Exclusiva: Revolution Renaissance / Stratovarius – Timo Tolkki – Parte 2

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Alfredo, Alfredo de la Mancha, Delfos, Mascote, Alfredão, Delfianos

Perguntas por Mauro Barreto e Carlos Eduardo Corrales. Introdução por Carlos Eduardo Corrales. Condução e tradução por Mauro Barreto.

Na segunda parte da entrevista com o polêmico Timo Tolkki (a primeira parte está aqui), você confere o que todo mundo realmente quer saber: tudo que esteve por trás da novela que o Stratovarius se tornou desde 2004, além da tradicional e exclusiva mensagem em áudio gravada por Timo especialmente para você. Sim, para você mesmo e para mais ninguém! Assim, sem mais delongas, divirta-se com a parte final do retorno das grandes entrevistas ao DELFOS.

Eu gostaria que pudéssemos falar um pouco sobre a era Stratovarius. Tudo bem para você?
Sim, sim. (risos)

Em 2004, após a dissolução temporária da banda, você passou por alguns problemas e foi hospitalizado devido a uma severa crise de estresse. O que você poderia dizer sobre esse período difícil?
Bom, essa época foi tão estranha… Eu estou escrevendo um livro no momento, mas que não é somente sobre isso. É uma semi-autobiografia em que falo sobre minha infância e sobre tudo mais, e esta é uma das partes. O que aconteceu naquela época é que assinamos um contrato com uma gravadora chamada Sanctuary, que nos deu um plano a seguir… Uma jogada de marketing.

Então os outros integrantes nunca estiveram fora da banda?
Tudo que aconteceu a partir de outubro de 2003 foi mentira. Houve somente um acontecimento que foi verídico, e foi o meu colapso nervoso em abril de 2004. Então, essa jogada de marketing foi algo muito calculado, e todos estavam envolvidos, incluindo os administradores da gravadora.

Você estava infeliz com a situação na época?
Eu dei um voto de confiança para essa coisa toda, e por causa disso as pessoas pensam que eu fiz tudo sozinho, mas você não pode fazer esse tipo de coisa sozinho, sabe? É impossível fazer isso sozinho. Então, o esfaqueamento, as vocalistas mulheres… tudo foi uma jogada de marketing altamente elaborada.

Quanto à Miss K, ela era somente uma modelo contratada pela banda ou uma cantora de verdade?
Ela é uma cantora de verdade, mas ela serviu como uma ferramenta. Do jeito que as coisas iam, tudo estava escrito, havia um roteiro em que eu e Jens trocávamos idéias. Então ela me enviou um e-mail perguntando se estávamos sem vocalista. Nós tivemos a idéia de falar com ela, e ela serviu como uma ferramenta.

Então tudo era como em um reality show, com cada acontecimento planejado para acontecer no momento determinado?
Sim, foi muito como um reality show, mas, você sabe, não se faz algo assim, e nós pagamos por isso. E eu não estou falando de dinheiro, eu estou falando de algo que realmente prejudicou a banda.

Então nunca houve a intenção de que ela fosse mesmo a vocalista da banda, mas somente uma farsa temporária?
Sim, esse era o objetivo. É claro que eu não levei em conta, nem compreendi, as consequências. Eu não sabia como lidar com isso. Então todo o ódio foi gerado em torno de mim, é claro, e eu tive um colapso nervoso.

Houve alguns episódios bizarros, como uma foto de você coberto de sangue publicada em seu website, e o fato de Jens Johansson urinando em você no palco. Era tudo parte do plano?
É, ele mijou em mim. (Silêncio). Se você olhar o que se passou com o Stratovarius entre 2004 e 2005, tudo aquilo foi mentira.

Ok… Houve ainda um episódio em que você disse ter recebido um saco cheio de fezes enviado por alguém do Brasil. Isso foi verdade?
Não, não foi verdade. Isso foi uma mentira, como todo o resto. Tudo foi uma mentira.

Você disse que está escrevendo um livro contando toda essa história em detalhes. Há uma previsão de lançamento?
Setembro deste ano, e eu pretendo que o livro seja traduzido para o português.

Então o livro está praticamente pronto?
Sim, ele já tem cerca de 150 páginas. Está quase pronto.

Em 2005, o Stratovarius voltou à ativa. Como você descreve esse período até a sua saída oficial da banda em 2008?
Esse período foi como… Sabe, depois do meu colapso nervoso, de ter sido hospitalizado, eu senti muita dor emocional por cerca de oito ou nove meses. Eu não podia seguir em frente, só ficava deitado na cama. É uma história muito estranha, mas as gravações de bateria foram feitas pelo Jörg em fevereiro de 2004, e eu não consegui fazer nada até outubro daquele ano. Então eu comecei a ouvir as gravações de bateria para tentar fazer um álbum a partir daquilo. Eu estava realmente me sentindo mal com toda a situação. Eu chamo aquele álbum de “Black Album”, porque ele é muito negro para mim. É uma mentira, eu não o considero realmente um álbum do Stratovarius. Para mim, o Stratovarius acabou nos álbuns Elements.

Então o álbum homônimo é o que você menos gosta do Stratovarius?
Eu realmente nem penso que seja um álbum do Stratovarius.

E tem algum álbum do Stratovarius do qual você se orgulha mais?
Eu tenho mais orgulho do Elements Pt. 1, devido ao enorme acúmulo de trabalho e energia que colocamos naquele álbum. É o meu favorito.

Você já ouviu o novo álbum do Stratovarius (Polaris)?
Sim… Na verdade eu o comprei.

Você não gostou dele?
(risos) Bem… Eu acho que não é certo. Para mim, aquela banda não existe mais. Eu não acho que seja Stratovarius. Para mim, aquilo é somente uma tentativa de copiar algo que eu fiz.

Como é sua relação atual com os membros do Stratovarius?
Bem… Eles dizem em entrevistas que eu tenho sérios problemas mentais, então eu acho muito difícil continuar amigo de quem diz isso de você. E eu considero extremamente arrogante e desrespeitoso continuar essa banda sob o nome Stratovarius sem mim.

Então por que você decidiu ceder os direitos sobre o nome e músicas da banda para os outros integrantes?
Isso é muito importante, porque muitas pessoas não entendem. Eu, é claro, poderia ter impedido que eles usassem o nome, mas quando eu soube que eles planejavam continuar com o nome, eu fiquei tão surpreso e nervoso com isso que eu pensei “ok, se vocês pensam que é moralmente certo continuar essa banda sem mim, que escrevi 95% das músicas e letras, então eu vou dar a vocês o nome”. E além disso, eu dei a eles os direitos sobre todo o catálogo, incluindo álbuns em que eles nem tocaram, como o Fright Night e o Twilight Time. Então eu não recebo nenhum dinheiro deles, mas eles lucram em cima de todo o catálogo. Eu fiz isso como um protesto, para mostrar que eu não quero ter contato com pessoas que são tão desrespeitosas comigo. Esse é o motivo.

Agora eu gostaria de fazer algumas “perguntas de guitarrista”.
Ok..

Sobre seu equipamento atual, o que você utiliza, tanto no estúdio quanto no palco?
Eu estou no processo de procurar por novidades, mas eu tenho usado amplificadores Engl Fireball pelos últimos sete anos. Em todos os shows eu tenho usado isso. No último álbum do Revolution Renaissance, eu usei um equipamento diferente. Eu usei um amplificador chamado Cornford – é um amplificador britânico valvulado. Eu usei um monte de Gibson Les Paul para as guitarras base. Eu nunca havia usado Les Paul antes (risos).

Você costumava usar guitarras ESP, e agora resolveu mudar um pouco?
Sim. Esse co-produtor do Age of Aquarius levou cerca de 30 guitarras para o estúdio e 10 amplificadores para experimentarmos coisas diferentes. As Les Paul têm um som muito, muito bom para as guitarras base, então eu toquei tudo com essas guitarras, e nos solos eu toquei ESP.

E o que você está pensando em usar ao vivo de agora em diante?
Quando eu tinha 14 anos, Ritchie Blackmore era o guitarrista nº 1 de todos os tempos para mim. Então eu queria tocar em uma Fender Stratocaster, e consegui minha primeira quando tinha 14 anos. O que eu quero dizer é que esta guitarra é o que eu vou usar ao vivo de agora em diante. É algo simbólico, e a Stratocaster é uma guitarra muito boa.

Você considera então a Stratocaster uma guitarra flexível para os sons mais leves e mais pesados?
Eu não acho que o equipamento tenha um papel tão importante no som, ao contrário do que as pessoas pensam. O papel mais importante fica por conta do músico. Então eu toco qualquer guitarra, e acho que é mais ou menos tudo igual. É a pessoa que importa.

Nosso tempo acabou, mas eu tenho uma última pergunta. Recentemente o mundo teve notícia da morte de Michael Jackson. É algo curioso para os fãs saber o que um músico de heavy metal como você sentiu ao receber esta notícia. Você tinha alguma admiração pelo cantor?
Eu acho que Michael Jackson era um gênio. Eu acho que ele foi abusado por diversas pessoas ao seu redor. Eu acho que ele era constantemente vítima de chantagens, de empregadas, motoristas, sabe? Eu acho que ele nunca foi a pessoa que diziam que ele era. Eu acho que ele era como uma criança. Eu o assisti ao vivo uma vez, em 1997. Ele era inacreditável. Esse cara, no seu gênero, era o melhor do mundo, e é muito triste que ele tenha partido dessa maneira. A maioria das estrelas brilha somente por algum tempo, mas estrelas cadentes deixam sua marca… para sempre.

Para finalizar a entrevista, eu gostaria que você deixasse uma mensagem para seus fãs que estão lendo essa entrevista. Você poderia dizer algo para os leitores do Delfos, por favor?
Sim, eu gostaria de enviar minhas saudações e amor para os fãs brasileiros, e agradecê-los por todo o apoio e amor pela minha música por 15 anos. Eu estou muito ansioso para ver vocês ao vivo dentro de alguns meses. Eu vou tocar um monte de músicas legais no palco, com meus novos colegas de banda. Muito obrigado. (Baixe o MP3 dessa mensagem clicando aqui).

Obrigado, Timo. Foi muito bom conversar com você e eu lhe desejo o melhor.
Ok. Obrigado, meu amigo.

Obrigado, até mais.
Obrigado. Tchau (ele disse isso em português).