Life Is Strange

0

Life Is Strange me conquistou logo de cara. Além do título interessante, que o colocou no meu radar assim que foi anunciado, os primeiros segundo scom o jogo foram igualmente positivos. Isso porque sua tela título é perfeita, desde o cenário à escolha de fontes, passando pela belíssima música. Tudo estava muito nos conformes com meus gostos, e aumentaram ainda mais a expectativa.

VIDA É ESTRANHA

Aqui a gente joga com Max (Hannah Telle), uma garota que acabou de fazer 18 anos. Ela morava com a família em Seattle, mas conseguiu uma bolsa para estudar fotografia na prestigiada Blackwell Academy, que coincidentemente fica na sua cidade natal, Arcadia Bay.

Ela é uma nerd com todas as características que todos nós temos. Tem dificuldades sociais, é apaixonada por arte e por cultura pop e, claro, é uma fotógrafa talentosa. A identificação é imediata.

Após sair de uma aula, ela vai ao banheiro e lá encontra um aluno de família abastada matar uma garota punk. Ela estende a mão assustada e catchanga, acaba rebobinando o tempo. Logo, nossa amiga percebe que tudo está acontecendo da mesma forma de antes, e resolve correr até o W.C. para tentar salvar a guria. E estes são os primeiros minutos de Life Is Strange.

REBOBINE, POR FAVOR

Life Is Strange é um adventure moderno, com muitas influências de jogos como Walking Dead e Heavy Rain.

A mecânica de rebobinar o tempo é o principal diferencial do jogo, embora você possa imaginar como funciona se já jogou Prince of Persia. Na real, como se trata de um adventure, a mecânica lembra muito os remixes de memórias do Remember Me, não por acaso o jogo anterior da desenvolvedora Dontnod.

E é totalmente diferente jogar um adventure focado nas suas escolhas tendo o poder de refazê-las. Afinal, se você não gostou das repercussões da sua decisão, ou está apenas curioso, sempre pode voltar e escolher outra coisa. Assim, você pode tomar decisões de forma mais informada e menos no reflexo, como funciona em Walking Dead.

Isso dá a Life is Strange um andamento mais metódico, mais lento, que se reflete na sua própria abordagem à exploração, que traz de volta aquele jeitão dos jogos da Lucasarts em que você pode olhar e fazer comentários para quase tudo. Assim, apesar de ser um adventure moderno, ele tem um pouco do sabor old-school dos clássicos do gênero.

DRAMA INTERATIVO

O principal aspecto em um adventure, no entanto, é a sua história. E neste ponto é um tanto difícil analisar com propriedade tendo jogado apenas o primeiro episódio dos cinco previstos.

O que eu posso dizer é que, apesar das características de ficção científica, viagem no tempo e afins, a história é focada principalmente nos sentimentos de Max e em suas inseguranças. E se você gosta de referências à cultura pop (e, se você está no DELFOS, é porque gosta), este é o mais próximo que eu já vi um jogo chegar de um filme do Kevin Smith. De grandes nomes dos quadrinhos, como Neil Gaiman, até clássicos dos filmes B, como Holocausto Canibal, dá para perceber que o jogo foi escrito por alguém tão nerd quanto você e eu, o que é sempre divertido.

A música também merece destaque. Temos aqui uma das mais belas trilhas sonoras licenciadas que já vi num videogame, com canções levadas a voz e violão que transbordam tanto sentimento quanto as inseguranças da protagonista.

O visual é outro destaque, especialmente as cores. Tudo é pintado à mão, o que dá uma cara de pintura para a jogatina, refletindo muito bem a paixão da protagonista por arte. Temos aqui um dos jogos mais bonitos lançados em tempos recentes. É uma pena que a sincronização labial não tenha recebido o mesmo capricho, muitas vezes lembrando a forma que os canadenses se movem em South Park.

A HISTÓRIA CONTINUA

Life is Strange consegue o objetivo de um primeiro episódio, que é intrigar o espectador/jogador e deixá-lo interessado em acompanhar o resto da história. Este primeiro episódio foi lançado na sexta, dia 30 de janeiro. O segundo episódio está previsto para março e os três restantes ainda não têm data de lançamento.

Galeria