A Profecia – O remake

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Começa aqui o maior e mais assustador especial delfiano, aquele inspirado por ninguém mais ninguém menos que Satã himself. O assunto de hoje é A Profecia, a série original, seu remake, sua trilha sonora e o próprio filho do capeta e a partir de amanhã, e ao longo desta e da próxima semana, vamos expandir o assunto e falar do terror e do satanismo em diversas mídias. Então se arme com seu crucifixo e uma coroa de alho e me acompanhe nessa jornada rumo ao lado mais negro da alma humana. Bwa-há-hahahaha (embora seja bem parecida com a minha tradicional risada de supervilão, essa deve ser encarada como uma gargalhada satânica. Colabore, ok?).

Bem, agora que já fiz uma introdução apropriada, vamos falar desta nova empreitada demoníaca, o remake de um dos maiores clássicos do terror, originalmente lançado há exatos 30 anos. É engraçado, mas em meio a milhares e milhares de remakes que vêm sendo feitos ultimamente, acredito que ainda não tinha assistido a nenhum dos originais. No máximo, assisti aos originais depois, como foi o caso desse e desse.

Pois nesse caso, eu não só assisti ao original como escrevi uma resenha para ele, que você encontra aqui mesmo neste especial. Portanto, ao invés de gastar nosso tempo falando da sinopse, vou tentar fazer nessa resenha mais uma comparação do que uma análise independente. Até recomendo que você leia primeiro a crítica do original e depois volte aqui. Vai lá, eu espero.

Corrales levanta e vai se benzer. Volta alguns minutos depois.

Pronto? Então vamos lá. A primeira coisa que devo falar é que no geral, o filme é basicamente o mesmo. O começo é bem diferente, onde vemos uma reunião de padres falando sobre os sete sinais bíblicos do Apocalipse e relacionando-os com o mundo real. Quer exemplo? Um dos padres lê um trecho da Bíblia onde fala que os mares iriam se erguer e então vemos imagens do Tsunami. Sim, isso é assustador, então é bem provável que estejamos realmente diante do Armagedom. Portanto, seja bonzinho para encontrar Papai do Céu.

Depois desse prólogo, conhecemos a família Thorn e daí em diante tem pouquíssimas diferenças em relação ao original. A mais clara dessas diferenças é que aparentemente o objetivo era que na refilmagem todo mundo fosse mais jovem e mais bonito, especialmente a mãe do Damien (Julia Stiles), que é uma tremenda de uma Milf. Fiquei até pensando se isso foi intencional ou se hoje o culto à forma física é ainda maior do que o que tínhamos nos anos 70.

O Damien (Seamus Davey-Fitzpatrick – maldito nome difícil, tive que copiar letra por letra do release) tem uma atuação melhor do que o original (o que não significa grande coisa, já que o outro moleque era sofrível), mas é bonitinho demais para ser o filho do capeta. Para começar, acho um erro colocar um cara com olhos azuis nesse papel. Particularmente, eu brincaria bastante com aqueles arquétipos tradicionais de um anjo ter cabelo encaracolado loiro e olhos azuis enquanto a cria do cramulhão tem cabelos bem pretos lisos e olhos negros. Ei, acabei de me tocar que, visualmente, eu poderia ser o anticristo. Será que…? Bão, depois eu vejo se eu tenho um 666 atrás do meu cabelo.

Além dos atores mais bonitos, algumas mortes foram alteradas, incluindo aí a classicaça morte do fotógrafo, tida por muita gente como uma das mais legais do cinema. Aliás, ponto para eles por terem tido coragem de alterar isso e a nova morte também é bem legal. De qualquer forma, existe uma referência à cena original em uma morte extra, a primeira a acontecer no novo filme, que lembra bastante o que acontece no anterior. Outras mortes também foram alteradas, enquanto algumas continuam exatamente iguais (como a da babá, com a única diferença que a atual é mais bonita).

Algumas mudanças foram para melhor (o que, convenhamos, não é mais que a obrigação, já que melhorar algo que já existe é relativamente fácil). O curioso é que algumas dessas cenas, apesar de melhores, são mais curtas do que o necessário, ou seja, não são devidamente exploradas. Como exemplo, cito o famoso ataque dos macacos, que é realmente assustador neste remake, mas que inexplicavelmente dura muito, muito pouco. Aliás, aproveitando o gancho, não consigo entender como os efeitos especiais de um filme tão grande como esse podem ser tão ruins. Assista à cena do empalamento e diga se você não concorda comigo.

A mudança que mais me irritou, entretanto, é que adaptaram o suspense psicológico do original para o terror adolescente de hoje em dia. E tome trilha sonora (que, aliás, é bem mais genérica e menos assustadora que a de Jerry Goldsmith) aumentando em momentos pretensamente assustadores, coisas aparecendo do nada e pessoas acordando de pesadelos. É uma pena e um clássico como A Profecia não precisava disso. Tinha muita coisa a ser melhorada, isso sim, mas aparentemente o novo roteirista (David Seltzer) não se tocou disso.

De resto, o filme é praticamente uma cópia carbono, mantendo inclusive os mesmo diálogos. Se fosse definir este remake em uma só frase, diria “Um clássico do terror se rende aos clichês hollywoodianos”. Provavelmente quem não assistiu ao original, pode tirar uma tarde proveitosa de A Profecia, mas mesmo assim tenho minhas dúvidas, pois em tempos de ateus e de spiritual but not religious, uma história como essa está completamente fora do contexto e carece da ousadia do filme que o inspirou. E, de qualquer forma, A Profecia II é bem mais legal que o original, mesmo que o Cyrino discorde de mim.

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