O Pequeno Príncipe

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Muitos podem achar estranho ver uma resenha de um livro considerado infantil aqui no DELFOS, mas O Pequeno Príncipe só é infantil se você ainda não o leu. Falo isso com segurança, pois nunca tinha lido o livro antes e o pré-julgava. Hoje, estou com 27 anos e uma idéia totalmente diferente sobre a obra.

Acredito que muitos delfonautas pensam que conhecem a história do Pequeno Príncipe. Ou porque conhecem a célebre frase “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” ou por que já assistiu em sua infância o desenho inspirado no livro que passava no SBT. Se você se identificou com esses dois itens (eu me encaixaria neles até uma semana atrás), pode ter certeza do seguinte: você não conhece nada sobre o livro.

A história é simples como um livro infantil tem que ser, mas com conteúdo de gente grande. Posso dizer que é um livro de crianças feito para adultos. Tudo começa com a pane em um pequeno avião que cai no deserto do Saara. O piloto, que é quem narra a história, tem que consertar sozinho o problema no motor. Após o primeiro dia de conserto, ele adormece e é acordado pelo, até então desconhecido, Pequeno Príncipe, que faz um pedido totalmente inusitado para alguém que está perdido no meio do deserto: “Me desenha um carneiro”. A partir daí, começamos a conhecer os relatos da vida dessa criança inocente que veio ao planeta Terra para encontrar um amigo e os seus questionamentos sobre as atitudes dos adultos.

E é nesse ponto que está a grande sacada do livro. Ele questiona as coisas mais simples da vida com perguntas inocentes, como uma criança faz. E são essas perguntas que fazem com que a gente pare e reflita. Quer um exemplo? Para você, delfonauta, o que significa cativar? Não olhe no dicionário. Pense sobre o assunto. Você realmente já cativou alguém?

Durante a história, conhecemos diversos personagens que interagem com o Pequeno Príncipe. E como se trata de uma história infantil, temos um pouco de tudo: Raposas, rosas, serpentes e até homens.

O autor consegue mostrar várias facetas das “pessoas grandes” nos personagens do livro. Temos o rei, que julgava que todos eram seus súditos; O vaidoso, que só ouve os elogios direcionados a ele; O homem de negócios, que só quer saber das coisas sérias e não tem tempo para sonhar; O bêbado, que bebia para esquecer a vergonha que sentia por beber e até mesmo um geógrafo, que se julgava sábio, mas não conhecia o seu próprio planeta. Será que você já não viu ou conhece alguém que se parece com esses personagens?

Em uma narrativa quase poética, o autor Antoine de Saint Exupéry consegue trazer de volta a criança que existe dentro de nós. E é voltando a ser criança, a pensar como uma criança, que relembramos os nossos sonhos e acabamos resgatando questionamentos antes esquecidos por causa da vida adulta.

O único problema da obra é que ela é considerada um livro infantil e na verdade não é. Isso faz com que os adultos não tenham interesse na história. Já as crianças, não vão conseguir entender toda a profundidade. Isso faz com que esse clássico da literatura mundial não tenha o seu devido reconhecimento.

A sensibilidade que o autor utiliza na narrativa do livro é capaz de gerar um conflito dentro do leitor. A criança dentro de nós quer voltar, quer questionar, quer viver. Em contrapartida, temos o adulto, que acha que já sabe todas as respostas para as perguntas do livro. Se deixarmos a criança ganhar vida, temos um livro capaz de transformar definitivamente o leitor (sem exageros). Se o adulto prevalecer, você terá uma leitura chata, estranha, sem graça. Se ficou curioso em ler a história, corra atrás do livro. Vale a pena.