Interestelar

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Christopher Nolan está de volta, em seu primeiro filme pós-Batmans (Batmen?). E aqui novamente temos uma abordagem deveras legal para um assunto muito interessante: buracos negros. O que tem dentro deles? O que aconteceria com alguém que fizesse uma viagem através deles?

Aqui conhecemos um ex-piloto, atual fazendeiro, de nome Cooper (Matthew McConaughey). Um dia ele recebe algumas coordenadas de uma forma que não consegue explicar, através do que sua filhinha chama de “fantasma”. Ele vai até o lugar e encontra uma base secreta da NASA, dirigida por um antigo colega (Michael Caine).

Veja, o filme se passa em um futuro não tão distante, quando a comida não é suficiente para todos e os recursos da Terra já foram praticamente exauridos. A raça humana está se deparando com a extinção, e algo precisa ser feito. Essa base secreta da NASA é incumbida disso, de encontrar planetas que possam ser colonizados. E logo nosso amigo se tornará um ex-fazendeiro, atual piloto, pois vai receber a missão de investigar três planetas com potencial de abrigarem a humanidade.

O TEMPO É RELATIVO

Um problema que a expedição vai ter que encarar é a proximidade desses três planetas com um buraco negro, o que afeta coisas como sua percepção de tempo. Uma hora em um deles planetas equivale a sete anos na Terra, então sua visita a cada um dos planetas deve ser o mais rápida possível. E, claro, problemas vão surgir.

Esse aspecto do tempo e o tratamento dado a isso é o ponto mais forte do filme. Não posso comentar muito para não estragar nada, mas praticamente todos os momentos marcantes e emocionantes estão de alguma forma relacionados a isso.

A parte ficção científica da coisa também é bem legal, com um monte de explicações científicas em quase todos os diálogos. Os planetas que eles visitam também são um show à parte, com descrições como “80% da gravidade da Terra”, nas quais nossas mentes férteis podem viajar bastante.

Ok, como é tradição na filmografia de Nolan, Interestelar tem uma história um tanto emaranhada e confusa, mas isso já é esperado, já que até seus filmes do Batman são assim. O lado bom é que você vai querer assistir mais de uma vez para pegar todos os detalhes, e o longa é bom o suficiente para merecer isso.

O design dos cenários e das máquinas me lembrou muito Alien e outros filmes de ficção científica dos anos 70 e 90, com aquela visão do futuro que o povo do passado tinha, sabe? E curiosamente, eu assisti a Interestelar poucos dias depois de jogar Alien: Isolation, que tem o mesmo tipo de design.

Os robôs também são bem legais, com um design quadradão, mas bem simpático, com uma certa influência da série de TV do Guia do Mochileiro das Galáxias.

E tem humor também. Taí uma coisa que os filmes de Nolan não costumam ter, mas dessa vez você com certeza vai soltar umas risadas. Não espere uma comédia, claro, mas também não é uma ficção científica séria e sorumbática.

Meu principal problema com o filme, e responsável por ele não levar a nota máxima, é que ele não se mantém excelente durante toda sua longa duração. O começo, por exemplo, é bem devagar, e o filme demora para mostrar a que veio.

Mesmo depois que engrena, ele também não chega a ser perfeito, especialmente pela necessidade de deixar tudo amarradinho e explicadinho, o que faz com que algumas viradinhas e certas atitudes dos personagens não façam sentido.

Por tudo isso, Interestelar é um excelente filme e facilmente recomendável a todos os delfonautas. Não, não chega a ser tão legal quanto A Origem, mas está bem longe de ser uma mancha na impecável carreira cinematográfica de Nolan.

CURIOSIDADES:

– Antes de assistir, ouça Beyond the Black Hole, do Gamma Ray. A letra da música é tão parecida com algumas das cenas do filme que parece ter sido feita para ele.