A Viagem de Meu Pai

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Nem faz tanto tempo assim que um filme tratando a senilidade de um idoso chegou aos nossos cinemas. Se Memórias Secretas usava do tema para tratar de uma história de vingança, A Viagem de Meu Pai, o lançamento da vez, prefere investir na mistura de drama e comédia.

Claude é um octogenário cujos lapsos de memória andam piorando. Sua filha Carole se desdobra para ajudá-lo como pode, seja cuidando dele ela mesma, seja contratando pessoas para cuidar do pai e de sua casa. Mas a personalidade forte e a insistência em ver a outra filha que supostamente reside em Miami vão dificultar o processo.

O longa vai intercalando cenas de Claude em um avião rumo à Flórida com a sua derrocada mental e os gatilhos que reavivam lembranças do passado e vão se misturando em sua mente. Poderia render uma narrativa pesada, mas o filme opta por tratá-la de uma forma mais leve. Claro, o drama ainda está presente, mas há espaço para um pouco de humor.

Muito graças a Claude, que é um velhinho figura. Excessivamente sincero, por vezes intransigente e um tanto tarado, o modo como se relaciona com a filha e com as empregadas contratadas para cuidarem dele e da casa acabam rendendo momentos cômicos e, mesmo quando ele é mais duro e desagradável, acaba-se dando um desconto por conta de sua situação mental.

Ao mesmo tempo, a história mostra também como seu problema vai afetando Carole e dificultando todos os outros aspectos de sua vida, fazendo com que ela tenha de tomar algumas decisões difíceis no processo. Ao longo de seu desenrolar, as peças vão se encaixando até que o quadro geral seja totalmente revelado.

Escorado basicamente pelo bom elenco, que entrega performances muito boas, é o tipo de filme que deve falar mais alto para quem já passou por algo semelhante com algum parente, mas que mesmo assim ainda rende um entretenimento satisfatório para quem nunca passou por isso, devido à já mencionada leveza com que o tema é tratado.

Não é um grande filme. Certamente está longe de ser, com o perdão do trocadilho, memorável. Ainda assim é bom o bastante para ser recomendável para quem curte uma sessão de cinema mais alternativo. Se é o seu caso, A Viagem de Meu Pai até que cumpre bem seu papel.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.