Eis aí um filme europeu, do circuito de arte, que tinha uma premissa interessante e inusitada o suficiente para chamar atenção de outros públicos, especialmente dos admiradores do cinema fantástico.

Afinal, Lua de Júpiter conta a história de um jovem refugiado sírio chamado Aryan que, ao tentar entrar ilegalmente na Hungria, é baleado. Só que, ao invés de acontecer o que normalmente acontece nessa situação, ele bater a caçuleta, desenvolve a capacidade de levitar.

A partir daí ele passa a ser explorado por um médico sem muitos escrúpulos, que usa sua nova habilidade para ganhar uma graninha, enquanto eles são perseguidos pelo diretor do campo de refugiados. No meio disso tudo, o garoto ainda tenta encontrar o pai, de quem se separou na fuga da polícia.

Delfos, Lua de Júpiter, CartazEle quase poderia ser um filme de super-herói dada essa sinopse, mas não é. Afinal, o protagonista não faz nada de heróico com sua nova habilidade. Prefere ficar mesmo na mistura de drama com fantasia. E no fim das contas, resulta num filme deveras irregular e olhe lá.

Visualmente, a película é belíssima, principalmente todas as vezes que Aryan levita. Não que sejam efeitos especiais super elaborados (não são). Mas os planos, os movimentos de câmera, as escolhas de fotografia (paleta de cores, posicionamento da câmera) são sempre bonitas e criativas.

Seria até legal que diretores dos filmes de super-heróis hollywoodianos dessem uma olhada nesse filme para se inspirarem a criar cenas de voo de super-seres que saiam do feijão com arroz que eles costumam fazer.

Tem algumas coisas bem legais (e ressalto, aparentemente simples), como uma cena onde Aryan não só levita, como altera a gravidade do lugar onde está, ou uma envolvendo ele e um carro que unem muito bem essa aparente simplicidade dos efeitos com um visual de encher os olhos.

Contudo, todo o resto do filme não é lá essas coisas. Quando todos estão no chão, a coisa é longa demais e arrastada. Quer ser mais significativo do que realmente é, resultando apenas raso e um tanto pedante.
Delfos, Lua de JúpiterEssas partes são tão chatas que, quando Aryan levita de novo, você lembra porque ainda está assistindo ao filme e não tirando uma soneca. É uma pena que não tenham conseguido esse equilíbrio, ou mesmo que não tenham optado por seguir um caminho mais de ação ao invés de tentar dar uma “profundidade artística” que resultou apenas boba.

Lua de Júpiter tem uma boa premissa e bons momentos, mas estão envelopados por outros que são bastante modorrentos. Eu diria que ele seria mais recomendado para quem gosta de filmes com uma pegada mais estranha, mas seus piores momentos são tão chatos que fica difícil realmente recomendá-lo. Sendo assim, vou sentar aqui em cima do muro e você assista por sua conta e risco.