Lego Batman O Legado do Cavaleiro das Trevas é o melhor jogo com participação do Batman desde Arkham Knight. E também é o melhor jogo da Lego desde… pff, sei lá, viu? Porém, ele é também prejudicado por ser um jogo Lego. O primeiro Lego Star Wars era novidade. Era uma interpretação fofa de filmes que a gente gosta muito e que já tinham sido reinterpretados de outras formas muitas vezes.

Porém, ao longo dos vinte e tantos anos desde seu lançamento, jogos Lego se tornaram a forma padrão para reinterpretar filmes. A ponto de que muitos só viraram jogos em sua versão Lego. Simplesmente ficou tão comum ver personagens conhecidos como bonequinhos de Lego que o charme foi totalmente embora. Como um Funko Pop, um bonequinho de Lego com pintura conhecida hoje em dia é simplesmente um produto capitalista. Cínico e comercial, feito simplesmente para chamar a atenção e vender. E sim, tenho plena consciência de que o mesmo pode ser dito de filmes e jogos de super-heróis. Então, ei, talvez a gente esteja falando de um casamento feito no paraíso.

REVIEW LEGO BATMAN O LEGADO DO CAVALEIRO DAS TREVAS

Apesar de citarem a Rocksteady nos créditos do jogo, aparentemente a Traveller’s Tales é a única desenvolvedora, ou pelo menos a principal. No entanto, a jogabilidade puxa dos jogos Arkham, e talvez por isso citem a desenvolvedora anterior. O combate é igualzinho. Vários upgrades, como o gel explosivo, funcionam exatamente da mesma forma. E a movimentação, uma combinação de Batmóvel, voo e arpéu, também permitem explorar o mundo exatamente como antes. Isso tudo torna o gameplay de Lego Batman Legacy of the Dark Knight muito superior ao de um jogo padrão de Lego.

Por outro lado, os vícios anteriores também estão aqui. Tem uma quantidade erótica de colecionáveis, que vão muito além das centenas de troféus do Charada espalhados pelo mundo aberto. Também dá para destruir quase tudo do mundo, e você precisa fazer isso para ter dinheiro e comprar roupinhas e outros breguetes vendáveis. O lado bom é que dessa vez não tem necessidade de quebrar uma certa quantidade de cada fase para fazer 100%. Você quebra o que quiser, quando quiser.

ARKHAM LEGO – MUNDO ABERTO

A combinação de mundo aberto com fases lineares já vinha sendo feita há muito em jogos anteriores de Lego, e também na série Arkham. Aqui ela se repete. E é uma combinação forte. Particularmente, sinto que as piores partes do jogo são as que acontecem em mundo aberto, que envolvem limpar um mapa cheio de ícones e fazer atividades repetitivas. Também é bem frustrante quando você faz algo novo em uma fase de história e logo em seguida aparece uma mensagem dizendo “agora faça isso mais 20 vezes no mapa inteiro”.

Dito isso, o mundo aberto é bonito, e graças à excelente movimentação, é uma delícia de explorar. Assim como a série Arkham, também tem algumas sidemissions que formam sequências contando histórias de vilões secundários, pelo menos para a história principal.

HABILIDADES

Como em Arkham, é comum você não ter ainda as habilidades para resolver alguns desafios e missões do mundo aberto. Estas aparecem no mapa com um ícone de cadeado, o que é uma mão na roda. Porém, às vezes você decide resolver algo simplesmente por estar passando por ali. E se você estiver no desafio, não dá para ver o ícone no mapa para saber se está com o cadeado, pois o ícone de jogador tampa o do objetivo.

Uma coisa legal do mundo aberto é explorar em cooperativo em tela dividida. Isso permite que cada jogador vá para onde desejar no mapa. O lado ruim é que não dá muito certo. Isso porque um dos dois sempre precisa ser o Batman. Assim, se você precisar de uma habilidade que apenas a Mulher-Gato tem, por exemplo, o segundo jogador precisa estar por perto. Pelo menos no mundo aberto, seria bacana que os dois jogadores pudessem ser qualquer personagem desbloqueado, inclusive o mesmo. Isso melhoraria muito a exploração, pois possibilitaria que qualquer jogador resolvesse sozinho qualquer desafio.

QUANDO ARKHAM LEGO É LINEAR

As fases propriamente ditas são de longe o melhor do jogo. Estas combinam exploração, colecionáveis, furtividade e combate aberto. É verdade, estamos falando de um jogo Lego, que mesmo no difícil é fácil. Portanto, não tem muita vantagem em brincar de stealth, embora isso seja possível. Além disso, assim que um inimigo te vê durante a furtividade, dezenas de bonequinhos que não estavam na fase aparecem, e parece impossível voltar para o stealth. Mas as fases são realmente boas.

Uma coisa que achei especialmente legal é a forma com que o jogo combina histórias de toda a carreira cinematográfica do Batman. O jogo começa com o Bruce criança, ao lado de seus pais, terminando, obviamente, naquela cena que está entre as mais repetidas da história do cinema. Mas logo algo chama a atenção.

JÁ DANÇOU COM O DEMÔNIO SOB A LUZ DO LUAR?

Sim, a pergunta feita pelo pré-Coringa antes de matar os pais de Bruce aparece no jogo. Daí o herói cresce, e vai treinar com Ra’s al Ghul, como em Batman Begins. Então ele volta para Gotham, faz amizade com o então detetive Gordon enquanto o Pinguim se candidata a prefeito, como em Batman O Retorno. E assim, sucessivamente, várias histórias conhecidas do herói vão aparecendo. Algumas são lembradas e queridas, como o Coringa no museu. Outros, como a Hera Venenosa ou o Senhor Frio, um tanto menos. Mas é legal ver que colocaram tantas pecinhas do quebra-cabeças em uma história completa, que faça sentido.

Como em qualquer jogo Lego, especialmente em Lego Indiana Jones, aqui o segundo jogador está sempre preso em jogar com alguém que não seja o Batman. E isso incomoda, especialmente no início, quando o pobre player 2 fica preso como o Gordon. Eventualmente, outros heróis aparecem, como a Mulher-Gato, o Robin ou a Bat-moça, o que torna mais legal ser o segundo jogador. Uma vantagem é que, no mundo aberto, o seu amigo de sofá pode alterar entre todos os heróis desbloqueados a qualquer momento, enquanto o Batman fica sempre preso em ser o Batman.

LEGO BATMAN LEGACY OF THE DARK KNIGHT

Lego Legado, que dizer, Lego Batman O Legado do Cavaleiro das Trevas é um bom jogo. Caramba, eu diria que com suas influências Arkham ele é até um excelente jogo. Embora, verdade seja dita, a necessidade de carregar a marca Lego não faça favores a ele. É uma experiência bastante inferior aos jogos da Rocksteady, ainda que superior a praticamente tudo que a Traveller’s Tales fez antes.

E assim chegamos à conclusão. Lego Batman O Legado do Cavaleiro das Trevas é melhor do que todos os outros Legos. E chega perto dos games anteriores do Batman, ainda que não os alcance.