Mistress America

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Em seu filme anterior, Enquanto Somos Jovens, o diretor e roteirista Noah Baumbach apresentou a história de amizade entre um casal quarentão descolado com outro casal, só que de hipsters de vinte e poucos anos. Em seu novo longa, Mistress America, novamente a amizade é o tema central.

Desta vez somos apresentados a Tracy, que começa a cursar faculdade em Nova Iorque. Com dificuldades para se adaptar à nova vida e para fazer amigos, ela acaba acatando uma sugestão de sua mãe e ligando para Brooke, sua futura irmã postiça (a mãe de Tracy e o pai de Brooke estão para se casar), que também mora na cidade.

Brooke, já com seus trinta anos, é tudo que Tracy não é. Descolada, extrovertida e aventureira, o tipo de pessoa que causa uma empatia imediata. Tracy sente a mesma coisa e logo ambas se tornam amigas, o que melhora muito a vida da universitária, lhe dando a confiança que ela tanto precisa.

Por outro lado, à medida em que a relação entre as duas vai se afinando, também vemos que apesar dos muitos planos de Brooke, na realidade ela fez muito pouca coisa, dificilmente passando do campo das ideias. Ou seja, apesar de sua vida aparentemente agitada, na realidade ela tem poucas realizações para apresentar, mesmo tendo muitos anos de vida a mais que sua jovem amiga.

Essa espécie de amizade geracional parece ser um assunto caro ao diretor, afinal, como você pode ver, as temáticas de ambos os filmes são bastante similares. Ele discute não só pessoas que não levam, porque não querem ou não conseguem, o tipo de vida considerado convencional, como discute também a geração mais nova, sempre meio perdida na vida.

É um filme curto, calcado em bons diálogos, na atuação da dupla central de atrizes, e em situações que não chegam a ser esquisitas, mas possuem aquele climão meio excêntrico de muitos filmes indies estadunidenses, que às vezes mais parece uma regra de nicho a ser seguida como algo que ajude propriamente a narrativa, embora aqui isso até que funcione.

No mais, é uma produção com cara de trabalho menor. A qual, friamente analisada, vai do nada ao lugar nenhum, o que neste caso não é necessariamente algo ruim, desde que você se identifique com a temática abordada e com a estética indie/descolada.

Se tudo que descrevi no parágrafo anterior, bem como no resto da resenha, o agrada, vale conferir Miss America, embora eu considere que ele caia melhor como um programa a ser assistido em casa, na telinha da sua televisão.