do Kevin Smith. Se você já é fã do cara, há de gostar. E, se não conhece ainda, é um bom lugar para começar, já que não exige tanto repertório quanto os outros.

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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).