A Hora do Pesadelo

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Agora a trinca está completa. Após os reboots nas matanças de Michael Myers e Jason Voorhees, faltava só a volta de Freddy Krueger para completar as repaginadas nos grandes assassinos do terror slasher dos anos 80. Pois a espera acabou, já que o remake de A Hora do Pesadelo aporta agora nos cinemas.

A história você já conhece de cor e ela não mudou nada. Freddy Krueger usa os sonhos de uma galerinha de adolescentes cabeças de vento para aterrorizá-los e matá-los usando sua tradicional luva com dedos de navalha, para vingar algo que lhe aconteceu no passado.

Pronto, eis aí toda a trama do filme. Devo dizer que, em comparação às novas produções estreladas por seus amigos Myers e Jason, A Hora do Pesadelo é muito mais fiel ao filme original, este dirigido por Wes Craven em 1984.

Temos muitas cenas similares, algumas totalmente idênticas, e até uma das mortes é igual, porém com efeitos especiais mais caprichados, o que não necessariamente é uma vantagem. Eu, por exemplo, ainda acho essa tal morte mais legal esteticamente no longa antigo.

Jackie Earle Haley, após interpretar o assassino psicótico Rorschach, dá uma arejada na carreira ao interpretar o assassino psicótico Freddy. Em comparação ao seu antecessor, Robert Englund, seu Krueger é mais assustador e inclemente, embora também solte suas frases de humor negro, porém numa voz gutural que lembra muito um certo vigilante mascarado… Fãs de longa data podem não gostar de sua performance (e isso deve acontecer), mas ao menos ele tentou uma abordagem própria ao invés de copiar o trabalho já feito.

Quanto à maquiagem do rosto do figurão, bem, sem dúvida está completamente diferente, assumindo uma estética mais realista. Embora seja bem feita, é também esquisita. Realmente nesse quesito eu preferia a maquiagem da cinessérie da década de 80.

A nova versão perde em humor e ganha em seriedade (mas vale lembrar, o filme original também não tinha tanto humor assim, foram suas sequências que acabaram descambando para o lado da comédia), e até tenta fugir dos sustos fáceis tão comuns nos terrores adolescentes de hoje em dia, embora não seja completamente bem sucedido.

Uma coisa que me irritou durante a projeção é que em vários momentos (e bota vários nisso), um personagem adormece, aí Freddy aparece por uma fração de segundo num susto gratuito, e aí o sujeito acorda. Demora até um dos assassinos mais adorados da história do cinema ter algum tempo decente de tela e mais ainda até ele de fato começar a interagir pra valer com os outros personagens.

E por falar nisso, outro defeito, recorrente nessas refilmagens, é que os adolescentes são tão genéricos e sem sal que não rola nenhuma identificação com os personagens. Você não torce para eles sobreviverem e nem os odeia o suficiente para desejar que sofram uma morte violenta. Pelo contrário, se Krueger matasse todo o elenco dessa produção, da protagonista ao figurante número 42, não faria a menor diferença. Isso tira muito do brilho de uma das graças desse estilo de filme, que é justamente adivinhar quem vai morrer, em qual ordem e como. Se o sujeito não fede nem cheira, sua morte não será apreciada como poderia. Isso é uma lição básica da filosofia dos filmes de terror, caceta!

Mesmo assim até que me diverti bastante enquanto assistia e nem senti o tempo passar. A Hora do Pesadelo pode não ser lá essa maravilha toda, mas cumpre bem o papel de entreter uma nova geração de fãs, pode satisfazer os das antigas desde que estes não tenham expectativas estratosféricas e é uma refilmagem digna quando comparada diretamente com sua matriz. Pode assistir sem medo (juro que o trocadilho não foi intencional).

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