Jogada de Mestre

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Ah, esses títulos nacionais nada criativos. Fora poder ser considerado propaganda enganosa, afinal, o que acontece neste filme está longe de ser o que se possa chamar de uma Jogada de Mestre, se tivesse optado por uma tradução mais próxima do título original (algo tipo O Sequestro do Sr. Heineken) poderia atrair mais a curiosidade do espectador. Exatamente como aconteceu comigo quando descobri como o longa se chamava originalmente.

Ou vai dizer que quando você leu “Sr. Heineken” não pensou imediatamente na cerveja da garrafa verde? Pois é, e está mesmo relacionado. Saca só: na Amsterdã de 1982, um grupo de amigos e sócios de negócio está passando por um período de dificuldades financeiras e a situação parece que não vai melhorar tão cedo. Assim, eles decidem então simplesmente sequestrar Alfred Heineken, o dono da famosa marca de cerveja, em troca de um polpudo resgate.

Fala aí, a sinopse é bem interessante e não merecia um título tão genérico quanto o que ganhou por aqui, né? E o longa, embora não seja nenhuma maravilha, até que é movimentado o suficiente para se colocar acima de um mero filme nada. Baseado na história real do sequestro, ele mostra o planejamento, a execução e as eventuais consequências do crime.

Desde a elaboração do plano e do grupinho pensando em todas as etapas do processo para não cometer nenhum equívoco até quando, batata, eles começam a fazer um monte de besteiras, ameaçando botar seu plano infalível a perder. Para piorar, o Sr. Heineken (Anthony Hopkins, subutilizado, como na maioria de seus filmes recentes) ainda é um cativo bem folgado. Pena que não se utilizaram muito desse aspecto, pois é algo que poderia render mais para a narrativa.

O filme é bem curto, sem gorduras, sem enrolação e com mais tiroteios, porrada e correria do que a maioria dos thrillers recentes, o que o aproxima até mais de um filme de ação em alguns momentos, e isso garante a atenção do espectador, embora não haja nada aqui que você já não tenha visto em várias outras produções do gênero.

Ainda assim, como eu não conhecia a história real, fiquei interessado em saber como ela se desenrolaria. E no final ainda deu a maior vontade de tomar uma Heineken, não sei bem por qual motivo.

Com direito a refrescar a goela ou não no final, esta aqui não é exatamente uma produção de encher a tela e estourar os tímpanos com um bom som, então é mais um daqueles que eu não costumo recomendar para ver no cinema, mas em casa, aí sim tomando uns gorós, até que funciona.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.