Em seu quarto volume, a gigantesca saga de Duna toma caminhos, no mínimo, inesperados. Para começar, pode-se considerar que os três livros anteriores formam uma trilogia e, portanto, Imperador Deus de Duna consistiria no início de um novo arco narrativo.

Afinal, a trama deste novo romance ocorre algum tempo após os eventos de Filhos de Duna. Cerca de três mil anos depois, para ser mais preciso. Leto, o filho de Paul Atreides, governa o universo como um tirano a quem o povo também vê como um deus dado seus poderes de presciência e também à sua transformação física.

Ele está virando um verme da areia, as gigantescas criaturas responsáveis pela criação do mélange, a valiosa especiaria que move a trama da saga. De sua humanidade, resta apenas seu rosto e seu conhecimento, mas ele por vezes cede a arroubos temperamentais que suspeita-se serem da personalidade do verme e não do humano.

Seu domínio absoluto sobre a galáxia é exercido controlando com mão de ferro as reservas de mélange remanescentes após a transformação drástica do ecossistema de Arrakis. Ele acredita estar fazendo isso para evitar a completa destruição da humanidade, e mesmo que saiba que está destinado em fracassar em sua forma de governo, segue em frente, pois tem a sabedoria reunida de seus ancestrais em sua mente.

Claro, como em qualquer governo totalitário, há os dissidentes, que tentam organizar uma revolta. E talvez os mais discordantes de Leto estejam mais próximos dele do que ele pensa. Ou vai ver ele já sabe, já viu tudo isso e tudo faz parte do esquema maior das coisas.

Delfos, Imperador Deus de Duna

Este novo capítulo da saga volta a falar de elementos importantes, como governo, totalitarismo, controle social. Mas também volta a desenvolver temas como fé, religião e o controle através de crenças espirituais. Muito por Leto ser visto como o Imperador Deus do título, essa característica religiosa e sua filosofia particular a respeito do tema são bastante desenvolvidos.

Dada a grande passagem de tempo da narrativa, também é interessante ver como aspectos dos livros passados mudaram, como os fremen, agora uma pálida sombra do que já foram, com seus costumes e tradições quase esquecidos.

Também é o tipo de livro onde parece que pouca coisa de fato acontece. E pra dizer a verdade, é mesmo. No entanto, mesmo com um grande número de páginas e pouco andamento da trama, ou com uma história pequena para tamanho número de páginas, se preferir, os diálogos e as discussões que os cercam são tão interessantes que esse fato acaba por se tornar irrelevante.

Como um novo começo para a saga, apontando novos e imprevistos caminhos, Imperador Deus de Duna é muito bem sucedido, uma boa leitura para qualquer fã de ficção científica e, claro, para quem já conhece os volumes anteriores da saga de Frank Herbert.

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