Screamer é um jogo bonito e estiloso. Muito, aliás. Apesar de nas imagens de gameplay ele parecer um jogo de corrida como qualquer outro, na verdade tem um jeitão muito mais animê. Os carros e os cenários usam cores bem vivas e o jogo é simplesmente um prazer de ver. Ele também tem um grande foco na história. A ponto de que, embora existam outros modos de jogo, te joga de cara no modo história na primeira vez que você joga.

SCREAMER

A história é até bacana. Ela gira em torno de um torneio de corridas que vai pagar muita grana para o vencedor. Cada time, no entanto, tem objetivos próprios para fazer parte do campeonato. Tem aqueles que estão lá para matar alguém, outros querem fazer as pazes com o passado e outros, claro, querem apenas o dinheiro.

O legal é que a história não tem um time protagonista. Ao longo da campanha, você alterna entre todos os times e entre vários de seus membros, em pequenos capítulos focados em uma única equipe. A forma que a história é contada, no entanto, é um tanto invasiva e irregular.

Do lado bom, o jogo tem várias cenas que são literalmente animês completos, desenhos animados com estética japonesa e planos muito bonitos. Do lado ruim, a maior parte da história é até falada, mas é contada com desenhos estáticos dos personagens, normalmente nas mesmas posições. Mas o que mais incomoda mesmo é quão invasiva ela é. Screamer parece ser um jogo que não quer ser jogado.

MODO HISTÓRIA

Um exemplo disso são as dificuldades, e ele tem duas independentes. Tem uma para os modos de gameplay mais normais, onde você escolhe o herói, a pista e vai para a prova. E daí tem outra para a campanha, cuja dificuldade mais baixa é chamada justamente de História. Ou seja, a ideia é que você consiga aproveitar a história sem precisar ficar frustrado ou repetindo desafios. Não é assim que funciona.

Screamer, Milestone, Corrida, Delfos

A campanha dificilmente pede para você jogar. A maior parte do tempo é realmente assistindo e lendo. E quase sempre quando pede tem objetivos banais, como usar turbo duas vezes ou algo assim. Porém, em alguns momentos pontuais, ele exige que você ganhe uma corrida para continuar. E estes momentos, meu amigo, matam totalmente a campanha. Isso porque você não pode evoluir de outra forma. Fica simplesmente preso, naquela única corrida, com aquele carro específico e, se você não conseguir ganhar, danou-se. Eu tive dificuldade em várias delas, mas fui passando. Cheguei perto do final, no penúltimo capítulo, mas o carro que precisava usar neste capítulo parecia ser incapaz de fazer curvas. Eu tentei várias vezes, o que foi um saco. E em nenhuma tentativa consegui chegar em uma posição que não fosse a última. Isso foi um saco ainda maior.

GAMEPLAY

Apesar de invasivo, Screamer não tem muito mais a oferecer além de seu modo história. Para começar, você precisa avançar lá simplesmente para ter opções, já que boa parte dos personagens e pistas só são destravados após aparecerem lá. Porém, os outros modos de jogo, que são basicamente versões de quickplay, sem nada mais estruturado, simplesmente não fala comigo. Acaba sendo um jogo para partidas rápidas, algo tipo “vamos pegar uns troféus” ou “quero ver quanto tempo duro na corrida de checkpoints“.

Isso não significa que o jogo não crie nada além de sua estética interessante. Cada personagem tem poderes específicos, como turbo mais longo ou foco em ataques. Mas talvez a principal diferença seja o uso que ele faz de derrapagens. Seu carro gira de forma diferente com as duas alavancas. A esquerda faz curvas tradicionais, enquanto a direita ativa as derrapagens.

Isso modifica totalmente sua forma de jogar. Afinal, mais importante do que diminuir a velocidade para uma curva é fazê-la com as duas alavancas. Isso não significa, claro, que você não precise diminuir a velocidade. Mas na prática, para o carro virar apropriadamente é necessário usar as duas. Na verdade, você acaba se acostumando e fazendo a curva nas duas sem nem perceber. Se há algo mais aprofundado nesta mecânica, eu não descobri.

Screamer é um jogo de predicados. É bonito e criativo, mas simplesmente não é gostoso ou divertido de jogar. Falta uma campanha mais estruturada que te permita jogar, além do modo história. E o modo história, por outro lado, precisa de uma (ou três) dificuldades mais baixas.