O Grande Herói

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É difícil entender porque O Grande Herói está estreando no Brasil. Claro, suas duas indicações ao Oscar ajudam muito, mas são indicações técnicas, que não importam muito para a maioria das pessoas.

De qualquer forma, sua estreia tupiniquim é iminente e, como tal, idem é nossa resenha. Aqui conhecemos um grupo de soldados estadunidenses que tem a missão de matar um líder terrorista. É uma missão aparentemente simples, mas se realmente fosse tão simples, não renderia um filme, então é óbvio que as coisas vão ficar feias.

A primeira coisa que você vai reparar durante sua experiência com o filme é quão lento ele é. Temos aqui potencialmente o filme estadunidense mais lento da década, e isso acaba fazendo com que sua nem tão longa duração pareça ainda mais longa. Tudo acontece bem devagar, o que às vezes pode até ser bom, mas não dá para evitar a sensação de que a obra carecia de um editor mais impiedoso.

Isso não significa que ele não tenha qualidades. Quando os soldados têm que decidir o que fazer com um grupo de civis desarmados que os avistaram, temos tensão na medida certa e regada por excelentes diálogos. A iminência do combate também é emocionante e deveras tensa.

Suas duas indicações ao Oscar, a saber, edição de som e mixagem de som, são merecidas, e respondem pelo principal motivo para que ele seja assistido no cinema. Isso, claro, se você for das poucas pessoas que realmente presta atenção nisso. Ele sem dúvida merece os carecas a que foi indicado, mas são categorias tão secundárias que duvido que levem muitas pessoas ao cinema.

O principal problema é mesmo sua narrativa lenta e o tempo que gasta em cada uma de suas “fases”. O combate, por exemplo, se alastra por muito tempo, ininterruptamente, deixando o que deveria ser a cena mais emocionante e empolgante do filme apenas maçante.

Além disso, ela é demasiado exagerada. São apenas quatro soldados estadunidenses, contra algumas centenas de árabes malvados, e eles matam uma pá de bandidos até sofrerem o primeiro arranhão. Isso é legal em um filme de ação fanfarrão, como Os Mercenários, mas este é um longa que se leva a sério, o que torna isso um tanto ridículo.

Por exemplo, tem uma cena em que um soldado está praticamente morto, sentado e agonizando, e os terroristas atiram nele, mas erram umas quatro vezes até acertarem. Nesse tempo, ele acaba morrendo naturalmente, tornando o tiro de misericórdia totalmente irrelevante. Fala sério, se esses caras fossem lenhadores, apenas as árvores estariam seguras.

No final das contas, temos um filme nada típico, tecnicamente eficaz, mas sem grande apelo popular, especialmente no Brasil. A linha editorial do DELFOS me impede de dar uma nota inferior pois alguns helicópteros explodem nele, mas eu só recomendo o filme a quem realmente gosta de histórias de guerra.

CURIOSIDADES:

– Por muito pouco o título original não é o mesmo daquela música legalzona do Helloween que tem uma das melhores baterias que eu já ouvi.

– A excelente maquiagem do filme é do famoso Greg Nicotero, que você conhece de The Walking Dead e de um monte de filmes gore.

REVER GERAL
Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).