Lego Star Wars: O Despertar da Força

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Para mim, a série de games Lego nunca foi tão boa quanto em seu primeiro jogo, Lego Star Wars. Depois veio Lego Indiana Jones, Lego Batman, Lego Harry Potter, mas parece que nenhuma outra das combinações ficou tão azeitada quanto jedis e sabres de luz feitos com tijolinhos.

Depois de dezenas de jogos da série Lego, eu também diria que o negócio está estagnado. Todos eles são muito parecidos, basicamente skins do mesmo jogo com outras franquias famosas. A questão é: se é assim, por que eu me diverti tanto com Lego Star Wars: O Despertar da Força?

RESPONDENDO

Sabe, eu diria que Lego Star Wars: The Force Awakens é o primeiro jogo da série a realmente ser feito para a nova geração. Sim, eu sei que já tivemos outros lançamentos antes, assim como sei que este ainda saiu para os consoles da geração passada. No entanto, parece que pela primeira vez em várias iterações, tivemos uma melhora técnica considerável, que nem sabíamos que era possível.

Desde a geração do PS2, os jogos de Lego sempre tiveram gráficos praticamente perfeitos. Parecia que não havia muito o que melhorar. Pois, meu amigo, jogando O Despertar da Força no Xbox One, eu vejo como estávamos errados. Os cenários, a iluminação… até o próprio HUD totalmente reformulado. Houve um salto considerável de qualidade visual desde Lego Marvel’s Avengers.

O som não fica atrás, e não me refiro apenas ao fato de Star Wars ter tradicionalmente uma das mais belas e conhecidas trilhas do cinema. Para começar, tivemos os atores principais do filme gravando novos diálogos para seus papéis, o que acredito que seja algo inédito na série Lego. Inclusive, temos aqui o que pode ser a última vez que Harrison Ford vai interpretar Han Solo.

O design de som em si, e a atmosfera geral das fases está excelente. Quando você está jogando com a Rey na parte da história em que ela encontra o sabre de luz, o negócio tem um clima incrivelmente parecido com as tumbas de Rise of the Tomb Raider. Isso deixa Lego Star Wars com menos daquele clima de joguinho de criança, e mais com clima de uma grande aventura blockbuster, que é o que um jogo de Star Wars tem que ser.

Isso não significa que ele não seja bom para crianças. Muito pelo contrário. O fato de não haver punição para as mortes, o clima pastelão das cutscenes e a simples fofura do visual Lego tornam o jogo uma excelente pedida para jogar com pimpolhos ou com pessoas que não são gamers.

NOVIDADES NOVINHAS E TRADIÇÕES VELHINHAS

Os games de Lego há muito não traziam novidades, mas este de fato traz algumas que vão além dos aspectos visuais. Provavelmente a mais chamativa é o que o jogo chama de blaster battle. Em determinados momentos, você se esconde atrás de uma cobertura e deve mirar com o gatilho esquerdo e atirar com o direito, em uma simplificação da jogabilidade popularizada por Gears of War.

Sim, é bem simplificado, inclusive não dá para mover a mira com a alavanca direita, como estamos acostumados. Provavelmente fizeram isso para não confundir a cabeça do público mais casual, mas seria bacana se fosse possível mirar tanto com a direita quanto com a esquerda. De qualquer forma, essas blasters battles dão um novo sabor ao lado da ação de Lego Star Wars, o que sempre foi o ponto fraco da série.

Outra novidade é o multi build. Quase sempre que você encontra um montinho de peças de Lego para montar, você pode escolher o que vai fazer com elas. Na maioria das vezes, você vai construir algo, usar, destruir e construir outra coisa com as mesmas peças. Alguns puzzles vão exigir que você construa peças em ordens específicas, enquanto em outros você vai precisar alternar entre as construções rapidamente. É bacana e dá um ar de maior customização ao jogo.

Algumas coisas já conhecidas de antes também voltam, das quais a menos bem-vinda é a maldita tela dividida dinâmica. É incrível que uma característica tão ruim e tão odiada continue na série depois de tantos lançamentos. E para piorar, ela não funciona sempre como deveria. É comum, por exemplo, ela ficar girando, mudando a posição dos jogadores na tela mesmo sem eles estarem se mexendo.

Quem não gosta da divisão dinâmica pode desativar, mas daí a tela fica dividida verticalmente o tempo todo, o que também não é ideal. Poderiam fazer no esquema Toe Jam & Earl, que já funcionava bem décadas atrás: quando os jogadores estão próximos, tela única. Quando se separam, divide a tela de forma estática. Ou então simplesmente possibilitar desativar a divisão de tela e não permitir que os jogadores se afastem muito um do outro, como era nos primeiros.

O mundo aberto, que vinha se tornando uma tradição na série, agora está bem mais leve. Entre cada fase de história, você passa por hubs, espécie de “fase intermediária” que são mais abertas e que estão cheias de colecionáveis e sidemissions, a maioria das quais você só vai conseguir fazer após terminar o jogo e liberar o free play.

Este é outro aspecto que eu gosto mais nos jogos antigos, onde havia um único hub, com várias portas que levavam diretamente para cada uma das fases principais. Ainda assim, não dá para negar que esta simplificação foi bem-vinda, uma vez que o mundo aberto nunca pareceu realmente fazer sentido na série.

Além da história do filme O Despertar da Força, há algumas fases “secretas”, que só podem ser habilitadas quando você pegar uma determinada quantidade de tijolinhos amarelos, normalmente múltiplos de dez.

Estas fases contam histórias do universo expandido de Star Wars e são tão boas quanto as principais, o que deixa mais difícil entender porque não as deixaram liberadas de uma vez. As primeiras você acaba liberando naturalmente, mas para jogar todas, você terá que ficar um bom tempo nos hubs em free play após terminar o jogo coletando tijolinhos, o que é sinceramente um saco.

Todas as fases são liberadas quando você atingir 60 tijolos, mas depois disso tem uma que só abre quando pegar 249, número absurdamente alto, tornando esta fase algo que acredito que pouquíssimas pessoas vão realmente jogar.

Uma coisa que eu senti falta foi de jogar com jedis. A primeira fase acontece na batalha de Endor, do final de O Retorno de Jedi, onde você joga com Luke e Darth Vader, mas depois disso você só vai poder usar a força no free play. Claro, a culpa aí é mais do filme em si e do fato de ele não ter jedis mesmo, mas era tão legal jogar com Anakin e Obi-Wan no primeiro Lego Star Wars que gostaria de ter mais oportunidades de fazer algo assim por aqui, nem que fosse nas fases do universo expandido.

Pelo menos durante boa parte do jogo o personagem Finn usa sabres de luz, mas a força mesmo é praticamente inexistente fora do título do jogo.

ACORDA, FORÇA!

Ainda assim, tem alguma coisa muito mágica na mistura Lego e Star Wars. Tradicionalmente, os melhores da série Lego foram justamente aqueles que misturaram os tijolinhos com o universo de George Lucas. Lego Star Wars: O Despertar da Força não é exceção.

Temos aqui um jogo lindo, altamente divertido e deliciosamente casual, muito superior aos lançamentos anteriores da série Lego. Caso você esteja cansado das fórmulas da franquia, como eu estava, este é o jogo capaz de lembrar porque eles fizeram tanto sucesso quando surgiram. E caso você ainda não tenha experimentado, e tenha curiosidade de ver qual é que é, é uma excelente oportunidade para começar.

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