O Vale do Amor

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A perda de um filho já rendeu inúmeras boas histórias para o cinema, principalmente em dramas mais “pés no chão”. Assim de cabeça, posso citar e recomendar o excelente O Quarto do Filho, do Nanni Moretti. O Vale do Amor, como você deve imaginar, é mais um que se encaixa nessa categoria.

Isabelle Huppert e Gérard Depardieu são Isabelle e Gérard (hum…), um ex-casal separado há tempos que volta a se encontrar devido a um pedido de seu filho que se matou. Acontece que o sujeito, antes de se empacotar, mandou uma carta para cada um, pedindo para que eles se encontrassem no Vale da Morte, na Califórnia.

Eles atendem ao último pedido do pimpolho e o filme todo se passa no curso de alguns dias, no local em questão, enquanto ambos tentam se reconectar e procurar por algum sinal do filho morto.

Este aqui não está no mesmo nível do já citado O Quarto do Filho, visto que ele sequer tenta analisar porque o filho se matou, ou mesmo estudar as reações e o psicológico de cada um dos pais. É daquele que prefere deixar tudo mais subentendido, mas acaba parecendo muito mais vazio do que sutil.

Claro, nesse tipo de história, muito da força recai nas atuações, e a dupla de protagonistas está muito bem. Contudo, é meio difícil se concentrar nisso quando toda hora o Gérard Depardieu fica sem camisa. E, cara, ele está enorme de gordo. Parece que ele engoliu o Obelix, o Asterix e toda a vila de irredutíveis gauleses numa bocada só.

Brincadeiras com obesidade à parte, este é o tipo de história onde muito pouco ou mesmo nada acontece, o andamento é mais devagar e simplesmente não há muitos atrativos além das boas atuações e da utilização das bonitas paisagens do Vale da Morte. A única vantagem é que ele é bem curto, o que não permite que o tédio se instaure de vez.

O Vale do Amor explora um tema forte que já rendeu muitos bons filmes, mas não foi o suficiente para que ele próprio venha a figurar dentre eles. Fica difícil de recomendar. Assim, se você realmente quiser assistir algo acima da média sobre esse tema, volto a dizer, a melhor pedida é ver ou rever O Quarto do Filho.