Assassin’s Creed Chronicles: China

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Amigo delfonauta, fazia um bom tempo que eu não ficava tão empolgado por um Assassin’s Creed. Me considero um grande fã da série de assassinos crentes da Ubisoft, mas mesmo assim, faz alguns anos que os lançamentos da franquia deixaram de me animar.

Pois se você achava que já tínhamos Assassin’s Creed demais, saiba que este é só o primeiro de pelo menos quatro que vão sair este ano. O lado bom, e o motivo da minha empolgação é que três deles formarão a série Chronicles e essa série abre mão dos mundos abertos enormes em nome de um 2.5D, o que pensei que poderia ser o tipo de mudança que cairia muito bem.

EM 2D!

Assassin’s Creed Chronicles: China é o primeiro dessa trilogia de joguinhos menores. Trata-se de um jogo linear de stealth. Cada checkpoint é como um pequeno puzzle recheado de inimigos que o jogador deve resolver. Se tudo der certo, você resolverá o negócio sem ninguém te ver e sem matar ninguém. Claro, aqui você é uma assassina, então assassinatos também são uma opção, mas dão menos pontos. A terceira opção, para quando tudo der errado, é sair na porrada. E esta não chega a ser viável, pois além de ser quase suicídio encarar os soldados na mão, você ainda ganha menos pontos.

Dependendo da quantidade de pontos que você tiver ao final de cada fase, pode ganhar um ou dois upgrades. O lado engraçado é que, se você fizer mais pontos, menos vai precisar dos upgrades, afinal, se ninguém avistar você, que diferença faz um ponto a mais de vida?

DISCÍPULA DE EZIO

China, 1526. Fim da Dinastia Ming. A ordem dos assassinos foi exterminada da China pelos templários. Uma jovem chamada Shao Jun escapou para a Itália. Lá, ela treinou com o grande mestre Ezio Auditore da Firenze. Se você é um fanático por Assassin’s Creed, deve se lembrar dessa história. Ela foi mostrada no curta Assassin’s Creed Embers, que você pode conferir abaixo.

Após o treinamento com o tremendão, ela volta para a China para se vingar do grupo de templários que destroçou sua ordem. Esta é sua missão em Chronicles: China, e estes templários serão seus alvos.

A história é contada através de imagens estáticas e narrações, e não acrescenta muito à série. Não existe uma história contemporânea (embora a morte ainda seja considerada uma falha de sincronização) e o Ezio aparece apenas nos tutoriais, com um novo dublador, o que vai fazer com que a maior parte das pessoas sequer perceba que se trata do antigo protagonista.

Shao Jun usa um manto preto, embora o manto branco de Ezio também possa ser destravado, e tem uma lâmina escondida no sapato, ao invés de nas mãos como é tradição na série. Isso me lembrou Bayonetta, ainda que Shao Jun não seja sexualizada como a bruxinha superpoderosa.

No caminho, ela vai passar por alguns dos pontos turísticos da China (sim, a Grande Muralha é um deles) e a trilha sonora é bastante sutil, mas é muito boa. Os cenários são impressionantes, pintados à mão, o que deixa o jogo com um visual bem estilizado e deveras agradável.

ROTINA

Como cada checkpoint é um desafio separado dos outros e seu objetivo é sempre passar sem matar ninguém, o jogo logo entra em uma rotina, um checkpoint atrás do outro. Pior que quando eu desencanava disso e assumia o papel de assassino, eu me divertia muito mais, então é uma pena que o jogo recompense caso você não mate ninguém.

E não matar ninguém é realmente desafiador, delfonauta. Você tem alguns métodos de distração, como assobiar ou usar dardos de som para desviar a atenção dos guardas, mas estes recursos são limitados (o assobio é infinito, claro) e a patrulha dos soldados é feita de forma que você quase sempre vai precisar usar esses recursos.

Se você optar por ir assassinando os inimigos, é bem mais fácil, até porque Shao Jun faz tudo que um assassino faz. Ela mata de esconderijos, escala, se esconde na multidão e até faz leaps of faith. Na verdade, apesar de ser em 2D, a sensação de jogar este é bem semelhante à de qualquer outro Assassin’s Creed, o que é bom.

Só é uma pena que os desafios sejam tão focados em escapar dos inimigos. Isso deveria ser parte do jogo, é claro, mas parte do prazer de um game da série sempre foi a movimentação. Escalar prédios, admirar o visual, etc. Aqui você faz essas coisas, mas sempre faz isso se escondendo dos inimigos. Lembra aquelas missões do Ezio que eram basicamente escalar uma igreja, que são algumas das melhores da série? Não há isso por aqui.

Para quebrar a rotina, no entanto, tem três missões que te liberam para matar quantos guardas você quiser, e nelas você precisa correr. Até mesmo sua pontuação depende do tempo que levar para chegar ao final. E essas fases, meu amigo, são os melhores momentos do jogo, lembrando até um pouco os bons momentos do Sonic. Elas têm um ritmo agradável, intercalando assassinatos, escalação, pulos e corrida que falta nas fases mais tradicionais. Esta variação de ritmo foi responsável por acrescentar pelo menos meio Alfredo à nota, e é uma pena que mais do jogo não seja assim.

HUM… CHINESAS COM ROLINHO PRIMAVERA…

Assassin’s Creed Chronicles: China não chega a ser a salvação da série que eu esperava, mas traz novos ares para uma franquia bastante estagnada. Além disso, é baratinho, então dá para recomendar sem medo. Se a perspectiva de jogar um Assassin’s Creed em 2D lhe apetece, pode investir que vale a pena.

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