Mente Criminosa

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Sabe o que é pior do que ver um filme para o qual você tem altas expectativas e que acaba decepcionando? Ver um longa do qual você não espera nada, mas que acaba criando expectativas de ser algo mais diferente e criativo por causa da sua própria condução, mas que eventualmente acaba caindo na mediocridade do lugar comum. Como você deve ter deduzido, é o caso de Mente Criminosa.

Aqui um agente da CIA (Ryan Reynolds, o Deadpool) está em uma importante missão, quando é capturado e morto pela bandidagem. O problema é que ele sabia a localização de um fulano que está em posse dos armamentos estadunidenses, e a bandidagem está atrás dele para liberar os mísseis e destruir o mundo.

Sem ter outra opção, a CIA, representada por Gary Oldman, resolve apostar em um tratamento experimental capaz de transferir as memórias do presunto para outra pessoa. E a pessoa escolhida, por razões totalmente lógicas, é um criminoso psicopata altamente perigoso (Kevin Costner).

Você pode dizer que isso tudo tem um quê de Robocop, e estaria certo. A essa hora você pode estar esperando que o Kevin Costner se torne um super-herói e saia por aí distribuindo sopapos como se fosse o garçom de um sopão. No entanto, este não é um filme de ação.

A condução da coisa é mais séria e mais tensa. Quando o criminoso aparece na casa da esposa do presunto doador das memórias (Gal Gadot, a Mulher-Maravilha), você começa a ver onde o filme quer chegar – e o imenso potencial da sua proposta.

E aí está seu principal problema. Ele até segue por esse caminho tenso e criativo por algum tempo, mas não demora para o criminoso – até então um psicopata sádico e sem emoções, começar a se afeiçoar pela família do falecido. E daí o negócio desaba para o lugar comum de algo entre uma história de amor doentia e um filme policial comum. E isso é um tremendo desperdício do seu conceito, e parece ter tido mão de produtor aí no meio.

É uma pena. Mente Criminosa poderia ter sido, se não grande, pelo menos único. Infelizmente, ele acabou se conformando em ser só mais um entre tantos filmes nada que estreiam todas as semanas.